(_Variante da Covilhã_)
«Estando eu a coser na minha almofada,
Com agulha de ouro e dedal de prata,
Veio o cavalleiro pedindo pousada,
Se lh’a meu pae dera, estava bem dada.
Deu-lh’a minha mãe, que mui me custava,
Fui fazer a cama no meio da sala.
Era meia noite, a casa roubada,
De tres que nós éramos só a mim levava.
Eram sete leguas, nem fala me dava,
Lá para as oito é que me perguntava:
--Lá na tua terra como te chamavam?
«Lá na minha terra era eu morgada,
Cá n’estas montanhas serei desgraçada.
--Por essa palavra serás degollada.
Ao pé de um penedo serás enterrada,
Coberta de rama bem enramalhada.
No fim de sette annos por ali passava,
E a todos que via lhe perguntava:
--Dizei-me, pastores que guardaes o gado,
Que ermida é aquella que alem branquejava?
--É de Santa Iria bemaventurada,
Que ao pé de um penedo morreu degollada.
--Oh minha santa Iria, meu amor primeiro,
Perdoa-me a morte, serei teu romeiro.
«Não te perdôo, ladrão carniceiro,
Que me degollaste, que nem um carneiro.
Veste-te de azul, que é a cor do céo,
Se elle te perdoar, perdoar-te quero.
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