Agora tá com força de prepará pra recebe principe de Inglaterra. Já

pedi com sium Carlito pra dá moda pra fazê ung-a cadera pra cartá

principe. Querê cadera que tem quatro pinga pra oito cule; mas como

vosso tio gostá muto de figurá, já lembrá de pedí pra convidá oito

comendador pra cartá aquelle bemaventurado principe, pra vosso tio

tamem pôde entrá na meu.

Nosso governador lôgo vae ficá na casa vasio de sium Lorenço pra dá

palacio pra principe.

Nosso juiz tá perto vae já pra Goa. Coitado de vêlo, já soffrê

ung-a molestia bem de grande que escapá morê. Agora tá andá côtê;

assim mesmo este um pôco de farizêo nunca perdoá de desesperá

aquelle pobre vêlo, que se nunca são cuidado de Padre Maximo, com

sua misinha cazera, já vae já pra otro mundo!

Já cavá lua de batê páu, mas lua de batê costa de china china inda

nompôde cavá, porisso que este um pôco desabrogunhado rabo de porco

cada vez tá mas atrevido.

Otro dia eu já assistí festa de Senhora Rozario. Sentí na greza

ung-a chêro bem desagradavel. Vem casa a note, tá contá com tio

João, elle então que dá conta, que já levantá um pôco alto parte

trazero de capela-môr; já fazê ali ung-a lugar pra botá imundicia.

Quando vem chua, tudo agu de aquelle porcaria porcaria, contaminá

pra pê de parede, vem pra dentro de capela-môr. Vôs inda lôgo ovi,

minha Chencha, que algum dia inda lôgo mudá tudo cavalo de policia

pra dentro de greza, pra tem mas cham pra fazê palacio grande

grande pra official. Agora já nunca contentá cada ung-a com dos

cela. Cada official querê sete cela, qui lai môdo pôde chegá?

Padre Rondina já livrá de ung-a desgraça qui lai de grande! Que

sabe qualo mapeçoso aquelle que já vae tirá de sua lugar ung-a

botle de enxarope, bota ung-a botle de verniz. Coitado de padre,

sem sabe de nada, virá muto socegado na sua botle pra copo de agu;

quando bebê primero pucado, então que sentí que são verniz! Nunçám

obra de maliçombrado! querê vernizá tripa de gente como vernizá

cadera, canapé?!

Vosso tio tá muto triste. Este anno já perdê quanto mil pataca com

laia laia de condenação de historia. Se o menos pôde tem agora

grande negocio de cule, tamem são bom; pôde chubi um pochinho de

aqui, um pochinho de ali, discontá o que já perdê. Jogo este anno

já nompôde tirá muto. Dispeza cada vez mas grande. Familia

augmentá. Divida nompôde cobrá; maior parte são gente grande grande

que tá devê. Assim mesmo, minha Querida Chencha, inda nompôde quexá

de falta que comê; perna de presunto que china china mandá de

presente, armado de ung-a ponta pra otro ponta de cusinha; mas

vosso tio nompôde comê ôtro cusa mas que pece fino, chilimeçô de

casa algum vez lamci di Cantão.

N'otro tempo pescaria são na agu salgado; agora são na agu doce.

Que sabe qualo bragero aquelle que já inventá que na Praia Grande

tem pescaria de pece pedra, aquelle rapaz de botica de Neves já cae

na calote de vae pescá anote fronte de sua botica. Pinchá linha cae

na sêco; em quanto tá safá linha, senti comedura; quando puça,

apanhá ung-a casta de susto qui laia de grande! era que são ung-a

cuzaçuso de rato, como ung-a letão, ganchado na anzol. Aquelle

tentação de animal principiá côrê pra tudo Praia Grande com linha

na boca, e pobre de rapaz a côrê traz de tal rato pra salvá sua

linha; de sorte que já fazê ri tudo aquelle gente na Praia Grande

com tal pescaria de pece pedra, que ramatá, largá sarangong.

Manjor Julio já tem quanto mez já de morto. Aquelle tolo de Boletim

parte que dá peza sua viuva, vae dá pra tudo sua amigo amigo. Que

sabe se na Éropa são costumado assim?

