Um terreno demasiadamente rico não é dos mais convenientes para n'elle

estabelecermos um viveiro porque as plantas encontrando concentrados em

um pequeno cubo de terra os alimentos de que carecem não criariam um bom

raizame e sofreriam depois muito ao serem plantadas definitivamente

porque na morada definitiva não encontrariam terreno em eguaes condições.

Convém antes um terreno sufficientemente rico para que as plantas n'elle

possam adquirir grande vigor, mas que a sua riqueza não seja tão grande

que possa offerecer aquelle inconveniente. Assim se provoca um grande

desenvolvimento na planta e ella ao ir para o terreno definitivo

resistirá melhor ás peores condições que este lhe offereça.

Antonio Aloi prefere que o terreno para o viveiro seja mais pobre que

aquelle onde depois se plantarão as novas arvores n'elle creadas. A

proposito diz este auctor que:

_Un indivíduo assuefalto a vivere n'ell opulenza, passerebbe molamente í

soi giorni se fosse condannato a nutrirsi nel parco desco dei contadino;

e vice-versa, il contadino la passerebbe bene e diverrebbe grasso si se

facesse sedere tutti i giorni alla lauta mensa dei ricco._

Estas palavras do mestre italiano teriam razão de ser se o terreno

que destinassemos á plantação definitiva estivesse nas mesmas condições

climatericas em que está o terreno que escolhemos para viveiro. E não só

divergem as condições climatericas do terreno do olival para o terreno

do viveiro: para o viveiro escolhem-se sempre os terrenos nas melhores

condições physicas para a vida das plantas, submettem-se a trabalhos de

limpeza, mobilisação, regas e estrumações a que não serão nunca

submettidos com a mesma intensidade e com a mesma perfeição os terrenos

destinados ao olival definitivo.

Por isso, a oliveira transplantada vae encontrar peores condições

physicas e climatericas do que aquellas a que até ahi tinha estado

submettida; e, quanto a mim, parece-me que só a robustez da planta será

garantia do seu desenvolvimento na sua ultima morada.

Os terrenos destinados aos olivaes devem ser aquelles em que é pouco

remuneradora a cultura cerealifera.

São portanto terrenos pobres; e não me parece que, n'um viveiro

estabelecido em terreno ainda mais pobre, as pequenas plantas se possam

desenvolver convenientemente. Hão de ser, por força, enfezadas e

rachiticas desde a sua infância e incertamente resistiriam ás peores

condições do terreno, embora mais rico, que lhes é destinado.

E poder-se-ha tambem dizer que, um individuo mal alimentado na sua

infancia soffreria muito mais ao mudar para um mau clima, do que outro

que, desde creança tambem, tenha sido submettido a uma boa alimentação,

precursora de uma boa robustez physica.

O terreno em boas condições para viveiro será aquelle em que,

n'um cubo de terra rasoavel, a planta encontre elementos bastantes

para lhe fornecerem uma boa alimentação, e que tenha compacidade

sufficiente para bem sustentar a planta e para lhe permittir um facil

desenvolvimento de raizes. Satisfazem a estas condições os terrenos

argillo-silico-humiferos de mediana riqueza.

Escolhido o terreno, surriba-se a uma profundidade não inferior a 0m,50,

no principio do inverno, servindo-nos, para esse fim, da pá ou da

enxada. Convem que, durante a execução d'esta operação, haja sempre o

cuidado de inverter a disposição das camadas de terra.

No fundo das vallas, é de grande conveniencia lançar-se ramos de arvores

que desempenharão o papel de uma drainagem.

Depois d'esta surriba, a terra ficará exposta á influencia benefica dos

agentes atmosphericos até Março, epocha em que se pratica uma segunda

lavoura, d'esta vez apenas com a profundidade de 0m,40 a 0m,45.

Aplaina-se em seguida a terra, que ficará apta para receber a plantação

dos individuos provenientes do alfobre, assim como a plantação das

estacas, enraizadas ou não, raizes, polas, etc.

