(_Variante do Minho_)
’Stando santa Helena
Á porta assentada,
Cosendo mui linda
Na sua almofada,
Sua agulha de ouro,
Seu dedal de prata,
Veio um cavalleiro
Pediu-lhe pousada.
«Se meu pae lh’a dera
Está mui bem dada.
Entrou para dentro,
Logo se assentou;
Fizeram-lhe a ceia,
Elle não ceiou;
Fizeram-lhe a cama,
Então se deitou.
Lá por meia noite
Se alevantou;
De tres irmãs que eram
Só n’ella pegou.
Levou-a p’r’o monte
E lhe perguntou:
Como lhe chamavam
E como a tratavam
.................
«Em caz’ do meu pae
Helena fidalga,
Agora na tua
Serei desgraçada.
Puchou pelo alfange
E logo a matou,
Cobriu-a de ramos,
Ali a deixou.
Findos sette annos
Por ali tornou:
--Pastorinhos novos,
Que guardaes o gado,
Que ermida é aquella
Que está n’aquelle adro?
--É de Santa Helena,
Morreu degollada.
--Minha santa Helena,
Meu amor primeiro,
Perdoa-me a morte,
Serei teu romeiro.
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