Tudo vez que eu sae na janella intopá com ung-a official de vapor

que casta de-chistoso, mas historero, sevandizio que más nompôde

ser. Tem ung-a nome que laia de galante; eu já nompôde lembra se

são Homecaco o Monocaco, mas são ung-a cusa assim de caco. Máu

genio, lingustero, intremetido, até querê intremetê com emprego de

sium Miguel Simões, e tá fazê conta já de intrá naquelle lugar. Pra

tudo gente são meçá chavoqueada, tirá dente, tira lingu; mas

medrozo como cachoro china.

Como já são hora de vem tudo parecero de jogo, eu já nompôde

escrevê mas novidade. Amestê olá fazê chá, tirá sucre, mandá fazê

torada, comprá manteguilha na botica de barbero.

Adeus, Minha Querida Chencha, Deus conservá saude pra vos e pro

vosso Abelardo, Eu, vosso tio, tia tia, tio João, tudo mandá muto

lembrança.

Vai ung-a botle de achar laia laia e ung-a flandi de bolo batê-pau

torado.

Vosso tia e amiga

_Pascoela._

9. Appendix:

O portuguez alterado como o fallam os negros e os estrangeiros que

possuem mal a lingua tem sido muitas vezes imitado, principalmente no

theatro e na litteratura de cordel. Apesar do interesse secundario

d'essas imitações damos, alguns specimens.

(_Indo Gonçalo seu caminho, apartando-se do Clerigo, topa hum Negro

grande ladrão, e entra cantando buscando hum mulato: e diz Gonçalo,

depois de cantar o Negro:_)

GONÇ. Dize, negro, es da côrte?

NEG. Qu'esso?

GONÇ. S'es da côrte?

NEG. Ja a mi forro, nam sa cativo.

Boso conhece Maracote?

Corregidor Tibão he,

Elle comprai mi primeiro;

Quando já paga a rinheiro,

Daita a mi fero na pé.

He masa tredora aquelle,

Aramá que te ero Maracote.

GONÇ. Mais tredor era o rascote

Que m'a mim furtou a lebre.

NEG. Qu'he quesso que te furtai?

GONÇ. H[~u]a lebre de meu pae,

De meu cunhado huns capões,

E marmelos e limões;

Abonda tudo lá vai.

NEG. Jesu, Jesu, Deoso consabrado!

Aramá tanta ladrão!

Jesu! Jesu! hum caralasão:

Furunando sá sapantado.

Jesu! cralasam.

Pato nosso santo paceto ranho tu e figo valente tu e cinco sego,

salva tera pão nosso quanto dão dá noves caro he debrite noses ja

libro nosso gallo. Amen Jeju, Jeju, Jeju.

Sa pantaro Furunando.

Dize, rogo-te, fallai:

Conhece tu que furtai?

Porque tu nam bruguntando?

GONÇ. Perguntarei por meu pae.

NEG. Cal-te: Deoso cima sai,

Que furtai ere oiai.

Deoso nunca vai dormi,

Sempre abre oio assi,

Tamanha tu sapantai.

Guarda mar esso mal,

E senhora Prito santo.

Nunca rirá homem branco

Furunando furta real.

Não sabe mi essa careira:

Para que? para comê?

Muto comê muto bebê

Turo turo sa canseira.

Vira mundo turo canseira:

Senhor grande, canseira;

Home prove, canseira;

Muiere fermoso, canseira;

Muiere feio, canseira;

Negro cativo, canseira;

Senhoro de negro, canseira;

Vai missa, canseira;

Prégação longo, canseira;

Crerigo nam tem muiere, canseira;

Crerigo tem muiere, canseira;

Grande canseira:

Firalgo sôlto, canseira;

Chovere muto, canseira;

Não póde chovere, canseira:

Muito filho, canseira;

Nunca pariro canseira;

Papa na Roma canseira;

Essa ratinho, canseira;

Não vamo paraiso, grande canseira;

Vira reza mundo turo turo he

Canseira.

Mi nam falla zombaria.

Pos para que furtai?

Que riabo sempreza!

Abre oio turo ria.

Mi busca mulato bai.

