II

Porventura tinham razão esses muitos que deixaram passar sem reparo a

delicada e peregrina belleza de arte na _Historia de Portugal_, para

attentarem sómente na soberba e tremenda lição que ella encerrava, lição

moral sobretudo. Os primores litterarios, por muito notaveis que se

tornem e por muita suavidade que deem á vida, são na verdade cousa

inferior perante as forças intimas que regulam o coração humano e

determinam a nobreza ou a degradação, conforme triumpham ou são

vencidas. Tinham razão. A lição que Alexandre Herculano para si mesmo

tirava do estudo da historia, mostrava cabalmente aos estranhos o que

tinham a aproveitar na meditação da sua obra. Se é certo, como algum

disse, que a historia é a philosophia ensinada pelo exemplo, alli

tivemos uma extraordinaria demonstração da justeza de semelhante conceito.

Foi folheando a historia patria que Alexandre Herculano concebeu e nos

desvendou na terribilidade tragica do seu inferno as profundezas da

injustiça social. Foi alli que, registando os conflictos de classes e os

desmandos, abusos e rapinas dos senhores, conheceu e nos denunciou

os crimes da sociedade, acautelando-nos contra a nossa propria quéda em

orgulhosas demencias de virtude, satisfeita e pedante nas commodidades

da sua condição e alheia de sensibilidade e intelligencia aos males

gerados d'ella mesma. «Mentirosa, corrupta e má, cheia de erros,

preoccupações e vicios, damnada nas instituições e nas leis, nas crenças

e nos costumes», a sociedade, disse-nos Alexandre Herculano em conclusão

do estudo dos factos que lhe corroborava os impulsos do coração, «educa

as gerações e os individuos, legando-lhes largo capital de perdição; e

quando os arbustos plantados em terra peçonhenta, tendo bebido uma seiva

venenosa produzem seus fructos de morte, o mundo, ao mesmo tempo malvado

e hypocrita, horrorisa-se, abomina a sua obra, e ajuntando-se á roda do

cadafalso dos suppliciados, que elle proprio lá conduziu, saúda uma

cousa, a que pôz por nome justiça, e que não é mais que uma desculpa

embusteira da ignorancia e de perversidade, não do individuo criminoso,

mas desse vulto hediondo e informe chamado sociedade, para o qual não ha

nem leis, nem punição nem algozes»[45].

Se, hoje, um alto espirito caustico da actualidade[46],

definindo a noção corrente de justiça entre os que se orgulham de a

praticar, nos diz que, «quando o homem mata o tigre é um sport e quando

o tigre mata o homem é uma ferocidade, e a relação entre crime e justiça

é pouco mais ou menos isso», comparamos o seu indignado escarneo com a

maldição inflamada do poeta e verificamos que o poeta não leu menos

claro nas paginas da historia do que o moralista na observação do

espectaculo quotidiano d'um mundo turvado de violentissimas paixões e

possuido de pretensões estultas de haver encarnado a rectidão. Por ahi

podemos avaliar a natureza do scismar do grande historiador, quando nas

vigilias se curvava sobre os pergaminhos da terra natal: que cordas

vibravam então no seu peito, que divino e solemne canto ellas soltaram,

redemptor e austero.

Tudo aquillo que o apostolo carecia de saber e confirmar em sua

consciencia, tudo a historia lhe dizia.

A obra demolidora da revolução, a que se associou com tão claro

applauso, não seria um acto de ruina e destruição, mas sómente o

desafogo e desobstrucção das tendencias evolutivas nacionaes. Para

se continuarem e perfazerem, careciam d'essa violenta remoção de

obstaculos que as prendiam e paralysavam. Aborrecia o modernismo.

Detestava a mania das imitações estrangeiras. «Deplorava profundamente

essa abdicação vergonhosa da razão nacional».

