Fidalgos, he o mesmo que fortificar praças, fazer frotas, e multiplicar
a felicidade dos seos dominios, fim de toda a Legislação de qualquer
Estado. Relata _M. Ricaut_[87] que a grandeza e a conservaçaõ do Imperio
de Turquia depende totalmente da educaçaõ que o Gran Senhor dá no
_Seraillo_ á mocidade, que elle adopta e cria á sua custa.
O referido Auctor no lugar citado dis assim[88] «O Graõ Senhor naõ
considera nos seos Ministros, nem o nacimento, nem as riquezas: elle tem
por maxima empregar aquelles que foraõ educados a sua custa; e como
elles naõ tem outro arrimo, nem outra esperança, daqui he que saõ
obrigados á gratidaõ e a servirem com a mayor
fidelidade..................................
«Os meninos destinados a servir os mayores Cargos daquelle Imperio, que
os Turcos chamaõ _Ichoglans_, forçozamente hão de ser filhos de
Christaõs tomados na guerra, e de terras distantes da capital...........
Antes que estes meninos entrem no lugar destinado para se criarem os
prezentaõ ao Graõ Senhor; e os envia ou ao serrail de _Pera_, ou ao de
_Adrianopoli_, ou ao de Constantinopla».
Ali saõ doutrinados naquelles tres Collegios, ou pensoens com toda a
severidade pelos Eunuchos; ali aprendem todos os exercicios militares,
escrever, e a sua Religiaõ, e as Lingoas Persiana, e Arabiga: e nestes
filhos adoptivos se provem todos os Cargos do Imperio; estes saõ
aquelles que vem a ser Bachas, Vizires, etc.
He facil prever que sendo educados assim todos aquelles que haõ de
servir hum Estado, que seraõ os mais gratos, e os mais fieis ao seu
Soberano, que sempre consideraraõ como piissimo Pay. Se fossem educados
ingenuamente com os conhecimentos da Europa, e com as maximas da
Religiaõ Christã, taõ excellentes para conservar a paz, a humanidade, e
cordialidade entre os iguais e superiores, sentiria aquelle Estado muito
mayor utilidade daquella excellente educaçaõ, porque naõ he possivel
considerar outro melhor methodo para conservar huma monarchia, e para
promover a felicidade de hum Rey.
Tenho acabado o que prometi a V. Illustrissima, e sem embargo que esteja
persuadido que naõ satisfis a tudo que pertence á materia que tratei,
naõ duvido será de alg[~u]a utilidade, e será a mayor, a meu ver, haver
mostrado a necessidade que tem o Reyno de huma educaçaõ universal da
Mocidade, governada por hum novo Tribunal, dependente de hum Secretario
de Estado. Os defeitos, ou omissoens que V. Illustrissima notar neste
papel, ou cauzados pela auzencia de tantos annos da Patria, ou pela
ignorancia das circunstancias, facilmente se remedearaõ, se V.
Illustrissima for servido notalos, porque entaõ me será mais facil
acertar com a idea da perfeita educaçaõ da Mocidade Portugueza. Fico
para obedecer a V. Illustrissima com o mayor respeito.
Deos guarde a V. Illustrissima muitos annos
Paris, 19 Novembro 1759.
Antonio Nunes Ribeiro Sanches.
