(_Versão de Traz-os-Montes_)
Vae o conde, conde Niño
Seu cavallo vae banhar;
Em quanto o cavallo bebe
Cantou um lindo cantar:
--Bebe, bebe, meu cavallo,
Que Deos te hade livrar
Dos trabalhos d’este mundo,
E das areias do mar.
--«Esperta, oh bella princeza,
Ouvide um lindo cantar;
Ou são os anjos no céo,
Ou as sereias no mar!
«Não são os anjos no céo,
Nem as sereias no mar,
É o conde, conde Niño
Que commigo quer casar.
--«Se elle quer casar comtigo
Eu o mandarei matar.
«Quando lhe deres a morte
Mandai-me a mim degollar;
Que a mim me enterrem á porta,
A elle ao pé do altar.
Morreu um, e morreu outro,
Já lá vão a enterrar;
D’um nascêra um pinheirinho,
Do outro um lindo pinheiral;
Cresceu um e cresceu outro,
As pontas foram junctar,
Que quando el-rei ia á missa
Não o deixavam passar.
Pelo que o rei maldito
Logo as mandava cortar;
D’um correra leite puro,
E do outro sangue real!
Fugira d’um uma pomba
E do outro um pombo trocal,
Sentava-se el-rei á meza,
No hombro lhe iam poisar:
--«Mal haja tanto querer,
E mal haja tanto amar;
Nem na vida, nem na morte
Nunca os pude separar.
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