(_Versão da Beira-Baixa_)
«Oh minha mãi quem me dera
Vêr-me em Castilha do mar;
Tenho desejos de ir ver
A minha mãi natural...
--«Se tens desejos de ver
A tua mãi natural;
Mas Dom Pedro foi á caça
Em vindo lhe irei contar.
Da caça que elle trouxer
Te mandará um casal:
De duas perdizes uma,
De tres coelhos um par.
Ella a sahir pela porta
Dom Pedro a entrar o quintal.
--Que é da minha rosa branca
Que me não vem abraçar?
--«Tua rosa branca, Dom Pedro,
Está em Castilha do mar?
Olha o que ella ia dízendo,
Que se não pode contar:
«Que em sua caza não tinha
Cama para se deitar!
Olha o que ella ia dizendo,
Que se não pode dizer:
«Que em sua casa não tinha
Um pão para se comer!
Bem puderas tu meu filho
Minha benção alcançar;
Como vieste da caça
Ir-m’a já lá arrastar.
--Ála, ála meus criados,
Meus cavallos vão ferrar,
Com ferraduras de bronze
Para melhor caminhar.
Dou sete voltas á cerca,
Sem n’ella poder entrar;
Viu lá entrar uma preta
Que se estava a pentear.
--Abri-me as portas oh preta,
Põe-m’as já de par em par!
Menina que lá está dentro
Já a lá vou arrastar.
«--Dae-me alviçaras Dom Pedro
Dae-m’as, bem m’as podeis dar;
Que vos nasceu um infante
Lindo como um crystal.
«--Novas vos trago, senhora,
Novas de muito pezar;
Que Dom Pedro está á porta
Jura de vos vir matar.
«Dê-me a mão, oh minha mãe,
Ajude-me a levantar,
Que Dom Pedro está á porta
Jura de me vir matar.
--Deixa-te estar oh filha
Que eu o vou assocegar!
Que Dom Pedro é attencioso
Logo me ha de querer falar.
Pegou-lhe pelos cabellos
E elle a foi arrastar;
Andára mais de tres leguas
E sem lhe querer falar.
«Olha para traz Dom Pedro,
Olha se queres olhar,
O teu cavallo é branco
Veio já do meu signal.
Leva-me áquella ermida
Que me quero confessar,
Se não, confesso-me a ti
Por eu já não ter logar.
--Mal o haja a tua mãe
Que te deixou levantar.
«Mal haja a tua, Dom Pedro,
Que taes conselhos quiz dar.
Cá te fica um infante
Cá o darás a criar,
Não o dês a tua mãe
Que jura de m’o matar;
Da-o cá antes á minha
Que ella o dará a criar.
--Fica-te aqui rosa branca
N’este campo de alegria!
Com a ponta da espada
A cova ali lhe fazia;
Com as lagrimas dos olhos
A terra lhe amollecia.
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