Plantação nos viveiros

Quer os individuos a plantar venham já enraizados do alfobre ou do

viveiro preliminar, ou venham ainda enraizar n'estes viveiros, deve

sempre a sua plantação ser feita methodicamente.

As disposições methodicas adoptadas tanto para os viveiros como para a

plantação definitiva, são: em quadrado, em linhas e em quinconcio.

De todas, a melhor e por isso a mais recommendada e seguida é a ultima.

N'esta disposição conservam todas as plantas a mesma distancia entre si,

tendo assim, todas, a mesma extensão de terra á sua disposição.

Tem ainda a vantagem de as plantas se defenderem mutuamente da acção dos

ventos.

É relativamente facil fazer sobre o terreno uma marcação em quinconcio.

[Ilustração: Diagrama]

Para isso traça-se sobre o terreno a linha AB e prependicularmente a

esta as linhas AK e BL; em seguida, com uma sirga que tenha um compasso

egual ao que queremos dar á plantação, que n'este caso será de 0m,80,

marcam-se os pontos a _a' a''_...; feito isto, constroe-se o triangulo

isosceles _a b a'_, o que é facil: basta descrever dois arcos de circulo

com um dos compassos da corda, fixando-lhe uma das extremidades, uma vez

em _a_ e outra em _a'_. Estes dois arcos cruzar-se-hão em _b_, vertice

do triangulo: mede-se em seguida a distancia de _b_ ao meio _c_ da linha

_a a'_; esta distancia que é a altura do triangulo, applica-se sobre as

linhas AK e BL tantas vezes quantas for possivel, o que se faz muito

facilmente arranjando uma sirga com aquelle compasso.

Determinaremos assim os pontos C, E, G... na linha AK e os pontos

correspondentes D, T, H... na linha BL.

Levanta-se em seguida a sirga da posição AB e colloca-se em CD, de

maneira que em C assente o meio _c_ do compasso _a a'_, e assim teremos

uma segunda linha para a plantação. Colloca-se depois a sirga em EF, na

mesma posição que estava em AB, e teremos a terceira linha; em seguida

transporta-se a sirga para GH, collocando-a na posição em que se

collocou em CD; assim se vão successivamente traçando as linhas de

plantação pelos pontos marcados nas linhas AK e BL, tendo sempre o

cuidado de collocar a sirga alternadamente nas posições em que se

collocou em AB e em CD.

Ficará assim marcada uma rigorosa plantação hexagonal.

Marcados, d'esta ou d'outra maneira, os pontos correspondentes a cada

individuo, procede-se então á plantação.

Para as estacas simples abre-se um buraco no terreno com um furador,

mettendo ahi a estaca com a sua parte mais grossa para baixo, tendo o

cuidado de lhe deixar fóra da terra os ultimos 2 ou 3 olhos.

Uma vez collocada a estaca no seu logar, aconchega-se-lhe bem a terra,

desfazendo bem as paredes do buraco em que foram enterradas. Sem esta

precaução ha todas as probabilidades de a estaca não pegar.

Para as exostoses escavam-se á enxada pequenas covas com a profundidade

de 0m,30 onde serão collocados estes seres. Antonio Aloi aconselha que

antes de os enterrar se mergulhem em agua que tenha em solução bosta de

boi, se envolvam depois em terra fina para em seguida se collocarem nos

covachos. Ao dispôr estes seres nas covas deve haver sempre o cuidado de

os deixar com a gemma voltada para cima e um pouco inclinada para o sul.

Cobrem-se depois com terriço acabando de encher a cova com cinza de

barrella, que tendo a propriedade de manter fôfo o terreno, dá facil

sahida aos rebentos. Estes apparecem á superfície ao cabo de 30 a 40 dias.

Muitas vezes o calor em seguida á chuva faz endurecer a camada de cinza

e este endurecimento impede os rebentos de sahirem da terra. Então com

uma espatula de madeira, se removerá cuidadosamente a crosta

endurecida, nos sitios em que se fizeram as plantações, que nos serão

indicados por uma cana ou pequeno pau ahi enterrado na occasião da

plantação.

