--Vaes sahir?--perguntou melancolicamente.
--Não.
D. Felicidade propoz-lhe então que viesse com ella á Encarnação.
Visitavam a Silveira, coitada, que tinha um furunculo! E viam a armação
da igreja para a festa, estreava-se o frontal novo, um primor!
--E estou tambem com vontade de ir rezar uma estaçãosinha, para
alliviar cá por dentro--ajuntou, suspirando.
Luiza aceitou. Appetecia-lhe ir vêr altares alumiados, ouvir o ciciar
de rezas no côro, como se os requintes devotos dissessem bem com as
suas disposições sentimentaes. Começou a vestir-se depressa.
--Como tu estás gorda, filha!--exclamou D. Felicidade admirada,
vendo-lhe os hombros, o collo.
Luiza diante do espelho olhava-se, sorria com o seu sorriso quente,
contente das suas linhas, acariciando devagarinho, voluptuosamente, a
pelle branca e fina.
--Redondinha--disse, namorando-se.
--Redondinha? Vaes-te a fazer uma bola!
E acrescentou, tristemente:
--Tambem com a tua vida, um marido como o teu, regaladinha, sem filhos,
sem cuidados...
--Vamos lá, minha rica--disse Luiza--que as tristezas não te tem feito
emmagrecer...
--Pois sim, pois sim! Mas...--e parecia desolada, como curvada sob as
suas proprias ruinas--cá por dentro é uma desgraça, estomago, figado...
--Se a mulher de Tuy faz o milagre, põe tudo isso como novo!