TABOA DAS DIVISOENS
_Das Escolas, e dos Estudos dos Christaons até o tempo de Carlos Magno,
no anno 800_, Page 4
_Reflexoens sobre as Escolas Ecclesiasticas_, 12
_Continûa a mesma Materia_, 17
_Idêa das Obrigacoens da Vida Civil, e do Vinculo da mesma Sociedade_,
23
_A Constituiçam Fundamental da Sociedade Christaâ_, 26
_Continûa a mesma Materia_, 27 & 37
_Como os Ecclesiasticos introduziram governar os Estados Catholicos,
pelas Congregaçoens dos primeiros Christaons, e pelas Regras dos
Conventos_, 42
_Das Universidades_, 59
_Dos Estudos da Universidade de Coimbra, depoís da sua Renovaçam no anno
1553_, 65
_Resumo do Referido_, 69
_Effeitos que cauzáram em Portugal as Escolas, e as Universidades da
Europa e do mesmo Reyno_, 77
_Continûa a mesma Materia. Effeitos que causaram nos costumes as Leis
referidas_, 81
_Continûa a mesma materia. E sobre a Escravidam, e sobre a Intolerancia
Civil_, 88
_Que a nossa Monarchia se podia conservar com a Educaçam Ecclesiastica,
que tinhamos: em quanto conquistava: mas que nam he sufficiente depois
de acabadas as Conquistas_, 96
_Objecto que devia ter a Educaçam da Mocidade Portugueza, no tempo del
Rey Dom Joam O Terceyro, e parece que ainda hoje_, 101
_Da Natureza da Educaçam da Mocidade, e do Objecto que deve ter no
Estado onde he nacida_, 108
_Qualidades dos Mestres, para ensinar a ler e a escrever, &_, 115
_Do que haviam de aprender os Mininos alem de ler, escrever e contar,
&_, 118
_Das Escolas da Lingoa Latina e da Grega, Humanidades, e da Lingoa
Materna_, 124
_Dos Mestres e dos Discipulos das Escolas do Latim &_, 131
_Necessidade que tem o Reyno de Escolas em modo de Seminarios_, 133
_Continûa a mesma Materia, e das Pensoens das Escolas do Latim no Reyno,
por cauza da Educaçam da Mocidade das Colonias e das Conquistas de
Ultramar_, 135
_Das tres Classes de Discipulos das Escolas Latinas, &_, 138
_Continûa a mesma Materia_, 142
_Digressam sobre as Pensoens e sobre a Lingoa Latina tanto no Reyno,
como nas Colonias_, 146
_Da terceyra Classe de Estudantes que aprenderia nas Éscolas Reais a
Lingua Latina, Grega, &_, 152
_Dos Estudos Maiores, ou Collegios Reais_, 153
_Sobre o ensino que deve preceder as Escolas Mayores, quer dizer, da
Physica e da Legislaçam_, 160
_Em que lugar se haviam de ensinar as Sciencias referidas_, 166
_Da Educaçam da Fidalguia e dos Fidalgos, que tem Assentamento e Foro na
Caza Real_, 168
_Que sorte de Educaçam convem á Fidalguia Portugueza, que seja util a si
e á sua Pátria?_, 174
_Continua a mesma Materia. Em que lugar devia ser educada a Fidalguia e
Nobreza de Portugal_, 178
_O que sam as Escolas Militares_, 182
_Propoemse huma Escola Real Portuguesa, para ser nella educada a Nobreza
e a Fidalguia. Economia interior_, 185
_Em que idade deviam entrar os Educandos na Escola Real Militar?_, 188
_Consequencias por nam criarem as Mays seos filhos_, 189
_Dos Mestres da Escola Real Militar, para a Arte da Guerra e das
Scíencias_, 194
_Das Lingoas e Sciencias que se deviam ensinar nêsta Escola, e em que
tempo?_, 198
_Ponderaçam sobre a Lingoa Latina_, 200
_Empregos e Honras com que haviam de sahir os Benemeritos desta Escola_,
203
_Utilidades que resultariam tanto ao Reyno, como ao Soberano do exacto
exercido desta Escola Militar, que se propoem_, 204 */
FIM DA TABOA
*Publicados:*
CAVALEIRO DE OLIVEIRA.--Discours Pathétique au sujet des calamités
présentes, arrivées en Portugal. Nova ed. seguida duma notícia
bibliográfica pelo Dr. Joaquim de Carvalho.
RIBEIRO SANCHES.--Cartas sobre a educação da mocidade. Ed. prefaciada e
revista pelo Dr. Maximiano Lemos.
*No prélo:*
CAVALEIRO DE OLIVEIRA.--Reflexoens de Felix Vieyra Corvina de Arcos,
Christam Velho Ulissyponense sobre a Tentativa Theologica, composta
pello Reverendo e douto Padre Antonio Pereyra da Congregaçam do Oratorio
de Lisboa.
JOSÉ DA CUNHA BROCHADO.--Memorias particulares, ou anedotas da Corte de
França apontadas no tempo que servio de Enviado naquella Corte.
Notas:
[1] Maximiano Lemos--_Ribeiro Sanches_, doc. 23 e 24 a pág. 345 e 346.