A liberdade, aspiração suprema da sua geração e da sua alma, não seria

uma innovação trazida de terra alheia pela phantasia aerea de

sonhadores: era uma planta nascida e creada no solo da sua patria e

apenas calcada e esmagada, mas não morta, aos pés da crueldade despotica

dos reis e dos ministros do estado.

«As tradições de que tinha saudade, o passado que amava, não eram lendas

absurdas, inventadas por interesses mundanos, dos quaes, por mais graves

que fossem, nem a philosophia nem o christianismo consentem se faça o

céu instrumento. Nos tempos que foram o que lhe sorria, não só como

saudade, mas tambem como esperança eram as tradições d'essa liberdade

primitiva, posto que incompleta, filha primogenita do evangelho, que

elle gerara para mãe, para abrigo das sociedades da Peninsula; d'essa

liberdade, rude e turbulenta como uma creança educada á lei da natureza,

mas como ella robusta e viçosa; d'essa liberdade que se estribava

nos habitos, que resultava de instituições positivas e exequiveis, e

não de instituições copiadas quasi ao acaso da primeira theoria que

tivesse transposto os Pyreneus; d'essa liberdade que tornava a monarchia

uma cousa santa, necessaria, indestructivel, e que a monarchia, por

desgraça sua e nossa, foi lentamente esmagando debaixo do seu throno,

formado dos infolio, politicamente fataes, do Digesto, do Codigo e das

Glossas e commentarios das escolas d'Italia; d'essa liberdade que,

desenvolvida e organisada logicamente com a sua origem, nos teria

poupado talvez á gloria immensa, mas para nós mais que esteril, de nos

convertermos em victimas da civilisação da Europa, de revelar o Oriente

á sua cobiça, para logo virmos assentar-nos extenuados num occaso de

tres seculos; d'essa liberdade que nos teria salvado por certo de um

longo estrebuxar em esforços impotentes de emancipação, que tomámos como

lições de estranhos, e que era mais velha para nós do que o era para

elles. Eis aqui a maravilha, melhor que milagres imaginarios, na qual

não só cria, mas tambem esperava»[47].

O apostolo ardente d'essa crença «amaria o passado do seu paiz e as suas

tradições primitivas. Desejava-lhe uma maneira de ser logica com as

suas origens, porque, nas formulas sociaes de cada nação no berço, tudo

vinha naturalmente; as instituições derivam dos instinctos de liberdade

innatos no coração do homem, das suas necessidades materiaes e moraes,

que a força então despreza e algumas vezes reduz ao silencio, mas que

ninguem pensa em sophismar. N'esta epoca da vida dos povos, ha muitas

cousas incompletas, barbaras; muitos absurdos de detalhe; mas a

estructura da sociedade nunca era absurda. Essas epocas são em geral

ainda muito grosseiras para a inanidade de legisladores chimericos,

fabricantes de systemas, jurisconsultos encarregados de embrulhar os

usos simples do povo. Queria que se prendesse a liberdade moderna á

liberdade antiga». Não importava o facto desamor ou menosprezo do

progresso e das alterações que no seu juizo seriam como phases de um

desenvolvimento organico. «Amava as cousas antigas mas não amava as

velharias. Porque sabia que, estudando as instituições da nossa

edade-media, lá descobriamos quasi todos os principios de liberdade que

julgavamos haver descoberto em nossos dias; porque ahi via garantias

mais reaes, no fundo mais solidas do que aquellas que gozavamos, não se

seguia que desconhecesse a experiencia dos seculos, as vantagens da

civilisação e as verdades adquiridas para as sciencias sociaes». As

instituições que procurava derrubar eram apenas uma sobreposição funesta

aos principios em que a nação portugueza se constituira. Não attentava

contra a tradição nacional, desenterrava-a e limpava-a da corrupção em

que andava perdida, embora a corrupção pretendesse abrigar-se e

defender-se «na sombra santa dos tumulos, dourada pelo sol de milhares

de dias». «Desafiava quem quer que fosse a provar-lhe que as

instituições que Mousinho lançou a terra tivessem existido antes do

seculo desesseis, ou que, no caso affirmativo, houvessem chegado ao

começo do seculo desenove sem terem sido desnaturadas, a ponto de se

tornarem completamente desconhecidas: desafiava-o a provar-lhe que

n'essa epoca satisfaziam de qualquer modo ao seu destino primitivo; a

provar-lhe, emfim, que o que se chama meios de governo fosse outra cousa

senão meios de absolutismo»[48].

