estabelecermos um viveiro porque as plantas encontrando concentrados em
um pequeno cubo de terra os alimentos de que carecem não criariam um bom
raizame e sofreriam depois muito ao serem plantadas definitivamente
porque na morada definitiva não encontrariam terreno em eguaes condições.
Convém antes um terreno sufficientemente rico para que as plantas n'elle
possam adquirir grande vigor, mas que a sua riqueza não seja tão grande
que possa offerecer aquelle inconveniente. Assim se provoca um grande
desenvolvimento na planta e ella ao ir para o terreno definitivo
resistirá melhor ás peores condições que este lhe offereça.
Antonio Aloi prefere que o terreno para o viveiro seja mais pobre que
aquelle onde depois se plantarão as novas arvores n'elle creadas. A
proposito diz este auctor que:
_Un indivíduo assuefalto a vivere n'ell opulenza, passerebbe molamente í
soi giorni se fosse condannato a nutrirsi nel parco desco dei contadino;
e vice-versa, il contadino la passerebbe bene e diverrebbe grasso si se
facesse sedere tutti i giorni alla lauta mensa dei ricco._
Estas palavras do mestre italiano teriam razão de ser se o terreno
que destinassemos á plantação definitiva estivesse nas mesmas condições
climatericas em que está o terreno que escolhemos para viveiro. E não só
divergem as condições climatericas do terreno do olival para o terreno
do viveiro: para o viveiro escolhem-se sempre os terrenos nas melhores
condições physicas para a vida das plantas, submettem-se a trabalhos de
limpeza, mobilisação, regas e estrumações a que não serão nunca
submettidos com a mesma intensidade e com a mesma perfeição os terrenos
destinados ao olival definitivo.
Por isso, a oliveira transplantada vae encontrar peores condições
physicas e climatericas do que aquellas a que até ahi tinha estado
submettida; e, quanto a mim, parece-me que só a robustez da planta será
garantia do seu desenvolvimento na sua ultima morada.
Os terrenos destinados aos olivaes devem ser aquelles em que é pouco
remuneradora a cultura cerealifera.
São portanto terrenos pobres; e não me parece que, n'um viveiro
estabelecido em terreno ainda mais pobre, as pequenas plantas se possam
desenvolver convenientemente. Hão de ser, por força, enfezadas e
rachiticas desde a sua infância e incertamente resistiriam ás peores
condições do terreno, embora mais rico, que lhes é destinado.
E poder-se-ha tambem dizer que, um individuo mal alimentado na sua
infancia soffreria muito mais ao mudar para um mau clima, do que outro
que, desde creança tambem, tenha sido submettido a uma boa alimentação,
precursora de uma boa robustez physica.
O terreno em boas condições para viveiro será aquelle em que,
n'um cubo de terra rasoavel, a planta encontre elementos bastantes
para lhe fornecerem uma boa alimentação, e que tenha compacidade
sufficiente para bem sustentar a planta e para lhe permittir um facil
desenvolvimento de raizes. Satisfazem a estas condições os terrenos
argillo-silico-humiferos de mediana riqueza.
Escolhido o terreno, surriba-se a uma profundidade não inferior a 0m,50,
no principio do inverno, servindo-nos, para esse fim, da pá ou da
enxada. Convem que, durante a execução d'esta operação, haja sempre o
cuidado de inverter a disposição das camadas de terra.
No fundo das vallas, é de grande conveniencia lançar-se ramos de arvores
que desempenharão o papel de uma drainagem.
Depois d'esta surriba, a terra ficará exposta á influencia benefica dos
agentes atmosphericos até Março, epocha em que se pratica uma segunda
lavoura, d'esta vez apenas com a profundidade de 0m,40 a 0m,45.
Aplaina-se em seguida a terra, que ficará apta para receber a plantação
dos individuos provenientes do alfobre, assim como a plantação das
estacas, enraizadas ou não, raizes, polas, etc.
Plantação nos viveiros
Quer os individuos a plantar venham já enraizados do alfobre ou do
viveiro preliminar, ou venham ainda enraizar n'estes viveiros, deve
sempre a sua plantação ser feita methodicamente.
As disposições methodicas adoptadas tanto para os viveiros como para a
plantação definitiva, são: em quadrado, em linhas e em quinconcio.
