(_Versão da Beira-Alta_)
--Quero fazer uma aposta,
Ou eu não sei apostar:
De dormir com Mariana
Antes do gallo cantar.
«Tal cousa não faças, filho,
Que não a hasde ganhar;
Mariana é mui sisuda,
E não se deixa enganar.
Não quiz ali dizer nada,
Não quiz ali mais falar;
Vestiu traje de donzella,
Ao jardim foi passear,
«Quem é aquella donzella,
Que alem anda a passear?
--«É a tecedeira, senhora,
Que vem das praias do mar;
Tem a sua têa urdida
E a falta vem-na buscar.
«Essa falta eu a tenho,
Mas não a posso dobar.
--Dobe-a já, minha senhora,
Trate de a mandar dobar;
De noite pelo caminho
Donzellas não hãode andar.
«Para a honra da donzella
Aqui hade hoje poisar.
--Tendes criados tão moços,
Mui atrevidos no olhar!
«Para a honra da donzella
No meu quarto hade ficar.
A donzella de contente
Á noite não quiz cear,
Estava a cahir com somno
Que se quiz logo deitar.
Lá por essa noite adiante
Mariana de gritar!
--Cala-te, oh Mariana,
Não te queiras desgraçar;
Tinha a têa já urdida
A falta vim a buscar.
Aos sete para outo mezes,
Sem o teu pae reparar,
Quando te vires pejada
Eu comtigo heide casar.
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