(_Versão da Covilhã_)
--Indo eu por quelha abaixo,
Topando por quelha acima,
Olhei para uma janella,
Onde vi ’star trez donzillas.
Aquella de azul claro
É linda em demasia,
Tenho de a ir buscar
Inda que me custe a vida.
As dez horas eram dadas
E elle á porta batia.
«Quem bate á minha porta
Deshoras á porta minha?
--É um grande cavalleiro
Que vem buscar sua filha,
«Minha filha não ’stá em casa,
Foi para a de sua tia,
Que a mandou cá buscar
Para uma função que havia.
Deitou os hombros á porta,
Não uzou mais cortezia;
Entrou pela casa dentro
Com toda a sua ousadia,
E foi direito a um quarto
Aonde a filha dormia.
«Oh filha faz, pela honra
Antes que te custe a vida;
Honra as barbas a teu pae,
Que brancas na cara as tinha.
Pegou-lhe pelos cabellos
Foi-a arrastar pela villa,
E depois de a ver morta
A sua mãi a trazia.
--Aqui tendes oh D. Anna,
Oh Dona Anna vossa filha,
Honrada e virtuosa,
Mas porem custou-lhe a vida.
«Antes a quero ver morta
Que a sua honra perdida,
Justiça venha do céo
Que na terra não a havia,
E caia sobre um Alferes,
Matador da minha filha.
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