De todas, a melhor e por isso a mais recommendada e seguida é a ultima.
N'esta disposição conservam todas as plantas a mesma distancia entre si,
tendo assim, todas, a mesma extensão de terra á sua disposição.
Tem ainda a vantagem de as plantas se defenderem mutuamente da acção dos
ventos.
É relativamente facil fazer sobre o terreno uma marcação em quinconcio.
[Ilustração: Diagrama]
Para isso traça-se sobre o terreno a linha AB e prependicularmente a
esta as linhas AK e BL; em seguida, com uma sirga que tenha um compasso
egual ao que queremos dar á plantação, que n'este caso será de 0m,80,
marcam-se os pontos a _a' a''_...; feito isto, constroe-se o triangulo
isosceles _a b a'_, o que é facil: basta descrever dois arcos de circulo
com um dos compassos da corda, fixando-lhe uma das extremidades, uma vez
em _a_ e outra em _a'_. Estes dois arcos cruzar-se-hão em _b_, vertice
do triangulo: mede-se em seguida a distancia de _b_ ao meio _c_ da linha
_a a'_; esta distancia que é a altura do triangulo, applica-se sobre as
linhas AK e BL tantas vezes quantas for possivel, o que se faz muito
facilmente arranjando uma sirga com aquelle compasso.
Determinaremos assim os pontos C, E, G... na linha AK e os pontos
correspondentes D, T, H... na linha BL.
Levanta-se em seguida a sirga da posição AB e colloca-se em CD, de
maneira que em C assente o meio _c_ do compasso _a a'_, e assim teremos
uma segunda linha para a plantação. Colloca-se depois a sirga em EF, na
mesma posição que estava em AB, e teremos a terceira linha; em seguida
transporta-se a sirga para GH, collocando-a na posição em que se
collocou em CD; assim se vão successivamente traçando as linhas de
plantação pelos pontos marcados nas linhas AK e BL, tendo sempre o
cuidado de collocar a sirga alternadamente nas posições em que se
collocou em AB e em CD.
Ficará assim marcada uma rigorosa plantação hexagonal.
Marcados, d'esta ou d'outra maneira, os pontos correspondentes a cada
individuo, procede-se então á plantação.
Para as estacas simples abre-se um buraco no terreno com um furador,
mettendo ahi a estaca com a sua parte mais grossa para baixo, tendo o
cuidado de lhe deixar fóra da terra os ultimos 2 ou 3 olhos.
Uma vez collocada a estaca no seu logar, aconchega-se-lhe bem a terra,
desfazendo bem as paredes do buraco em que foram enterradas. Sem esta
precaução ha todas as probabilidades de a estaca não pegar.
Para as exostoses escavam-se á enxada pequenas covas com a profundidade
de 0m,30 onde serão collocados estes seres. Antonio Aloi aconselha que
antes de os enterrar se mergulhem em agua que tenha em solução bosta de
boi, se envolvam depois em terra fina para em seguida se collocarem nos
covachos. Ao dispôr estes seres nas covas deve haver sempre o cuidado de
os deixar com a gemma voltada para cima e um pouco inclinada para o sul.
Cobrem-se depois com terriço acabando de encher a cova com cinza de
barrella, que tendo a propriedade de manter fôfo o terreno, dá facil
sahida aos rebentos. Estes apparecem á superfície ao cabo de 30 a 40 dias.
Muitas vezes o calor em seguida á chuva faz endurecer a camada de cinza
e este endurecimento impede os rebentos de sahirem da terra. Então com
uma espatula de madeira, se removerá cuidadosamente a crosta
endurecida, nos sitios em que se fizeram as plantações, que nos serão
indicados por uma cana ou pequeno pau ahi enterrado na occasião da
plantação.
Muitos rebentos podem nascer d'um mesmo individuo, dos quaes uma parte
vem á superficie da terra e outros, devido a qualquer obstaculo que
encontram no terreno, dirigem-se, tortuosamente em diversas direcções
debaixo da terra. Convem então afastar a terra e com a unha, extrahir
todos esses rebentos á excepção de dois, tendo o cuidado de, ao executar
esta operação, não deslocar do seu logar o ser que lhes dá origem. Dos
dois rebentos poupados por esta operação, um d'elles, o mais fraco, é
mais tarde destruido.
