Romance do Conde Niño

(_Versão de Traz-os-Montes_)

Vae o conde, conde Niño

Seu cavallo vae banhar;

Em quanto o cavallo bebe

Cantou um lindo cantar:

--Bebe, bebe, meu cavallo,

Que Deos te hade livrar

Dos trabalhos d’este mundo,

E das areias do mar.

--«Esperta, oh bella princeza,

Ouvide um lindo cantar;

Ou são os anjos no céo,

Ou as sereias no mar!

«Não são os anjos no céo,

Nem as sereias no mar,

É o conde, conde Niño

Que commigo quer casar.

--«Se elle quer casar comtigo

Eu o mandarei matar.

«Quando lhe deres a morte

Mandai-me a mim degollar;

Que a mim me enterrem á porta,

A elle ao pé do altar.

Morreu um, e morreu outro,

Já lá vão a enterrar;

D’um nascêra um pinheirinho,

Do outro um lindo pinheiral;

Cresceu um e cresceu outro,

As pontas foram junctar,

Que quando el-rei ia á missa

Não o deixavam passar.

Pelo que o rei maldito

Logo as mandava cortar;

D’um correra leite puro,

E do outro sangue real!

Fugira d’um uma pomba

E do outro um pombo trocal,

Sentava-se el-rei á meza,

No hombro lhe iam poisar:

--«Mal haja tanto querer,

E mal haja tanto amar;

Nem na vida, nem na morte

Nunca os pude separar.

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Romanceiro geral · 第 25 / 84 题