[2] Ofício de Monsenhor Salema de 7 de janeiro de 1760.
[3] _Discours sur l'Histoire Écclesiastique_, Discours II. § XIII.
Paris, 1750. _in-8.^o_
[4] Apud Baronium, tom. IV. pag. 107 & 108. Ed. Romanae, ex Epistol. 42
Julian. Apostat.
[5] Apud Baronium, tom. IV pag. 172. «Si quis erudiendis adolescentibus
vita pariter & facundia idoneus erit, vel novum instituat auditorium,
vel repetat intermissum. Dat. III. Id. Januar. Divo Jovian. &
Varroniano. Coss.»
[6] Tom. 3. Editionis Romanae, per totum.
[7] No Decreto de Graciano. Part. II. Causa XI. Cap. 2 & 3. 36 & 37.
Vid. Fleury, _Histoire Eccles._ liv. 59. n.^o 28. & les Discours VII sur
l'Histoire Ecclesiastique.
[8] Apud Herm. _Conringium de antiquitatibus Academicis_, editionis
Heumanni, Dissert. VII. Gotingae, 4.^o ibi pag. 33. Dissert. prima. O
Emperador Justiniano viveo no anno 565.
[9] _In arcana Historia_, pag. 113.
[10] Tom. 3.
[11] _Traité des Ecoles Episcopales & Ecclésiastiques_, par Claude Joly,
Paris, 1678. ibi, pag. 92, & 112 & 113.
[12] Escrita por este Patriarcha, no anno 530.
[13] Joly, ibi, cap. XXI.
[14] _Discours sur l'Histoire Ecclés._ de M. l'abbé de Fleury. Discours
III.
[15] Apud Joly, _Traité des Ecoles Episcopales_, cap. 18.
[16] Decretalium lib. V. tit. 33. de Privilegiis Cap. _super specula_.
«Sane licet Sancta Ecclesia legum secularium non respuat _famulatum_...
firmiter interdicimus & districtius inhibemus, ne Parisiis, vel in
civitatibus, seu aliis locis vicinis, quisquam docere vel audire jus
_civile praesumat_.» Gregor. IX. Praefat. lib. I, Decretal. «Volentes
igitur ut hac tantum compilatione _Universi utantur in Judiciis & in
Scholis_, districtius prohibemus, ne quis _praesumat aliam facere absque
autoritate Sedis_ Apostolicae speciali».
E o Papa Joam XXII. no anno 1316 no Prefacio ás Clementinas, feitas para
a Universidade de Bolonha, dis «Universitati vestrae per Apostolica
Scripta mandantes, quatenus eas promptu affectu suscipiatis, & studio
alacri, eis, sic vobis, manifestatis, & cognitis, usuri de caetero in
_Judictis_, & in Scholis.»
[17] Concilio de Trento, Sess. XXV. de Reformat. Cap. II.
[18] Plataõ lib. V. de Republica.
[19] Atque ipsa utilitas justi prope mater & aequi. _Horat. I. Sermon._
3. V. 98.
[20] _De civitate Dei lib._ II. cap. VI. «Alii religionis antistites per
quos sapere non aditur, apparet, nec illam esse veram sapientiam, nec
hanc veram Religionem».
_Lactant. lib. v Divin. Institit._ cap. III. n.^o 1. «Nihil ibi
definitur quod proficiat ad mores excolendos, vitamque formandam; nec
habet inquisitionem aliquam veritatis, sed tantummodo _ritum colendi_,
qui non officio mentis, sed ministerio corporis constat».
[21] Footnote 1: _Histor._ lib. I, cap. I.
[22] _Math. 27_, V. 18. Data est mihi omnis potestas, in caelo & in
terra: Euntes ergo, docete omnes gentes, baptizantes in N. P. & F. & S.
S. docentes eos servare omnia quaecumque mandavi vobis.
[23] _Joann_. XVIII, V. 36. e _Luc_. XII. 14.
[24] _Matth_. XVIII. V. 18.
[25] Quando os Reis de Portugal decretavaõ alguma ley sem conhecimento
dos Bispos, estes se queyxavaõ aos Papas, e os summos Pontifices
defendiaõ as pretensoens daquelles. Daqui aquella concordia de el Rey D.