A tolerancia religiosa, sonho das grandes almas dos seus companheiros da

epopeia liberal, encontrava-a tambem na historia. A ambição,

porventura intangivel para o inveterado despotismo latino, pela qual se

derramava tanto sangue e se exaltava tamanho esforço de meditação e de

propaganda, isso que parecia um reino novo, conquistado pela philosophia

e por ella arrancado ao fanatismo cruel de sectarios tenebrosos, a

tolerancia, seria para Alexandre Herculano uma singela tradição de bons

tempos da vida nacional. Seguissemos-lhe o rasto: conduzia a paraisos de

candida e repousada fraternidade. E contava, rememorando a jornada em

que a abençoada curiosidade do historiador lhe trouxera por lá o

pensamento:

«Restello, como quasi todas as aldeias das cercanias de Lisboa, parecia

quasi uma terra musulmana ainda no fim do seculo XIV. Ainda então

avultava, entre a raça goda e christã, a raça africana-arabe. Até esta

epoca, ou antes até quasi o fim do seculo seguinte, as Hespanhas

offereciam um phenomeno unico, talvez, na historia: o de tres povos,

sectarios de tres religiões inimigas, vivendo juntos, e cada qual

adorando Deus a seu modo, sem que por isso viessem ás mãos, apesar de

todas essas crenças serem persuasões profundas, e por conseguinte

exclusivas. As tres religiões eram o christianismo, o islamismo, e o

judaismo: o primeiro dominante, o segundo tolerado, o terceiro

consentido. Nobres, cavalleiros e o grosso dos burguezes pertenciam ao

primeiro, os homens de trabalho, em boa parte, ao segundo, os

mercadores, em grande numero, ao terceiro. E acima do Evangelho, e da

Toura, e do Alcorão, havia um livro que fazia o que nunca souberam fazer

os comentadores de cada um d'elles; um livro que os conciliava. Esse

livro era a lei. A lei protegia os diversos cultos nacionaes, sem que

todavia fosse incredula, como as leis da tolerancia moderna... Por

algumas d'estas leis, feitas na primeira metade do seculo XV, chegaram a

ficar sujeitos a graves penas aquelles que ousavam offender estes

desgraçados na unica herança que lhes restava, a religião de seus paes.

Todavia não se creia que os legisladores ou o povo eram tibios na fé.

Como religionario, o christão detestava, ou antes desprezava o mouro e o

judeu; como cidadão vivia e tratava com elle. Nas leis relativas a estas

duas raças reprobas, não ha uma só palavra que revele hesitação ou

indifferença religiosa; mas vê-se que á sua promulgação presidiu a

sabedoria. O fanatismo cego, bruto e feroz, veio-nos com as primeiras

luzes de uma falsa civilisação, nos fins do seculo XV, e progrediu com

ella por todo o seculo XVI. D'antes a raça christã tinha a

consciencia d'uma grande superioridade religiosa, e fazia-a valer na

legislação; mas não confundia a crueldade e a intolerancia com as

distincções que nascem da differença entre o superior e o inferior[49]».

