(_Versão de Trás-os-Montes_)
No alto d’aquella serra
Está uma bella ermida;
Uma devota está ’nella,
Serva da Virgem Maria.
Uma visinha da porta
Mau testimunho lhe erguia:
Ella que andava d’amores
Com um sacerdote de missa!
Sacerdote se agastava,
E ella pena não tinha.
Veio o marido de fóra:
«Boa seja a vossa vinda,
Que vos quero perguntar
Que vae lá por essa villa.
--Que te confesses, traidora,
Que te vou tirar a vida.
«Quer m’a tires, quer m’a deixes,
Eu confessar-me queria.
Marido, se me matares,
Enterra-me na Ermida
Aos pés de Nossa Senhora,
Aos pés da Virgem Maria.
Prenhadinha de oito mezes
Para os nove corria;
No cabo dos nove mezes
Um lindo cantar se ouvia.
Abriram a sepultura
Onde a encontraram parida,
Com uma menina nos braços,
Que se chamava Maria.
--Perdoa-me, oh Mariquinhas!
Perdoa-me, oh mulher minha!
«Como te heide eu perdoar
Se a tua alma está perdida?
A minha está na gloria
Dos anjos bem assistida.
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