Muitos rebentos podem nascer d'um mesmo individuo, dos quaes uma parte

vem á superficie da terra e outros, devido a qualquer obstaculo que

encontram no terreno, dirigem-se, tortuosamente em diversas direcções

debaixo da terra. Convem então afastar a terra e com a unha, extrahir

todos esses rebentos á excepção de dois, tendo o cuidado de, ao executar

esta operação, não deslocar do seu logar o ser que lhes dá origem. Dos

dois rebentos poupados por esta operação, um d'elles, o mais fraco, é

mais tarde destruido.

Deve haver sempre muita vigilancia no viveiro para ir destruindo todos

os rebentos que forem apparecendo depois d'esta primeira operação.

Para os individuos já enraizados necessario se torna prodigalizar-lhes

outra especie de cuidados para os não prejudicarmos com a mudança. Estes

cuidados devem principiar logo no acto do arranque no alfobre ou no

viveiro preliminar.

Usa-se da enxada ou da pá para procedermos a esta operação mas com todos

os cuidados possiveis para lhes não prejudicarmos as raizes. Se alguma

ou algumas raizes forem dilaceradas devem-se cortar acima do ponto

ferido para evitar que a sua putrefacção acarrete á planta algum

soffrimento. Arrancadas as plantas trazem-se para o viveiro e ahi serão

plantadas nos sitios marcados.

Para esse fim abrem-se pequenas covas, no fundo das quaes se lança bom

terriço, e sobre este se collocam as plantas; distribuem-se-lhes bem as

raizes para não ficarem acavalladas n'uns sitios e rareadas n'outros;

cobrem-se depois, primeiro, com bom terriço e depois com a mesma terra

que sahiu da cova. Fixam-se bem a um tutor, para que os ventos as não

desloquem ou quebrem, e assim se deixam até que principiem a

desenvolver-se para então se lhes prodigalizarem os cuidados de educação

que necessitam.

B--Trabalhos nos viveiros

Enxertia

Carecem d'esta operação não só as oliveiras provenientes de semente mas

ainda aquellas que tiveram como origem qualquer fragmento extrahido

abaixo do ponto em que foi enxertada a planta mãe.

Todas as especies de enxertia se podem empregar na oliveira mas as mais

usadas são a de escudo e algumas vezes a de flauta, para oliveiras novas

e a de coroa para troncos grossos.

Para se operar um enxerto de escudo principia-se por fazer na casca do

ramo ou oliveira delgada que queremos enxertar uma incisão em forma de T

afastando-a depois com a espatula da enxertadeira de modo a separal-a do

alburno. Em seguida tira-se do ramo da oliveira que queremos propagar um

bocado de casca munido de uma borbulha e dá-se-lhe a forma de um escudo.

Introduz-se em seguida este escudo na fenda, de modo que esta fique bem

cheia. Liga-se em seguida a fim de nos assegurarmos bem do perfeito

contacto do garfo com o alburno e casca do cavallo.

Logo que nos asseguremos do bom resultado da enxertia corta-se o ramo a

3 ou 4 centimetros acima do enxerto.

Esta enxertia pode fazer-se na primavera ou no outomno tomando

respectivamente os nomes de enxertia de _olho vivo_ e _olho dormente_.

A enxertia de flauta, que não é tão usada como a primeira, exige que

tanto o garfo como o cavallo tenham a mesma grossura. Consiste em tirar

de um ramo delgado um annel de casca munido de um ou dois olhos e

collocal-o no ramo a enxertar a que previamente se tenha tirado um annel

igual de casca e liga-se bem com um fio de lã ou com uma fita de casca

de arvore.

Uma outra enxertia, muito usada, é a de fenda cheia. Esta exige tambem

que o cavallo e o garfo tenham perfeitamente a mesma grossura.

Corta-se o cavallo horisontalmente á altura a que queremos fazer o

enxerto e fende-se verticalmente no sentido do seu diametro; em seguida

prepara-se o garfo em forma de cunha e introduz-se na fenda de modo que

as cascas do cavallo e do garfo coincidam perfeitamente; liga-se bem com

raphia e n'estas condições estará o enxerto apto para pegar.