Internando-se nos labyrinthos da historia, nem sempre teve porém a

alegria de contemplar suaves apparições bemfazejas, como essa de serena

magnimidade que viu na aldeia de Restello, povoada de gentes para as

quaes a adoração de Deus não era motivo de oppressão e odio entre os

homens, e onde se mostrasse, em qualquer templo da sua eleição, ou

erguesse um hymno a Christo ou o consagrasse ao propheta islamita,

seria invariavelmente protegida pela largueza dos corações, pela

severidade dos tribunaes e pelas armas dos magistrados da cidade. Por

vezes o assaltaram espectros terriveis, em logar de apparições

consoladoras; e, fiel ao seu apostolado, d'elles nos deu fidelissima

imagem, sem occultar o pavor que lhe infundiam nem a temerosa suspeita

de que desvairados impios tentassem restituir-lhes a vida para flagello

da humanidade.

D'este modo, na presença de espectros hediondos, filhos legitimos de

Satanaz, negação sacrilega de Deus, contou-nos Alexandre Herculano a

_Historia da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal_,

pamphleto, libello e homilia, extraordinario e unico de eloquencia, pelo

calor da enunciação, pela solidez dos fundamentos, pela magestade altiva

da construcção, pelo poder de dominio, por esse caracter augusto de

sentença emanada, não do juizo fallivel dum homem, mas da auctoridade

incontestavel da experiencia e legados das gerações. E, com aquella

sinceridade perfeita que usava em todos os actos da sua vida,

previamente confessou os motivos que o instigaram a facultar-nos essa

lição soberba.

«Confundindo as ideias de liberdade e progresso com as de licença e

desenfreiamento, o direito com a oppressão e a propriedade, filha

sacrosanta do trabalho, com a espoliação e o roubo; tomando, em summa,

por systema de reforma a dissolução social», certos homens e certas

escolas traziam aterrada a classe media. Esse erro «de muitas

intelligencias aliás eminentes e a quem, em parte, sobrava razão para

taxar de viciosas ou de incompletas muitas instituições dos paizes

livres, abria caminho e subministrava pretexto por toda a Europa a uma

reacção deploravel.» Era um acontecimento grave pelas consequencias

materiaes e sobretudo pelas suas consequencias moraes; era o

«espectaculo repugnante» da tyrannia, esmagando o governo representativo

aos pés dos batalhões de infanteria e dos esquadrões de cavallaria, e

demonstrando que os «exercitos permanentes, nascidos com o absolutismo e

só para elle, com elle deviam ter passado para o mundo das tradições.»

Mas a reacção moral que ia acompanhando a reacção material era mais

grave para os destinos da liberdade e da civilisação e para as crenças

dos seus fieis. Ouvia-se já o alarido da soldadesca embriagada:

applaudia-o o vulgo, que saúda sempre o vencedor; applaudiam-no velhos

interesses mortalmente feridos que agora se proclamavam alto «em nome do

direito, em gritos de furor e ameaça»; applaudia-o a hypocrisia que,

depois de minar debaixo da terra, surgia á luz do sol «balouçando o

thuribulo e incensando todos os que abusam da força, declarando-os

salvadores da religião, como se a religião precisasse de ser salva ou

coubesse no poder humano destruil-a». Renasciam os milagres em frente

dos quarteis; «o cercilho e o bigode jogavam o futuro sobre o tambor

posto em cima da ara».

Isso era grave, era atroz. Mas havia ainda cousa mais grave. Entre os

grupos que por quasi toda a Europa aclamavam as saturnaes da

reacção, havia um mais forte e mais perigoso, porque em muita parte era

senhor do poder politico. Era o «d'aquelles que deviam quanto eram e

quanto valiam aos triumphos da liberdade; que sem as lides dos comicios,

dos parlamentos, da imprensa; sem o chamamento de todas as

intelligencias á arena dos partidos; calcados por um funccionalismo

despotico, por uma nobreza orgulhosa, por um clero opulento e

corrompido, teriam fechado o horisonte das suas ambições em serem

mordomos ou causidicos de algum degenerado e rachytico descendente de

Bayard ou do Cid ou em vestirem a opa de meninos do côro de algum

pecunioso cabido.