Affonso 3.^o, onde promete: «Quod omnibus negotiis contingentibus statum
bonum Regni, cum Consilio Praelatorum, vel aliquorum eorum procedam, qui
convenienter vocari poterunt. secundum tempus & locum, bona fide». Com
el Rey D. Joaõ o I, succederaõ as mesmas queyxas, e el Rey por huma
concordia responde: «Que quando ha alguma couza grande, que se cumpre a
bom estado do Reyno, e a seu serviço, sempre uza chamar os Prelados,
&c.» Vejase Gabriel Pereira de Castro _de Manu Regia_. Lugduni 1673.
fol. pag. 320 e 395: e mais concordias dos Nossos Reis no mesmo lugar.
[26] Fleury, _Hist. Eccles._ liv. 34. n.^o 56.
[27] Canendi artificium ecclesiasticum hoc seculo (era o oitavo)
obtinuisse, eumque pro insigni Philosopho, viroque eruditissimo
reputatum fuisse, qui optime omnium cantasset... In vita Caroli M.
narrat Monachus Engolis mensis. «Ecce orta est contentio per dies festos
Paschae inter Cantores Romanorum & Gallorum: Dicebant Galli melius se
cantare & pulchrius, quam Romani. Dicebant se Romani doctissime
Cantilenas Ecclesiasticas proferre... quae contentio ante Dominum Regem
Carolum pervenit». Non afferemus reliqua, quibus narrat, quomodo
Gallorum cantum ad normam Gregoriani cantus reformaverit Imperator.
Videndus Launoius _de Scholis celebrioribus_, cap. I.
Bruckerus, _Histor. Critica Philosophiae_, tom. III, p. 571 & 72,
Lipsiae, 1743, 4.^o
[28] Dixisse, «nihil esse difficilius quam bene imperare». Colligunt se
quatuor vel quinque, atque unum consilium ad decipiendum Imperatorem
capiunt; dicunt quid probandum sit. Imperator qui domi clausus est, vera
non novit: cogitur hoc tantum scire, quod illi loquuntur: facit judices
quos fieri non oportet, amovet, à Republica quod debebat obtinere; quid
multa? ut Diocletianus ipse dicebat; «Bonus, cautus, optimus, venditur
Imperator». Haec Diocletiani verba sunt.
Flavius Vopiscus in Aureliano pag. 330. _Historia Augusta_ edit.
Causabon. Parisiis, 1603, 4.^o
[29] Pelo Concilio XIII, celebrado no tempo de Ervigio, no anno 681, se
decretou que nenhuma Rainha viuva se podesse cazar; quazi todos os seos
canones constaõ de materias temporais.
[30] No Concilio XI de Toledo, anno 675, se decretou pela primeira vez
que os Bispos tivessem o poder de mandar prender, e de desterrar.
[31] Vide _Epistolaram Decretalium Isidori Mercatoris figmenta a
Blondel_. Genevae 1635, 4.^o
[32] Fleury, _Hist. Eccles._, lib. 44. n. 22, & Discours 7.
[33] Fleury, _Hist. Eccles._, lib. 44. n. 22, & Discours 7.
[34] _Ibid_.
[35] Fleury, _Hist. Eccles._, liv. 70. n. 28.
[36] _Ibid_.
[37] Apostolorum Canon. 24. «Episcopus, aut Presbyter, aut Diaconus in
fornicatione, aut perjurio, aut furto deprehensus, deponitor; non tamen
a Communione excluditor. Dicit enim scriptura: bis de eodem delicto
vindictam non exiges».
[38] Liv. 2. tit. IX.
[39] Ibi. tit. VI.
[40] Pereyra de Castro _de Manu Regia_: tras todas as concordias feitas
entre os Nossos Reis, e os Papas ali se podera ver de que modo absorbiaõ
os Ecclesiasticos o Poder Real. Vejase da pag. 313, ate 431, da ediçaõ
de Leaõ de França.
[41] O Cardeal Baronius dis ao anno 1073, que no Concilio de Worms
convocado pelo Emperador Henrique IV, e pelo Arçobispo de Colonia, e
outros Prelados, vinhaõ acompanhados de Theologos. «Stipatus uterque
magno grege Philosophorum, immo Sophistarum, quos ex diversis locis
summo studio consciverant, ut Canones sibi non pro rei veritate, sed pro
Episcopi voluntate interpretarentur.»
