Romance de Dom Aleixo

(_Versão da Foz_)

Na cidade de Madrid,

Na melhor que el-rei tenia,

Havia um cavalleiro

Dom Aleixo se dizia,

O cujo tal cavalleiro

Namorava uma donzilla;

Ella lhe pediu tres cousas

Que ao seu corpo convenia:

Uma, que fosse sósinho

Sem mais outra companhia,

Outra pela meia noite

Quando a gente dormia.

Inda as dez não eram dadas

Dom Aleixo se vestia,

Seu capacete de grana,

Seu chapeu á bizarria.

Pegando na sua espada

Foi para vêr sua amiga;

Chegando a um alvoredo

Penhascos o cobririam:

--Não me atireis com pedras

Que pedras é cobardia;

Pucha pela tua espada

Que eu tambem trago a minha.

Se algum d’aí não a tem

Eu lhe emprestarei a minha.

Cessae, cessae oh villões,

Não useis de mais porfia,

Quero fazer testamento

Da fazenda que tenia:

A minha alma dou a Deos,

E á Virgem Santa Maria;

O meu corpo tão valente

Já o dou á terra fria,

Coração á minha dama

Discreta Dona Maria.

Rescordou Dona Maria

Do somno em que jazia:

«Quem te matou Dom Aleixo?

Quem te matou vida minha?

--Os ladrões de teus irmãos

Já me tiraram a vida.

Perde quem anda de noite

Ganha quem anda de dia;

Perde quem tem seus amores

Que d’elles se não retira.

Puchou por um faquim de ouro

Que á sua cinta trazia:

«Quero sacar a minha alma,

Quero levar companhia.

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Romanceiro geral · 第 27 / 84 题