Romances da Infanta de França

(_Versão da Covilhã_)

Dom João foi para caça,

Foi á caça á porfia,

Anoiteceu-lhe n’um bosque,

Era o que elle mais temia;

Seus cavallos por ferrar,

Era o que elle mais sentia!

Lá pela noite adiante

Um lindo cantar ouvia,

Deitem os olhos ao largo

Viu lá estar uma donzilla,

Penteando o seu cabello

Em um tanque de agua fria.

--Que fazeis aqui, senhora,

Que fazeis aqui donzilla?

«Sete fadas me fadaram

No collo de madre minha,

Fadaram-me por sete annos,

Por sete annos e um dia.

Hoje se acabam os annos,

Á manhã por noute o dia;

Bem podera o cavalleiro

Levar-me na companhia.

--Desde, já minha senhora,

Eu tudo isso lhe faria;

Dizei-me, oh minha senhora,

Se ides de anca ou de silha?

«Eu vou de anca, oh cavalleiro

Que isso é da honra minha.

Lá pelo caminho adiante

Ella se pôz a sorrir.

--Do que vos rides, senhora,

Do que rides vós donzilla?

«Eu rio-me do cavalleiro

E da sua cobardia,

Achar donzilla no campo

E guardar-lhe cortezia.

--Tornemos atraz senhora,

Tornemos a traz donzilla,

Que deixei a minha espora

No tanque da agua fria.

«Adiante, oh cavalleiro,

Eu atraz não tornaria,

Se a espóra era de prata

Meu pai de ouro lh’a daria.

--Dizei-me, oh minha senhora,

De quem é que vós sois filha?

«Sou filha do rei de França,

Neta do rei de Castilla.

--Pelos signaes que me daes

Vós sois uma mana minha!

Mal hajam todos os homens,

E quem em mulheres se fia;

Cuidando que levo esposa

Levo a uma irmã minha!

Abram-se esses palacios,

Venha toda a fidalguia,

Trago aqui uma mana

Ha sete annos que a não viram.

Venha cá, senhora mãi,

Ande vêr a sua filha,

Cuidei trazer nóra sua

E trago uma mana minha.

Levantou-se a sua mãi

Da cadeira aonde estava:

--«Se tu és a minha filha

Anda cá para os meus braços,

Se tu és a minha nóra

Ai tens os teus palacios.

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Romanceiro geral · 第 20 / 84 题