II

Combateu. Foi vencido. Em vez de palmas de triumpho, recebeu as penas do

exilio. Desterrado da «terra cara da patria», que saudou entre a dôr,

verteu lagrimas de «saudade longiqua sobre as ondas do mar irriquieto»,

chorando o

«Berço do seu nascer, sólo querido,

Onde cresceu e amou e foi ditoso,

Onde a luz, onde o céu riem tão meigos,

Seu pobre Portugal..................[1]

Proscripto e errante, entre as brumas do norte,

«.......................as auras puras,

O murmurar do arroio, o canto da ave,

O fremito do bosque, o grato aroma

E o vistoso matiz do ameno prado,

O lago quedo a reflectir a lua,

As montanhas tão ricas de mysterios,

De éccos, de sombras, de tristezas santas:»

isso tudo que eram encantos da sua terra, trazia-lh'o ante os olhos,

cruelmente, a memoria inexoravel[2].

«..................A dôr está no coração do profugo

Como um cadaver hirto quando espera

De noite, em leito nú, que á tumba o desçam.

A dôr aqui é gelida, immutavel;

Pousa em labios alheios que sorriem

E até em sorrir nosso; está sentada

Ao pé do umbral do tecto que nos cobre,

Embebida na enxerga do repouso,

Entranhada no pão que nos esmolam,

Enroscada qual cobra peçonhenta

No nodoso bordão do peregrino,

E em toda a parte e em todo o tempo é nossa.»[3]

Alexandre Herculano(#30699) · 第 7 / 27 题