[42] Fleury, _Hist. Eccl._, liv. 40, n. 29. Mariana, _Historia de
Espanha_, lib. 7, cap. 14.
[43] _Discours sur l'Histoire Écclesiastique_, vol. 2.^o Paris,
_in-8.^o_
[44] Eraõ estas nos primeiros seculos da Christandade privar aos
peccadores dos Sacramentos por quinze, e por vinte annos, e algumas
vezes por toda a vida; humas vezes ficavaõ debaixo do alpendre fora da
Igreja; outras vezes dentro, mas deytados de bruços: obrigavaõ (_a_)
jejuar à paõ e agoa, (_a_) trazer cilicios, cinzas sobre a cabeza,
deyxar crecer a barba, e o cabelo, ficar encerrado, e renunciar ao
comercio do mundo: existe ainda hoje hum Tribunal adonde os culpados saõ
forçados (_a_) sofrer estas penitencias: apartandose do costume da
Igreja primitiva que somente as impunha aquem pedia espontaneamente
perdaõ dos seus peccados, e os confessava.
[45] _Ordenaçoens_, liv. 2, tit. IX. «Para que cessem duvidas que pódem
haver sobre quaes saõ os Cazos, e delitos _Mixtifori_, em que os
_Prelados, e seus Officiaes, podem conhecer contra Leygos_... os dittos
cazos Mixtifori são seguintes. Quando se procede contra publicos
_adulterios_, barregueiros, concubinarios, alcoviteiros, e os que
consentem as molheres fazerem mal de sy em suas cazas, incestuozos,
feiticeyros, benzedeiros, sacrilegos, blasphemos, perjuros, onzeneiros,
simoniacos... tabolagens de jogo... posto que neste cazo ouvesse duvida,
se era mixtifori, ou naõ, &c.»
[46] Apud Fleury, Discours VII, _sur l'Histoire Ecclésiastique_, pag.
320.
[47] Fleury, _Discours troisième de l'Histoire Ecclésiastique_, tom. I,
pag. 233 & 234.
[48] Fleury, _Hist. Eccles._, liv. 80, n. 51.
[49] Ordenaçoens, liv. 2. tit. VI. lib. V. tit. I.
[50] Lib. X. Epistol. XCVII. «Cognitionibus de Cristianis interfui
nunquam... adfirmabant autem hanc fuisse summam, vel culpae suae, vel
erroris, quod essent soliti stato die ante lucem convenire: carmenque
Christo, quasi Deo, dicere secum invicem: seque Sacramento non in scelus
aliquod obstringete, sed ne furta, ne latrocinia, ne adulteria
committerent, ne fidem fallerent, ne depositum appellati abnegarent:
quibus peractis morem sibi discedendi fuisse, _rursusque coëundi ad
capiendum cibum, promiscuum tamen & innoxium_, quod ipsum facere desisse
post edictum meum, quo secundum mandata tua _haeterias_, (são
_sociedades_, _ajuntamentos_ ou _confrarias_), esse vetueram».
[51] Lib. VI. Epist. 2. apud Fleury, _Discours sur l'Histoire
Ecclesiastique_, tom. I. pag. 246. E na Historia deste Autor, liv. 62.
n. 36.
[52] Jam verò prudenter intueamur, quod scriptum est, _fidelis hominis
totus mundus divitiarum est, infidelis autem nec obolus_ (este texto não
se lê assim nos Proverbios de Salamaõ), nonne omnes, qui sibi videntur
gaudere licite conquisitis, eisque uti nesciunt, aliena possidere
convincimus? Hoc enim certe alienum est quod jure possidetur: hoc autem
jure, quod juste, & hoc juste quod bene: omne igitur quod male
possidetur, alienum est... donec fideles & pii quorum jure funt omnia.
Epistol. 54. _vulgò_ tom. II, vel 153.