Alem d'estes enxertos fazem-se ainda os de fenda simples e fenda dupla,

que differem do precedente em os dois elementos não serem da mesma

grossura.

Para a fenda simples bastará abrir a fenda vertical simplesmente no

sentido de um raio do cavallo e ahi se introduz o garfo em forma de cunha.

Para o enxerto de fenda dupla abre-se a fenda no sentido do diametro do

cavallo e introduzem-se-lhe dois garfos nos extremos d'esses diametros.

Nos enxertos de fenda quer ella seja cheia, dupla ou simples applica-se

sempre, logo em seguida á sua execução, um inducto qualquer que o

preserve de estar exposto ao tempo. Costuma empregar-se muito o unguento

de S. Fiacre pela simplicidade da sua preparação. Prepara-se misturando

intimamente 65,5 partes de argilla com 33,5 partes de excremento de boi.

São estes os systemas de enxertia mais usados: a sua execução acha-se

descripta em muitos trabalhos de arboricultura e muitissimas revistas

agricolas dispensando-me, por isso de, sobre este assumpto, fazer mais

largas referencias.

Cuidados a ter com os viveiros

Depois de feita a plantação carecem os viveiros de cuidados que

incidirão, não só sobre o terreno mas tambem sobre as arvoresinhas que

n'elle se vão desenvolvendo.

Os primeiros consistem em sachas com o fim de manter o terreno sempre

bem mobilisado, de o conservar sempre limpo de plantas estranhas que ahi

se desenvolveriam e para evitar as fortes evaporações no verão, as quaes

dissecaram rapidamente o terreno.

As regas, não muito abundantes, são indispensaveis ao terreno para se

garantir n'elle um certo grao de frescura que tão propicio é ao

enraizamento dos novos individuos.

Logo que as plantas adquiram um desenvolvimento de 0m,20 a 0m,30

deve tambem para ellas voltar-se a attenção do viveirista.

Nesta altura começar-se-ha por se lhes supprimir todos os raminhos

lateraes tendo o cuidado de se lhes não arrancar as folhas em cuja

axilla elles se desenvolvem.

D'esta maneira a seiva da planta dirigir-se-ha directamente para a parte

superior da planta, gastando-se em lhe augmentar o seu crescimento em

altura.

Militam em favor d'esta opinião as experiencias de Ghiotte que

demonstram que as arvores assim tratadas adquirem maior desenvolvimento,

alem de crescerem direitas e com tronco lizo, o que lhes não acontece se

lhes não amputarmos os seus raminhos lateraes.

Deixando-lhes estes ramos, elles engrossam e crescem com prejuizo do

alongamento da planta e, ao serem mais tarde cortadas, produzem nas

arvores feridas perigosas. O soffrimento d'estas plantas proveniente do

corte d'estes raminhos é em grande parte attenuado se lhes deixarmos as

folhas jacentes na base d'esses raminhos.

Nas plantas provenientes de estacas desenvolvem-se muitos rebentos que

convem deixar durante os dois primeiros annos para provocar n'ellas a

formação de muitas raizes. Mais tarde cortam-se todos, á excepção d'um

que deverá ser o mais forte e o mais proximo do sólo, o qual se

sujeitará ao tutor que a conserve na posição vertical.

Nos tres annos seguintes os trabalhos dirigir-se-hão no intuito de se

favorecer o mais possivel o crescimento das arvores.

Qualquer ramificação muito vigorosa, que appareça, deve ser quebrada

para evitar o empobrecimento da arvore.

Ao fim do 5.º ou 6.º anno estão as plantas em condições de se lhes poder

formar a copa.

Para determinarmos a altura a que a devemos formar teremos que entrar em

consideração com a natureza do terreno, clima, exposição e com a

tendencia natural da casta que se cultiva.