Deve haver sempre muita vigilancia no viveiro para ir destruindo todos
os rebentos que forem apparecendo depois d'esta primeira operação.
Para os individuos já enraizados necessario se torna prodigalizar-lhes
outra especie de cuidados para os não prejudicarmos com a mudança. Estes
cuidados devem principiar logo no acto do arranque no alfobre ou no
viveiro preliminar.
Usa-se da enxada ou da pá para procedermos a esta operação mas com todos
os cuidados possiveis para lhes não prejudicarmos as raizes. Se alguma
ou algumas raizes forem dilaceradas devem-se cortar acima do ponto
ferido para evitar que a sua putrefacção acarrete á planta algum
soffrimento. Arrancadas as plantas trazem-se para o viveiro e ahi serão
plantadas nos sitios marcados.
Para esse fim abrem-se pequenas covas, no fundo das quaes se lança bom
terriço, e sobre este se collocam as plantas; distribuem-se-lhes bem as
raizes para não ficarem acavalladas n'uns sitios e rareadas n'outros;
cobrem-se depois, primeiro, com bom terriço e depois com a mesma terra
que sahiu da cova. Fixam-se bem a um tutor, para que os ventos as não
desloquem ou quebrem, e assim se deixam até que principiem a
desenvolver-se para então se lhes prodigalizarem os cuidados de educação
que necessitam.
B--Trabalhos nos viveiros
Enxertia
Carecem d'esta operação não só as oliveiras provenientes de semente mas
ainda aquellas que tiveram como origem qualquer fragmento extrahido
abaixo do ponto em que foi enxertada a planta mãe.
Todas as especies de enxertia se podem empregar na oliveira mas as mais
usadas são a de escudo e algumas vezes a de flauta, para oliveiras novas
e a de coroa para troncos grossos.
Para se operar um enxerto de escudo principia-se por fazer na casca do
ramo ou oliveira delgada que queremos enxertar uma incisão em forma de T
afastando-a depois com a espatula da enxertadeira de modo a separal-a do
alburno. Em seguida tira-se do ramo da oliveira que queremos propagar um
bocado de casca munido de uma borbulha e dá-se-lhe a forma de um escudo.
Introduz-se em seguida este escudo na fenda, de modo que esta fique bem
cheia. Liga-se em seguida a fim de nos assegurarmos bem do perfeito
contacto do garfo com o alburno e casca do cavallo.
Logo que nos asseguremos do bom resultado da enxertia corta-se o ramo a
3 ou 4 centimetros acima do enxerto.
Esta enxertia pode fazer-se na primavera ou no outomno tomando
respectivamente os nomes de enxertia de _olho vivo_ e _olho dormente_.
A enxertia de flauta, que não é tão usada como a primeira, exige que
tanto o garfo como o cavallo tenham a mesma grossura. Consiste em tirar
de um ramo delgado um annel de casca munido de um ou dois olhos e
collocal-o no ramo a enxertar a que previamente se tenha tirado um annel
igual de casca e liga-se bem com um fio de lã ou com uma fita de casca
de arvore.
Uma outra enxertia, muito usada, é a de fenda cheia. Esta exige tambem
que o cavallo e o garfo tenham perfeitamente a mesma grossura.
Corta-se o cavallo horisontalmente á altura a que queremos fazer o
enxerto e fende-se verticalmente no sentido do seu diametro; em seguida
prepara-se o garfo em forma de cunha e introduz-se na fenda de modo que
as cascas do cavallo e do garfo coincidam perfeitamente; liga-se bem com
raphia e n'estas condições estará o enxerto apto para pegar.
Alem d'estes enxertos fazem-se ainda os de fenda simples e fenda dupla,
que differem do precedente em os dois elementos não serem da mesma
grossura.
Para a fenda simples bastará abrir a fenda vertical simplesmente no
sentido de um raio do cavallo e ahi se introduz o garfo em forma de cunha.
Para o enxerto de fenda dupla abre-se a fenda no sentido do diametro do
cavallo e introduzem-se-lhe dois garfos nos extremos d'esses diametros.
Nos enxertos de fenda quer ella seja cheia, dupla ou simples applica-se
sempre, logo em seguida á sua execução, um inducto qualquer que o
preserve de estar exposto ao tempo. Costuma empregar-se muito o unguento
de S. Fiacre pela simplicidade da sua preparação. Prepara-se misturando
intimamente 65,5 partes de argilla com 33,5 partes de excremento de boi.
