Romance da Promessa de noivado

(_Versão da Covilhã_)

--Oh menina da mantilha

Guarde-me esse lindo rosto,

Que eu vou para a minha terra,

Em vindo caso comvosco.

Lá dos quatro para os cinco,

E dos cinco para os seis,

Menina se eu não vier,

Menina casar-vos-heis.

--«Filha eu quero-te casar

Que é o teu tempo venido.

«Senhor pae estou casada

Não tenha duvida n’isso.

Agarrou no seu fatinho

Abalou por ai alem,

E ia de terra em terra,

E de logar em logar.

Já levava a bocca secca

De por elle procurar;

Os seus olhos como punhos

De por elle ir a chorar.

«Móra aqui um cavalleiro

Da minha terra natural?

--Aqui móra, sim senhora,

Anda na caça a caçar;

Se elle é de muita pressa

Eu o mando lá chamar.

«Elle a pressa não é muita

Que por elle heide esperar.

Elle á noite quando veio

Começou-se a admirar:

--Quem vos trouxe aqui, senhora,

Á minha terra natal?

«Foram as suas saudades

Que fizeram cá chegar.

--Tenho os meus filhos pequenos,

Que Deos m’os deixe criar,

Tenho a minha mulher moça

Que Deos m’a deixe gosar.

A menina que isto ouviu

Cahiu morta para traz.

--Que farei aqui, senhora,

Que farei a tanto mal?

--Pegue-lhe pelos cabellos

E mande-a deitar ao mar!

--Não farei isso, senhora,

Na mi terra natural;

Mando fazer um caixão

Com a tampa de crystal,

E na pia da agua benta

A mandarei sepultar

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Romanceiro geral · 第 26 / 84 题