Esta altura varia, geralmente, entre 1m e 2m. A altura de 1m convem

para as castas que não costumam adquir grande porte e que são plantadas

em terrenos aridos; se, pelo contrario, o terreno é fertil e fresco

poderemos deixar-lhes a copa mais alta.

Na altura determinada segundo aquellas circumstancias para se formar a

copa, deixam-se quatro pernadas dispostas em cruz; cortam-se todas as

subjacentes, assim como o tronco, logo acima das quatro pernadas Assim

se deixam ficar mais um anno no viveiro e ao cabo d'esse anno, que será

o 7.º ou 8.º de viveiro, proceder-se-ha á sua plantação definitiva.

CAPITULO V

Plantação definitiva

Disse já no capitulo I d'este trabalho quaes eram as condicções de solo

e clima exigidas pela cultura da oliveira.

Escolhido o terreno é necessario preparal-o para elle poder receber as

arvores que dentro em pouco constituirão o olival.

Conviria que esse terreno fosse submettido a uma profunda surriba para

que todo elle fosse collocado nas mesmas condicções de mobilisação.

D'esta maneira a planta, encontrando sempre um terreno homogeneo não

estaria sujeita a qualquer accidente de vegetação proveniente da

desigualdade no desenvolvimento das suas raizes.

Se o terreno for demasiadamente humido dever-se-lhe hia fazer uma

drainagem para o subtrair a esta má propriedade.

Estas duas operações, porem, tornariam excessivamente dispendiosa tal

plantação, e d'aqui nasce a conveniencia de as reduzirmos o mais

possivel, de tal modo que, obtendo-se no terreno condicções sufficientes

para um regular desenvolvimento das plantas, se reduza o mais possivel a

despeza da mão d'obra.

O melhor será destinar a outras culturas os terrenos que só soffrendo

uma boa drainagem e uma profunda surriba, se tornariam aptos para o

desenvolvimento d'esta preciosa arvore.

Nos terrenos fundos e bem mobilisados que, como disse, são os mais

proprios para estas culturas, estas operações de drainagem e de surriba

geral reduzem-se extraordinariamente.

Para se fazer a plantação n'estes terrenos fazem-se em primeiro logar os

alinhamentos, que convem sejam em quinconcio, pelas vantagens já

enumeradas ao tratar dos viveiros. A distancia a que as plantas devem

ficar umas das outras nunca deverá ser inferior a 5m sendo de 8m a

distancia mais recommendada.

Com esta distancia as oliveiras não se prejudicarão mutuamente nem por

causa da sombra que umas ás outras possam fazer nem porque a cada uma

d'ellas falte espaço para distender as suas raizes.

Convem, comtudo, advertir que em terrenos pouco fundos devemos augmentar

aquelles numeros attendendo a que a planta procurará alargar mais as

suas raizes pela pouca profundidade a que as pode enviar.

Marcada a plantação abrem-se covas nos sitios indicados pelas balisas,

com as dimensões sufficientes para receberem as plantas provenientes dos

viveiros, de modo que as suas raizes ahi fiquem perfeitamente

estendidas. A melhor forma a dar ás covas é a circular.

A camada de terra superior que é a primeira a ser cavada deverá

separar-se da segunda e da ultima, para depois ser tambem a primeira a

entrar na cova.

No fundo d'estas covas, que deverão ter a profundidade de 1m lançam-se

pedras, pedaços de madeira, palhas e mattos que servirão para dar livre

passagem ás aguas das chuvas; por cima d'isto lança-se uma camada de

entulhos provenientes de velhas demolições, ou, na falta d'estes, boa

terra vegetal; tudo isto deverá ser misturado com estrumes bem

decompostos e com residuos de fabricas etc.; por cima d'este terriço

deita-se uma camada da primeira terra extrahida da cova. Todos estes

elementos deverão ser dispostos de modo a formarem um monticulo ao meio

da cova.

É sobre este monticulo que se colloca a nova planta distribuindo-lhe as

raizes o mais naturalmente possivel.

Sobre as raizes lança-se nova quantidade de terriço, calcando-o bem para

que elle fique em perfeito contacto com ellas, mas de modo a não as

damnificar.