Et quamvis res quaeque terrena non recte à quoquam possideri non possit
nisi vel jure divino, quod cuncta justorum sunt, vel jure humano, quod
in potestate Regum est terrae... Epist. 93. (vulgo 48) & in Joannis
Evang. tract. VI. §. 25. De todos estes lugares se aproveitou Gratiano
Distinct. VIII. Caus. XXIII. Quaest. VII. para seguir a doutrina que
relatamos para confiscaremse os bens dos hereges com justiça. Vejase
nesta materia Barbeyrac, _Traité de la Morale des Peres_. Amst. 1728.
4.^o pag. 292, & seguintes.
[53] _De Manu Regia_, p. 434. edit. Lugdun.
[54] Ibi. Part. segunda, pag. 159... «Regio Diplomate Sebastiani Regis
emanato anno 1569, per quod Praelatis fid libera facultas capiendi, &
puniendi Laicos, illis casibus, quibus a sacro Concilio ad permissum &
imperatum est».
Ali tras o Alvará; que certamente foi ordido pelos Padres jesuitas que
entaõ governavaõ o animo do Cardeal Henrique, que naquelle tempo era
Regente do Reyno: os mesmos jesuitas governávaõ entaõ Portugal como hum
convento de Frades; porque prohibiraõ todo o luxo, determinaraõ a
quantidade de Comida nas mezas, e outras severidades Monachais. Vide
Conestagio, _Historia de Portogallo_.
Gabriel Pereyra de Castro diz, depois de copear o ditto Alvará: «An Rex
per se solus sine publicis comitiis hoc potuisset facere» vid. etc.
[55] Gregorius IX, in Praefatione I. Decretalium. Et Joann. XXII. ann.
1316, Praefatione ad Clementinas.
[56] _Historia Universitatis Pariensis_, A Caesare Hagasio Bulsaeo
Parisiis 1665, fol. tom. II, secul. IV, pag. 255, ad annum 1150.
Siguiremos este Autor, e Coringio _de Antiquitatibus Academicis_,
Dissertationes VII, cum Supplementis, recognovir Christianus Aug.
Heummannus. Gottingae 1739, 4.^o, e a _Historia Ecclesiastica_ de M.
l'Abbé de Fleury.
[57] Vide Pancirollum variat. Lectionum lib. I. cap. apud Coringium
Dissertat. IV. §. VIII.
[58] Sensus Sacrae Facultatis Theologiae Conimbriensis circa
Constitutionem, quae incipit _Unigenitus Dei Filius_. Conimbricae 1717,
4.^o Ibi pag. XVII.
«1. Romanum Pontificem, etiam extra Concilium, supra quod est, de re
dogmatica, sive de rebus, ad _Fidem & mores_ pertinentibus e Cathedra
docentem Universae Ecclesiae Fideles habere assistentiam infallibilem
Spiritûs Sancti, proindeque, nec decipi, nec decipere posse.
«2. Constituitiones Pontificias non indigere, ad suum robur ac vigorem
obtinendam, fidelum populorum acceptationem, aut consensu, nec proinde
talem acceptationem, aut consensum aliquo modo authoritativum».
«3. Sentire omnes ad valorem alicujus Bullae Pontificiae & Dogmaticae,
multo minus requiri acceptationem aut consensum alicujus particularis
Ecclesiae, sed sufficere solum locutionem Pontificis ex Cathedra
universam Ecclesiam docentis».
«4. Omnes testati sunt se _non causa acceptandi_, praedictam
Constituitionem convenisse, quasi ipsa tali acceptatione indigeret ad
suum valorem, sed tantum ad eam _venerandam, ac debitam_ eam obedientiam
praestandam. Quapropter censuerunt omnes Sacrae Theologicae; Facultatis
Magistri & Doctores.
«5. Oportere ut omnes, non solum Sacrae Theologicae Facultatis, sed
_aliorum etiam Doctorum_, & Magistri... se jurejurando obstringerent ad
praedictam Bullam, &c.
E toda a Universidade jurou estas proposiçoens assima, e a Bulla
igualmente.
[59] Aristoteles Polit. Lib VIII, per totum.
[60] Clemens & clementia, a _colere mentem & à cultura mentis_
proveniunt.
[61] De Liberis educandis.
[62] Instit. Orator. lib. I. cap. I. e começa assim «Igitur nato Filio
Pater.... Desde o berço começou a Educaçaõ do Orador, do Orador que ha
de ser huns dos principaes Subditos do Estado.