São estes os systemas de enxertia mais usados: a sua execução acha-se
descripta em muitos trabalhos de arboricultura e muitissimas revistas
agricolas dispensando-me, por isso de, sobre este assumpto, fazer mais
largas referencias.
Cuidados a ter com os viveiros
Depois de feita a plantação carecem os viveiros de cuidados que
incidirão, não só sobre o terreno mas tambem sobre as arvoresinhas que
n'elle se vão desenvolvendo.
Os primeiros consistem em sachas com o fim de manter o terreno sempre
bem mobilisado, de o conservar sempre limpo de plantas estranhas que ahi
se desenvolveriam e para evitar as fortes evaporações no verão, as quaes
dissecaram rapidamente o terreno.
As regas, não muito abundantes, são indispensaveis ao terreno para se
garantir n'elle um certo grao de frescura que tão propicio é ao
enraizamento dos novos individuos.
Logo que as plantas adquiram um desenvolvimento de 0m,20 a 0m,30
deve tambem para ellas voltar-se a attenção do viveirista.
Nesta altura começar-se-ha por se lhes supprimir todos os raminhos
lateraes tendo o cuidado de se lhes não arrancar as folhas em cuja
axilla elles se desenvolvem.
D'esta maneira a seiva da planta dirigir-se-ha directamente para a parte
superior da planta, gastando-se em lhe augmentar o seu crescimento em
altura.
Militam em favor d'esta opinião as experiencias de Ghiotte que
demonstram que as arvores assim tratadas adquirem maior desenvolvimento,
alem de crescerem direitas e com tronco lizo, o que lhes não acontece se
lhes não amputarmos os seus raminhos lateraes.
Deixando-lhes estes ramos, elles engrossam e crescem com prejuizo do
alongamento da planta e, ao serem mais tarde cortadas, produzem nas
arvores feridas perigosas. O soffrimento d'estas plantas proveniente do
corte d'estes raminhos é em grande parte attenuado se lhes deixarmos as
folhas jacentes na base d'esses raminhos.
Nas plantas provenientes de estacas desenvolvem-se muitos rebentos que
convem deixar durante os dois primeiros annos para provocar n'ellas a
formação de muitas raizes. Mais tarde cortam-se todos, á excepção d'um
que deverá ser o mais forte e o mais proximo do sólo, o qual se
sujeitará ao tutor que a conserve na posição vertical.
Nos tres annos seguintes os trabalhos dirigir-se-hão no intuito de se
favorecer o mais possivel o crescimento das arvores.
Qualquer ramificação muito vigorosa, que appareça, deve ser quebrada
para evitar o empobrecimento da arvore.
Ao fim do 5.º ou 6.º anno estão as plantas em condições de se lhes poder
formar a copa.
Para determinarmos a altura a que a devemos formar teremos que entrar em
consideração com a natureza do terreno, clima, exposição e com a
tendencia natural da casta que se cultiva.
Esta altura varia, geralmente, entre 1m e 2m. A altura de 1m convem
para as castas que não costumam adquir grande porte e que são plantadas
em terrenos aridos; se, pelo contrario, o terreno é fertil e fresco
poderemos deixar-lhes a copa mais alta.
Na altura determinada segundo aquellas circumstancias para se formar a
copa, deixam-se quatro pernadas dispostas em cruz; cortam-se todas as
subjacentes, assim como o tronco, logo acima das quatro pernadas Assim
se deixam ficar mais um anno no viveiro e ao cabo d'esse anno, que será
o 7.º ou 8.º de viveiro, proceder-se-ha á sua plantação definitiva.
CAPITULO V
Plantação definitiva
Disse já no capitulo I d'este trabalho quaes eram as condicções de solo
e clima exigidas pela cultura da oliveira.
Escolhido o terreno é necessario preparal-o para elle poder receber as
arvores que dentro em pouco constituirão o olival.
Conviria que esse terreno fosse submettido a uma profunda surriba para
que todo elle fosse collocado nas mesmas condicções de mobilisação.
D'esta maneira a planta, encontrando sempre um terreno homogeneo não
estaria sujeita a qualquer accidente de vegetação proveniente da
desigualdade no desenvolvimento das suas raizes.