Ficar abora, ratinho.

GONÇ. Eu aguardo meu padrinho,

Que va comigo a meu pae.

Eu vou ao rio perem,

Porque hei sêde e beberei,

E sicais que nadarei

Emquanto o clerigo vem.

Leixarei o chapeirão

Mettido nesta mouteira,

E o cinto e esmoleira,

Porque lá logo o verão,

Não me aqueça outra tal feira.

(_Espreita o negro como Gonçalo esconde o chapeirão e o al, e tanto

que se vai entra dizendo:_)

NEG. A mi abre oio e ve

Ratinho tira besiro:

Ere dexa aqui condiro:

Não sei onde elle mettê.

Senhora Santo Francico,

Santa Antonia, San Furunando!

Pois mi ha d'andar buscando,

E levare elle na bico

O servo Santa Maria.

Sabe a regina Matho misercoroda nutra d'hum cego savel até que

vamos. A oxulo filho d'egoa alto soso peamos ja mentes ja frentes

vinagre qu'elle quebrárão em balde ja ergo a quante nossa ha ilhos

tue busca cordas oculos nosso convento e geju com muito fruta

ventre tu ja tremes ja pias. Seuro santa Maria dinhero me lá darão

he ve esa carta da me mucho que furte cantara Furunando.

(_Acabada assim esta_ salve regina, _acha o Negro o que Gonçalo

leixou escondido, e diz:_)

Ei-lo aqui sa! Deoso graça.

Graça Deoso esse he capote;

Nunca dexa aqui palote:

Ratinho, quem te forcasse!

Aramá que te ero villão!

Que palote saba sam,

Barete também bo era.

Mi cansai e á deradera

A mior fica sua mão.

Vejamos bolsa que tem:

Hum pente para que bo?

Tres ceitil sa qui so:

Ratinho nunca bitem.

O riabo ladarão!

Corpo re reos consabrado!

Essa villão murgurado

Sa masa prove que cão.

Quando bolsa mi achase

Fernão d'Alvaro, esse si;

Nunca pente sa alli.

Ah reos! quem te furtasse

Bolsa, Nuna Ribeiro!

Home bai busca rinheiro:

A toro ere rise:

Ja rinheiro feito he.

Aramá que tu ero gaiteiro!

Fernão d'Alvaro m'acontenta;

Elle nunca risse nam.

Logo chama ca crivam,

--Crivaninhae esormenta;

Toma rinheiro, vas embora.

Boso, home de bem, que buscae?

--Mi da cureiro agarba sae.

--Boso que buscai corte agora?

--Buscae a Rei jam João,

Paga minha casaramento.

--Dá ca, moso, trae esormento;

Crivaninhae boso, crivão:

Home, tomae hum dos quatro sete:

Vas embora turo turo.

Sua rinheiro sa segura,

Mioro que elle promete.

Marco Estevez moladeiro.

Elle rise: Santa Maria!

Rinheiro boso queria?

Bai bai dormir paieiro.--

Boso que pedir, muieiro?

--Tanta filho mi tem qui...

--Quem manda boso pari,

Boso grande parideiro?

--Boso seria muito bô:

Vaca ne Francico paia;

Tenha seis filho e mi so

Nam temo comere ni migaia.

Elle rise:

Que culpo tem a Rei jam João

Boso parir como porco,

Bai buscai sua pae torto,

Que dai a sua fio pão.

Velha, que boso querê?

--Molla, que a mi pobre sai.

Elle rise:

Porque boso nan guardai

Rinheiro que boso bebê?--

Jesu! Jesu! moladeiro

Sa riabo aquella home:

Quando a mi more da fome

Nunca buscai sua rinheiro,

Porém graça a Reos, a mi

Nunca minga que furtá;

Pouco ca, pouco relá,

Pouco requi, pouco reli,

Grão e grão gallo fartá,

Quem furta, home sesuro:

E louvar a Reos com turo

E senhoro Prito Santo.

A mi bai furta emtanto

Camisa que sá na muro.

Gil Vicente, O Clerigo da Beira.