[63] De Civilitate morum puerilium. Parisiis 1537. 8.^o e nas suas obras
em 10 volumes _in fol._ Edit. Lugd. Batavorum.
_Marco Antonio Muretto_ escreveo para um sobrinho que tinha, a sua
Institutio Puerilis, que começa assim:
_Dum tener es, Murette, avidis haec auribus hauri,
Nec memori modo conde animo, sed exprime factis:
Mentiri noli, &c._
[64] A natureza nos deu esta propriedade do coraçaõ maviozo e piedozo
que se afflige do mal que ve sofrer ao seu semelhante, porque é parte
delle: _Juvenal_, Satyre XV, V. 131.
................_Molissima corda
Humano generi dare se naturu fatetur
Quae lacrymas dedit haec nostri pars optima sensus:
Plorare ergo jubet caussam dicentis amici,
Squallorem que rei................
Naturae imperio gemiamus, cum funus adultae
Virginis occurrit, vel terra clauditur infans_.
Esta piedade e ternura do coraçaõ se mostra pelas lagrimas, que saõ taõ
proprias ao homem: só elle chora, e he tudo o que pode fazer quando
nace: Ja que naõ posso pintar este estado como Plinio, valerme-ei das
suas palavras: «Hominem tantum nudum, & in nuda humo natali die abjicit
ad vagitus statim & ploratum... Itaque feliciter natus jacet manibus,
pedibusque devinctis, flens animal ceteris imperaturum». (Praef. lib. 7,
_Hist. Mundi_). Mas este principio pela má educaçaõ ordinariamente fica
sepultado em nós.
[65] Sei que se está compondo este compendio para satisfazer este
intento, e estou persuadido que se executará com summa utilidade
conforme o dezejo de cada bom patriota.
[66] _Recopilacion de las Leyes destos Reynos_, por Philipe Quinto.
Madrid 1723, fol. I, tit. 7, Ley XXXIV.
[67] Hum _ducado_ Castellano de onze réales eraõ naquelles tempos do
valor de 650 reis, que multiplicados por 300 ducados, faziaõ 195.000
reis: e como o valor da prata augmentou do anno 1623 a quasi a metade,
vem a ser estes 300 ducados nos nossos tempos quasi 400.000 reis. He
defeito de se darem os salarios pelo valor numerario; seria mais estavel
que fossem determinados por marcos de prata: essa he a cauza porque as
cadeyras das Universidades valem hoje tão pouco. No tempo del Rey Dom
João o Terceyro estava o marco a 2.600 reis, e hoje 60.000 reis: assim a
cadeyra que tinha de renda então 200.000 reis, valeria hoje pouco mais
ou menos 450.000 reis: e por essa razão seria mais justo quando se
fundão tais cadeyras de determinar-lhe o salario em marcos de prata, por
ser o pezo inalteravel.
[68] Mestre de Phelipe segundo ordenou «Ne quis e Stirpe gentis Hebraeae
opimis Ecclesiae Toletanae Sacerdotiis potiretur: quamobrem & invidiam
sed constanti animo sustinuit, Judaeorumque apologiam Lutetiae editam,
calumniam elusit.» _Bibliotheca Hispanica Andreae Schotti_, tom. III,
pag. 571.
Em outro lugar mostrei que o costume de tirar Inquiriçoens de Sangue naõ
he ley das Ordenaçoens, nem da Igreja universal; e que este abuso he
contrario ao Concilio de Bazilea: que foi invento Castelhano, que
abraçamos quando o Reyno foi uzurpado por Phelipe Segundo; que servio
para multiplicar a superstição Judaica, a deshonra das familias nobres,
para destruir a harmonia e a paz entre os Subditos do mesmo Estado, e
que deve reynar nos Coraçoens Christaõs.
[69] Ibid. Liv. I. tit. 68. § 10, 11 & 12.
[70]
......................._Adde quod idem
Non horam tecum esse potes, non otia recte
Ponere, teque ipsum vitas fugitivus, & erro;
Jam vino quaerens, jam somno faltere curam.
Frustra; nam comes atra premit, sequiturque fugacem_.
II. Sertn. 7, vers. III.
[71] Manoel de Sousa Faria, _Europa Portugueza_, Tom. III, Part. IV,
cap. I, Pag. 215.