Se o terreno for demasiadamente humido dever-se-lhe hia fazer uma
drainagem para o subtrair a esta má propriedade.
Estas duas operações, porem, tornariam excessivamente dispendiosa tal
plantação, e d'aqui nasce a conveniencia de as reduzirmos o mais
possivel, de tal modo que, obtendo-se no terreno condicções sufficientes
para um regular desenvolvimento das plantas, se reduza o mais possivel a
despeza da mão d'obra.
O melhor será destinar a outras culturas os terrenos que só soffrendo
uma boa drainagem e uma profunda surriba, se tornariam aptos para o
desenvolvimento d'esta preciosa arvore.
Nos terrenos fundos e bem mobilisados que, como disse, são os mais
proprios para estas culturas, estas operações de drainagem e de surriba
geral reduzem-se extraordinariamente.
Para se fazer a plantação n'estes terrenos fazem-se em primeiro logar os
alinhamentos, que convem sejam em quinconcio, pelas vantagens já
enumeradas ao tratar dos viveiros. A distancia a que as plantas devem
ficar umas das outras nunca deverá ser inferior a 5m sendo de 8m a
distancia mais recommendada.
Com esta distancia as oliveiras não se prejudicarão mutuamente nem por
causa da sombra que umas ás outras possam fazer nem porque a cada uma
d'ellas falte espaço para distender as suas raizes.
Convem, comtudo, advertir que em terrenos pouco fundos devemos augmentar
aquelles numeros attendendo a que a planta procurará alargar mais as
suas raizes pela pouca profundidade a que as pode enviar.
Marcada a plantação abrem-se covas nos sitios indicados pelas balisas,
com as dimensões sufficientes para receberem as plantas provenientes dos
viveiros, de modo que as suas raizes ahi fiquem perfeitamente
estendidas. A melhor forma a dar ás covas é a circular.
A camada de terra superior que é a primeira a ser cavada deverá
separar-se da segunda e da ultima, para depois ser tambem a primeira a
entrar na cova.
No fundo d'estas covas, que deverão ter a profundidade de 1m lançam-se
pedras, pedaços de madeira, palhas e mattos que servirão para dar livre
passagem ás aguas das chuvas; por cima d'isto lança-se uma camada de
entulhos provenientes de velhas demolições, ou, na falta d'estes, boa
terra vegetal; tudo isto deverá ser misturado com estrumes bem
decompostos e com residuos de fabricas etc.; por cima d'este terriço
deita-se uma camada da primeira terra extrahida da cova. Todos estes
elementos deverão ser dispostos de modo a formarem um monticulo ao meio
da cova.
É sobre este monticulo que se colloca a nova planta distribuindo-lhe as
raizes o mais naturalmente possivel.
Sobre as raizes lança-se nova quantidade de terriço, calcando-o bem para
que elle fique em perfeito contacto com ellas, mas de modo a não as
damnificar.
Por fim acaba-se de encher a cova com o resto da terra d'ella extrahida
dispondo-a de modo que as suas camadas fiquem em ordem inversa d'aquella
em que primitivamente estavam.
D'este modo as camadas mais profundas vindo para a superficie ir-se-hão
melhorando pela influencia dos meteoros, ao mesmo tempo que vai sendo
corrigida pelas adubações.
As covas deverão ser abertas algum tempo antes de se proceder á
plantação, para ficarem durante esse tempo expostas á influencia
atmospherica.
A epocha para a plantação é aquella em que se acha paralysada a
circulação na planta. Mas dentro d'este periodo convem attender á
temperatura do clima, á sua humidade e ao grao de compacidade do
terreno. Se o clima é quente e secco convirá antecipar a plantação para
que, quando chegarem os calores de verão, a planta esteja já radicada no
terreno. Pelo contrario, nos climas humidos e frios convem fazer a
plantação no principio da primavera para a subtrahir aos excessivos
frios e humidades do inverno.
É pratica por muitos seguida enterrar as plantas a profundidades que ás
vezes vão a 30 e 40 e ás vezes mais centimetros a cima do collo da raiz.
Por desvantajosa, deve tal pratica ser rejeitada por que é no solo que
as plantas encontram em melhores condicções e em maior abundancia os
alimentos de que carecem para a sua nutrição.