_O preto, e o bugio ambos no mato discorrendo sobre a arte de ter

dinheiro sem ir ao Brazil._ Lisboa. Na officina patriarchal de Francisco

Luiz Ameno 1789. 4.^o 21 pp.--Excerpto:

«Já non pore deixá de incricá os cabeça, e confessá, que vozo

doutrina sá huns doutrina tão craro, e verdadeiro, que pla mim sá

huns admiraçom non sé platicada per toro o mundo. O trabaio a que

vozo obliga os pleto, e os blanco; sá huns trabaio a que ninguem se

pore negá sem melecé huns cóssa bom; porque os genia, e os

incrinaçom do natureza a toro gente move pala ere, e fóla de

trabaio ninguem pore vivé em satisfaçom. Mim agola sem trabaiá nom

pore conté, ainda que mim ter abominaçon a captiveiro cruere de

blanco, de que sá forro; com turo non aglada a mim estar aqui sem

nada fazé: evita vozo tanta plegiça, os excessa de plodigo, e dos

varento, que nozo poderemo toro assi havé os oira, e triunfá dos

indigencia; e de turo quanto pore infelicitá. Se aqui apalecera

agola uns blanco, que pole escrevé os mavioso doutrina, que vozo

platicá, e toro o gente ouvire cos oreia aberto, faria ere ao

familia toro do mundo hum favoro, que meoro non pore imaginá.» p.

21.

II. DIALECTOS HESPANHOES

1. Creolo de Curaçáo

Esta ilha, cujo nome é lembrado por um licor bem conhecido, que d'ella

tomou o seu, é uma das tres ilhas denominadas de «sotavento»; está

situada em frente da costa de Venezuela entre a lat. 12° 3' e 12° 24' e

long. 68° 47' e 69° 16' Gr.

Com as outras ilhas do grupo pertenceu á Hespanha depois de seu

desenvolvimento até 1648 em que a Hollanda ficou de posse d'ella, e

conservando-a até hoje, apenas com uma interrupção produzida pelo

dominio de Inglaterra de 1807 até 1815. A primitiva colonisação

hespanhola foi muito limitada. Hoje a população da ilha sobe a mais de

15:000 habitantes, de que apenas cêrca de um quinto são brancos. A

população negra parece ter passado para lá em grande parte das colonias

hespanholas; o dialecto creolo que ella falla tem por base o hespanhol e

contém alguns elementos lexiologicos ministrados pelo hollandez. O sign.

E. Teza consagrou a esse dialecto um artigo no _Politecnico_, vol. XXI,

p. 342-352, tendo por base de investigação o livro: _Catecismo pa uso di

catolicanan di Curaçao. Cathecismus ten gebruike der katholyken van

Curaçao door Martinus Joannes Niewindt, bissehop van Cytrum, karmerheer

van Z. H. en apostolisch vicarius van Curaçao. Gedrukt te Curaçao ter

drukkery van zyne doorluchtige hoogwardigheid_. Segundo o illustre

professor italiano esse catechismo não foi impresso muito antes de 1845.

_The Bible of Every Land_, p. 270, dá-nos a seguinte noticia: «Uma

traducção de parte do Novo Testamento n'esta lingua foi feita pelo rev.

Mr. Conradi; e uma pequena edição do evangelho de S. Matheus foi

impressa em 1846, a expensas da Sociedade biblica neerlandeza». O sign.

Teza não soube da existencia d'essa traducção, de que a obra ingleza

citada nos dá um specimen em orthographia hollandeza, que vamos

reproduzir enterlinhando-o com as palavras hespanholas correspondentes,

tanto quanto conseguimos determinal-as.

*S. Matheus, cap. V v. t. 12*

1. _Anto ora koe Hezoes a mira toer e heende nan eel a soebi_

Entonces hora que Jeus ha mirar todo el hombre--el a subir

_o en seroe; deespues eel a sienta i soe desipel nan a bini_

a un sierra; despues el a sentado y su discipulo--ha venido

_seka dje._

cerca del.

2. _I eel a koemisa di papia i di sienja nan di ees manera._

Y el ha comenzar de papiar y de enseñar -- de esta manera.

