(_Versão de Traz-os-Montes_)
Por aquelles montes verdes
Uma romeira descia;
Tão honesta e formosinha
Não vae outra á romaria.
Sua saia leva baixa,
Que nas hervas lhe prendia;
Seu chapellinho cahido
Que os lindos olhos cobria.
Cavalleiro vae traz d’ella,
Alcançal-a não podia;
Alcançou-a descançando
Debaixo da verde oliva,
Á sombra da arvore benta.
Que está no adro da ermida:
«Eu te rogo, cavalleiro,
Por Deos e Santa Maria,
Que me deixes ir honrada
Para a santa romaria.
Cavalleiro de malvado
De amores a accomettia;
Pegaram de braço a braço,
Qual de baixo, qual de cima.
A romeira por mais fraca
Logo debaixo cahia.
No cahir lhe viu á cinta
Um punhal que elle trazia,
Com toda a força o arranca,
No coração lh’o mettia.
--Da vingança que tomaste
Eu te peço romeirinha,
Que o não digas em tua terra,
Nem te vás gabar á minha.
«Heide dizel-o em tua terra,
Heide-me ir gabar á minha
Da vingança que tomei
Da affronta que me fazias;
Que matei um vil cobarde
Com as armas que elle trazia.
Tocou a campa da ermida
A campa que retinia:
«Eu te peço, ermitão,
Por Deos e Santa Maria,
Que enterres esse traidor
Lá na tua santa ermida.
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