«Estes taes que trocaram o aposento caiado pela sala esplendida, o nome

peão de seus paes pelos titulos nobiliarios, a sapato tauxiado e o trajo

modesto do vulgo pelos lemistes e setins cortezãos, cobertos d'avelorios

e lantejoulas, das condecorações com que o poder costuma marcar os seus

rebanhos de consciencias vendidas», esses «sentiam esvair-se-lhes a

cabeça com os tumultos eleitoraes, com as luctas da imprensa, com as

discussões tempestuosas», e, sem se atreverem a abjurar a nova ordem mas

atraiçoando-a, imaginavam desvario as necessarias e dolorosas

experiencias e aterrados, «renegando as ideias que propugnaram»,

tentavam salvar pela restauração d'um «absolutismo cachetico e

impotente» «as suas carruagens, mitras, bastões, veneras, rendas e

dignidades». Esse era o grupo «dos grandes miseraveis».

Ao pé d'este, estava ainda a burguezia, timida, a tremer dos terremotos

politicos, pela perturbação que traziam á sua avareza e ganancias.

Começava a vêr na liberdade espoliações, esquecida das que o absolutismo

creára, ferozmente protegia e de todo tinham trazido manietada nas

ambições economicas essa mesma burguezia que agora se afreimava pelo

grave risco dos seus haveres. Insensata e egoista, com o medo de perdas

hypotheticas no futuro, auxiliava a renovação das oppressões que no

passado a suffocavam.

«Felizmente, no meio das loucuras do terror, muitas almas fortes, muitas

cabeças intelligentes tinham sabido conservar frio o animo para não

abdicarem o senso commum» e não consentirem que espiritos vãos ou

«corações fementidos fizessem das nações materia bruta das suas

experiencias politicas ou preza das suas ambições desregradas», indo

«aspirar a vida no cemiterio dos seculos». Nós mesmos, «nação pequena e

que a historia desconsiderava ainda pela ideia que d'ella fazia»,

davamos n'esta parte mais de um exemplo de alta sabedoria a algumas das

maiores nações.

«Em certa esphera e até certo ponto, a reacção geral tinha

representantes entre nós. Cumpria combatel-a, não para convencer

aquelles que sempre amaram o passado e nunca negociaram com as suas

crenças, porque esses respeitava-os; mas para fortificar na fé liberal

os tibios do proprio campo e premunil-os contra as ciladas dos transfugas».

«Levado pelas suas propensões litterarias para os estudos historicos,

era, sobretudo, por esse lado que Alexandre Herculano julgava poder ser

util a uma causa, a que estava ligado, rememorando um dos factos e uma

das epocas mais celebres da historia patria; facto e epoca em que a

tyrannia, o fanatismo, a hypocrisia e a corrupção nos apparecem na sua

natural hediondez. Quando todos os dias lhe lançavam em rosto os

desvarios das modernas revoluções, os excessos do povo irritado, os

crimes de alguns fanaticos, e, se quizessem, de alguns hypocritas das

novas ideias, fosse-lhe licito chamar a juizo o passado, para vermos,

tambem, onde nos podiam levar outra vez as tendencias de reacção, e se

as opiniões ultramontanas e hypermonarchicas nos davam garantias de

ordem, de paz e de ventura, ainda abnegando dos foros de homens livres e

das doutrinas de tolerancia que o Evangelho nos aconselha e que Deus

gravou em nossa alma»[50].

A demonstração foi completa. Será difficil produzir mais persuasiva

accusação das demencias crueis do despotismo do que essa estampada para

sempre nas paginas da _Historia da Inquisição_. A irradiação do espectro

correspondeu ao ardor da fé que o evocou para o anathematisar.

Petrificados de terror ao vêl-o, não sabemos se nos fulmina a suspeita

de que elle renasça da treva para nos infligir o martyrio, se nos faz

cair prostrados a vergonha da prostituição da honra da especie, a

perversão humana que affrontou até a presença da cruz de Christo e a sua

imagem.

Alexandre Herculano(#30699) · 第 18 / 27 题