3. _Bieenabeentoera ta e pober nan na spiritoe, pasoba reina_

Bienaventurado está el pobre -- spíritu, por-este-obra reino

_di Dioos ta di nan._

de Dios está de--

4. _Bieenabeentoera ta ees nan, koe ta jora pasoba lo_

Bienaventurado está este --, que está llorar, por-este-obra--

_nan bira konsolaa._

-- consolado.

5. _Bieenabeentoera pasifiko nan, pasoba lo nan erf tera._

Bienaventurado pacifico --, por-este-obra -- -- tierra.

6. _Bieenabeentoera ees nan, koe tien hamber i sedoe di hoestisij,_

Bienaventurado este --, que tiene hambre y sed de justicia,

_passoba lo nan no tiene hamber i sedoe mas._

por-este-obra -- -- no tiene hambre y sed mas.

7. _Bieenabeentoera ees nan, koe tien mizerikoordia, pasoba_

Bienaventurado este --, que tiene misericordia, por-este-obra

_lo heende tien mizerikoordia koe nan,_

-- hombre tiene misericordia con --

8. _Bieenabeentoera ees nan, koe ta liempi di koerasoon, pasoba_

Bienaventurado este -- que está limpio di coraçon, por-este-obra

_lo nan mira Dios._

-- -- mira Dios,

9. _Bieenabeentoera ees nan, koe ta perkoera paas, pasoba_

Bienaventurado este --, que está procurar paz, por-este-obra

_lo nan ta jama joe di Dioos._

-- -- está llamado hijo de Dios.

10. _Bieenabeentoera ees nan, koe ta persigido pa motiboe di_

Bienaventurado este --, que está persiguido por motivo de

_hoestisji, pasoba reina di Dioos ta di nan._

justicia, por-este-obra reino de Dios está de --.

11. _Bosonam lo ta bieenabeentoerado koe ta koos nan zoendra_

Vosotro-_nan_ -- está bienaventurado que está -- -- --

_i persigi bosonan, i koe ta koos pa mi kausa nan ganja_

y persiguido vosotro-_nan_, y que está -- por mi causa -- gañar

_toer soorto di maloe ariba bosonan._

todo suerte de malo arriba vosotro-_nan_.

12. _Legra bosonan i salta di legria, pasoba bosonan_

Alegrar vosotro-_nan_ y saltar de alegria por-este-obra

vosotro-_nan_

_rekompeensa ta grandi deen di Ciëloe; pasoba nan a persigi_

recompensa está grande dentro de Cielo; por-este-obra -- ha

perseguido

_di ees manera e profeet nan, koe tabata promee koe bosonan._

de este manera el profeta --, que estaba primero que vosotro-_nan_.

Para auxiliar a comprehensão d'esse excerpto damos a versão hespanhola

dos doze versiculos de S. Matheus.

1. Mas viendo Jesus este gentío, se subio á un monte, donde habiéndose

sentado, se le acercaron sus discípulos;

2. Y abriendo su boca, los adoctrinaba diciendo:

3. Bienaventurados los pobres de espíritu, porque de ellos es el reino

de los cielos.

4. Bienaventurados los que lloran, porque ellos serán consolados.

5. Bienaventurados los mansos, porque elles poseerán la tierra.

6. Bienaventurados los que tienen hambre y sed de justicia, porque ellos

serán saciados.

7. Bienaventurados los misericordiosos, porque ellos alcanzarán

misericordia.

8. Bienaventurados los limpios de corazon, porque ellos verán á Dios.

9. Bienaventurados los pacificadores, porque ellos serán llamados hijos

de Dios.

10. Bienaventurados los que padecen persecucion por la justicia, porque

de ellos es el reino de los cielos.

11. Bienaventurados sereis cuando los hombres per mi causa os

maldijeren, y os persiguieren; y dijeren con mentira toda suerte de mal

contra vosotros.

12. Alegráos y regocijáos, porque es muy grande vuestra recompensa en

los cielos: del mismo modo persiguieron á los profetas que ha habido

antes de vosotros.