No subsolo, onde as raizes por este processo de plantação iriam procurar
os alimentos, não os encontrariam em tão boas condicções para d'elle se
utilizarem, o que lhes seria prejudicial.
Não podendo desenvolver bem as raizes no subsolo, a planta ver-se-hia
forçada a emittir novas raizes para irem procurar os alimentos no solo;
d'aqui o atrazo de um a dois annos na vida da planta.
Bastará enterrar a planta até á profundidade de 6 a 10 centimetros acima
do collo da raiz, a não ser nos terrenos inclinados onde convem duplicar
aquelles numeros.
As drainagens feitas com mattos e pedaços de madeira, são sufficientes
em terrenos inclinados ou de sub-solo permeavel; são dispensaveis em
terrenos arenosos e não são sufficientes nos terrenos planos e
argillosos com sub-solo tambem impermeavel.
N'estes ultimos, as aguas infiltradas escoar-se-hão para o fundo da cova
e ahi, por não encontrarem sahida, ficarão depositadas, com grande
prejuizo para a vida das arvores.
Indispensavel se torna então abrir covas entre cada par de arvores, as
quaes vão todas communicar com um poço collector que depois as enviará
para qualquer corrente proxima.
N'estes poços parciaes deitam-se pedras até meio, acabando-se de encher
com terra.
Melhor que isto será a abertura de vallas entre cada duas filas
consecutivas de oliveiras. Estas vallas exgotarão as aguas do terreno e
conduzil-as-hão para fóra do olival.
Ainda mais facilmente se póde fazer a drainagem, fazendo communicar
entre si, por meio de pequenas vallas, todas as covas de cada fila.
Nos terrenos em declive muito rapido, deve a cultura ser feita em
patamares construidos com pedras e terra, para impedir que a agua,
arrastando as camadas superficiaes do solo, ponha a raiz a descoberto.
N'estes terrenos o compasso de 8m que indiquei ha pouco para os
terrenos de meia encosta, pode diminuir-se.
Os alinhamentos feitos com o compasso de 6m a 8m, são proprios para
os terrenos destinados unicamente á cultura da oliveira. Entre nós,
porém, não é muito frequente este caso, e a oliveira vegeta em
condemnavel promiscuidade com as culturas cerealiferas, com a cultura da
vinha e ainda com outras culturas.
Para este caso é necessario dar á plantação um compasso muito maior do
que o indicado.
A arvore, ao ser plantada definitivamente, deve ser desembaraçada de
todos os seus ramos e folhas. De contrario ellas continuarão a executar
as suas funcções com grave prejuizo para a vida da planta, porque as
raizes não podendo desempenhar ainda as suas funcções, não poderão
absorver do terreno os elementos necessarios para equilibrar as perdas
produzidas pelo trabalho das folhas.
CAPITULO VI
Poda
Esta operação é indispensavel na arboricultura. Toda a arvore que não
seja submettida a esta operação é muito irregular tanto no seu
crescimento como na sua fórma; fructifica mal sendo os seus fructos mal
conformados e a sua producção muito incerta.
Pelo contrario, podando as arvores nós obrigamol-as a tomar uma fórma
mais regular que lhe permitta uma boa distribuição do calor e da luz
para obtermos fructos bem creados e em maior quantidade.
Esta operação traz ainda como consequencia uma melhor distribuição da
seiva e d'aqui o crescimento e a fructificação fazerem-se com mais
regularidade.
As podas mirando ao duplo fim de dar á arvore a fórma mais conveniente e
de lhes regular a producção, não podiam deixar de ser de duas cathegorias.
A primeira principia já no viveiro onde, como já disse, se esboça a copa
da arvore.
A arvore tirada do viveiro vem para o logar definitivo com quatro
ramificações em cruz; assim é plantada e no anno seguinte emitte varios
lançamentos pelos gommos existentes n'essas ramificações; no anno
seguinte cortam-se todos os rebentos, á excepção de um em cada pernada,
escolhendo o que se apresenta mais robusto e na posição mais levantada.
No anno seguinte cortam-se-lhes as pontas acima de dous raminhos
lateraes bem constituidos e supprimem-se todas as outras. Estes
raminhos, desenvolvendo-se, constituem as ramificações secundarias.
Fica assim formado o esqueleto da arvore que se compõe de quatro
ramificações principaes, tendo cada uma duas ramificações secundarias.