(_Versão da Beira-Baixa_)
Lá acima em Catalunha,
Junto ao pé de Sevilha,
Correm os moços um touro
Que admirar-se podia.
O touro era tam bravo,
Ninguem esperal-o queria!
Nomearam capitão
Um moço da mesma villa:
Calçava meia de seda,
Seu sapato de palmilha,
Com seu chapeo aprumado
Com tres plumas que tinha.
Volta pela rua abaixo,
Volta pela rua acima,
Ergueu os olhos ao céo
A vêr a hora que seria.
Vae da uma para as duas,
Já passava do meio dia.
--Alerta, álerta soldados,
Álerta, nobre companhia;
Deitem o touro cá fóra,
Que já passa do meio dia.
O touro era tam bravo,
Ninguem esperal-o queria!
Esperava-o aquelle moço
Para mostrar valentia.
Sette voltas deu ao curro,
Outras sette á mesma villa;
Metteu-lhe a chave direita
Entre a sóla e a palmilha.
Não lhe accudiu pae, nem mãe,
Nem irmã, que a não tinha;
Accudiu-lhe uma esposa
Pelo amor que lhe tinha,
Accudiu-lhe toda a gente
Pela lastima que via.
--Se eu morrer d’esta morte,
Como d’ella estou esperado,
Não me toquem a campana,
Nem me enterrem em sagrado,
Enterrem-me áquella quina
Aonde foi o namorado.
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