Como se vê, n'este dialecto não ha nenhuma distincção formal de genero

nem de numero: a pluralidade exprime-se pela adjuncção de _nan_, que é o

pronome da terceira pessoa plural: _ees nan_, estes ou aquelles;

_pober_, pobre; _pober nan_, pobres. Quando um substantivo é precedido

de adjectivos só se segue o signal do plural depois do substantivo:

_toer el heende nan_, todos os (aquelles) homens. O presente é

geralmente expresso pela fórma _ta_ (==está) e o infinito, tendo todos

os infinitos perdido o _r_ final.

O futuro é expresso por _lo_ (==luego?).

2. Hespanhol fallado nos campos de Buenos-Ayres e Montevideu

M. Maspero publicou em _Mémoires de la Société de Linguistigue de

Paris_, t. II, p. 51-65 (Paris, 1875), um artigo sobre as alterações

experimentadas pelo hespanhol no Rio da Prata. Essas alterações são

sufficientes para lhe dar uma feição dialectal assás bem caracterisada;

mas são muito differentes das que determinam os dialectos creolos, como

o de Curaçáo, etc.; são principalmente lexiologicas e phoneticas. A vida

nova dos europeus n'essas regiões deu principalmente logar á creação de

palavras novas do velho fundo do idioma nacional e á introducção de

termos das linguas indigenas, por exemplo, de _pié_ fez-se _pialar_,

pear um cavallo, de _manco mancarron_, um cavallo máo, que não serve

para nada. Alguns dos termos das linguas indigenas adoptados

encontram-se tambem no portuguez do Brazil e parte vieram até ás linguas

europêas, como _jacaré_, _yacaré_ (termo guarani). As alterações

phoneticas encontram-se sobretudo na linguagem do camponio oriental ou

_Porteño_.

III. DIALECTOS FRANCESES

1. Creolo da ilha Mauricio

A este dialecto pertencem algumas poesias da collecção intitulada: _Les

essais d'un bobre africain_, seconde édition, augmentée de près du

double, et dédiée à madame Borel jeune, par F. Chrestien. Ile Maurice,

G. Deroullede et C^{ie}, 1831, pet. in-4. Achámos a indicação d'esta

obra no catalogo da bibliotheca de Burgaud des Marets e n'um artigo de

M. P. Meyer: _Revue critique_, 1872, artigo 50. A ilha Mauricio, depois

do dominio do portuguez e hollandez (1598-1715) esteve em poder dos

francezes de 1715 a 1810, em que se tornou possessão ingleza.

O dr. A. Bos publicou na _Romania_ muito recentemente (vol. IX, p.

571-578) uma nota sobre o dialecto creolo d'essa ilha, a qual pudémos

ler ainda á ultima hora. Resumimos o seu conteúdo.

«Esse creolo, diz o auctor, formado para o uso commum, laço de

communicação entre as differentes raças que habitam a ilha, é muito

desprezado; não se escreve e não é empregado pelos brancos senão para se

fazerem comprehender dos seus creados de côr. O plantador de Mauricio

não falla creolo senão a seus servos ou trabalhadores, negros ou indios,

e ainda a seus cães de caça, repellindo para longe de si a idéa que esse

_patois_ informe possa jamais converter-se n'uma lingua. E, todavia, o

creolo de Mauricio, como diremos mais abaixo, cresce e prospera de dia

em dia; encaminha-se para a fortuna de uma lingua.»

Com relação á phonetica notaremos o seguinte:

1. O accento tonico não se desloca.

2. Ha alongamento frequente de _a_: _[-a]-ccent_, _p[-a]-rent_. Esse

alongamento é de lei quando ha quéda de consoante: _p[-a]-ti==partir_

(alongamento por compensação).

3. _E_ medial atono muda-se em _i_: _vini_ (venir) ou cae; _e_ final

atono cae sempre.

4. _Ui_ muda-se em _i_; _oi_ ás vezes em _o_.

5. _Ch_, _g_ (e, i), _j_ mudam-se respectivamente em _ç_, _z_.

6. _R_ final cae sempre, até nas ligações como _tre_, _bre_; p. ex.

_cambe==chambre_. _R_ medial entre vogal e consoante cae igualmente:

_Zoze==Georges_.

7. _X_ é pronunciado como _s_ (ç): _éçélan==excellent_.

Com relação ás fórmas eis o mais interessante:

1. Não ha distincção de generos: permanecendo a fórma masculina para o

masculino e feminino, _mon fame_, _ton lakaze_, ma femme, ta maison.

2. A distincção do numero tende igualmente a desapparecer. Os pronomes

pessoaes que são palavras differentes para o singular e plural

conservam-se: _moa_, eu; _nou_, nós; _toa_, tu; _vou_, vós.

3. A suppressão do artigo é quasi completa. Como no dialecto da Trinidad

o artigo e ainda a preposição partitiva coalescem com varias palavras:

_lacaze_, casa (maison); _dilo_, _dipin_, _divin_ (_de l'eau_, _du

pain_, _du vin_). Como no dialecto da Trinidad se diz _zoreis_==oreilles

(o _s_ é o resto do artigo _les_), assim n'este temos, p. ex,: _zozo_,

oiseaux. O _z_ apparece tambem no singular: _ène zozo_, un oiseau, _li

zozo_, les oiseaux.

4. Pronomes: _moi_, _toa_, _li_ (lui); _nous_, _vous_, _li_. Os pronomes

sujeitos do singular _je_, _tu_, _il_ do francez desappareceram pois; o

pronome da terceira pessoa do plural é identico ao do singular.

5. Uma unica fórma verbal--o infinito, é empregada no creolo da ilha

Mauricio. O passado é expresso pelo infinito do verbo principal com o

infinito auxiliar _fini_: _moi fini travaïé_, j'ai travaillé; _mon fini

broçe chambre_, j'ai fait (_brosser_) la chambre. Para a expressão do

futuro empregam-se com o infinito diversas locuções adverbiaes. Para

alguns verbos, segundo o dr. Bos, essa fórma unica que substitue todas

as outras não saíu do infinito, mas sim do presente: _koné_==connais,

connaît; _voulé_==voulez. A explicação verdadeira d'essas fórmas está

n'outro principio que o artigo que analysâmos nos ministra. Os infinitos

em _oir_ e _re_ foram substituidos por infinitos analogicos pelos typos

em _e_ (_er_) e _i_ (_ir_); assim _éteindre_ por _éteignir_, _tezi_ por

_taire_. Estas fórmas assentam sobre as do plural _éteignons_,

_éteignez_, _éteignent_, _taisons_, _taiser_, _taisent_, ou antes sobre

os substractos _éteign-_, _tais-_ com a desinencia do infinito _i_. O

dr. Bos, tendo primeiro explicado _voulé_ por _voulez_, apresenta-o

depois como exemplo d'este processo.

6. O verbo _avoir_ foi substituido por _gagner_ (como na Luisiana).

7. Não se usam conjuncções; as proposições são raras. A construcção

approxima-se do typo chinez: _moa kosé vou alé baza_, je vous dis

(cause) d'aller au marché (bazar); _toa guété çival pa pati_, tu

regarderas (guetter) á ce que le cheval ne parte pas; _mamzèle kosé kóme

ça mamzèle pa vini mamzèle faï_, mademoiselle m'envoie vous dire

précisément qu'elle ne peut pas venir, parce qu'elle est malade; _vou

kontan moa alé promené_, êtes-vous satisfait, aimez-vous que j'aille me

promener?

Com relação ao vocabulario diz-nos o nosso auctor: «O creolo apenas

conservou do francez poucas palavras, as palavras que bastam para

exprimir as primeiras necessidades da vida, as relações mais ordinarias.

Evidentemente seria difficil e mesmo impossivel tratar um assumpto de

philosophia em creolo; o mesmo succedeu provavelmente com o francez nos

seus primeiros começos. A essas poucas palavras francezas que formam

quasi em totalidade o seu vocabulario, o creolo ajuntou algumas

recebidas dos paizes vizinhos: _baza_, mercado, _salam_, bons dias;

_tiffin_ (pronuncia-se _toffin_), o paladar, d'onde _tiffiner_, provar,

palavras que pela maior parte se acham no francez em uso em Mauricio.»

Os dialectos romanicos ou neo-latinos na África, Ásia e América · 第 4 / 7 段