Por fim acaba-se de encher a cova com o resto da terra d'ella extrahida

dispondo-a de modo que as suas camadas fiquem em ordem inversa d'aquella

em que primitivamente estavam.

D'este modo as camadas mais profundas vindo para a superficie ir-se-hão

melhorando pela influencia dos meteoros, ao mesmo tempo que vai sendo

corrigida pelas adubações.

As covas deverão ser abertas algum tempo antes de se proceder á

plantação, para ficarem durante esse tempo expostas á influencia

atmospherica.

A epocha para a plantação é aquella em que se acha paralysada a

circulação na planta. Mas dentro d'este periodo convem attender á

temperatura do clima, á sua humidade e ao grao de compacidade do

terreno. Se o clima é quente e secco convirá antecipar a plantação para

que, quando chegarem os calores de verão, a planta esteja já radicada no

terreno. Pelo contrario, nos climas humidos e frios convem fazer a

plantação no principio da primavera para a subtrahir aos excessivos

frios e humidades do inverno.

É pratica por muitos seguida enterrar as plantas a profundidades que ás

vezes vão a 30 e 40 e ás vezes mais centimetros a cima do collo da raiz.

Por desvantajosa, deve tal pratica ser rejeitada por que é no solo que

as plantas encontram em melhores condicções e em maior abundancia os

alimentos de que carecem para a sua nutrição.

No subsolo, onde as raizes por este processo de plantação iriam procurar

os alimentos, não os encontrariam em tão boas condicções para d'elle se

utilizarem, o que lhes seria prejudicial.

Não podendo desenvolver bem as raizes no subsolo, a planta ver-se-hia

forçada a emittir novas raizes para irem procurar os alimentos no solo;

d'aqui o atrazo de um a dois annos na vida da planta.

Bastará enterrar a planta até á profundidade de 6 a 10 centimetros acima

do collo da raiz, a não ser nos terrenos inclinados onde convem duplicar

aquelles numeros.

As drainagens feitas com mattos e pedaços de madeira, são sufficientes

em terrenos inclinados ou de sub-solo permeavel; são dispensaveis em

terrenos arenosos e não são sufficientes nos terrenos planos e

argillosos com sub-solo tambem impermeavel.

N'estes ultimos, as aguas infiltradas escoar-se-hão para o fundo da cova

e ahi, por não encontrarem sahida, ficarão depositadas, com grande

prejuizo para a vida das arvores.

Indispensavel se torna então abrir covas entre cada par de arvores, as

quaes vão todas communicar com um poço collector que depois as enviará

para qualquer corrente proxima.

N'estes poços parciaes deitam-se pedras até meio, acabando-se de encher

com terra.

Melhor que isto será a abertura de vallas entre cada duas filas

consecutivas de oliveiras. Estas vallas exgotarão as aguas do terreno e

conduzil-as-hão para fóra do olival.

Ainda mais facilmente se póde fazer a drainagem, fazendo communicar

entre si, por meio de pequenas vallas, todas as covas de cada fila.

Nos terrenos em declive muito rapido, deve a cultura ser feita em

patamares construidos com pedras e terra, para impedir que a agua,

arrastando as camadas superficiaes do solo, ponha a raiz a descoberto.

N'estes terrenos o compasso de 8m que indiquei ha pouco para os

terrenos de meia encosta, pode diminuir-se.

Os alinhamentos feitos com o compasso de 6m a 8m, são proprios para

os terrenos destinados unicamente á cultura da oliveira. Entre nós,

porém, não é muito frequente este caso, e a oliveira vegeta em

condemnavel promiscuidade com as culturas cerealiferas, com a cultura da

vinha e ainda com outras culturas.

Para este caso é necessario dar á plantação um compasso muito maior do

que o indicado.

A arvore, ao ser plantada definitivamente, deve ser desembaraçada de

todos os seus ramos e folhas. De contrario ellas continuarão a executar

as suas funcções com grave prejuizo para a vida da planta, porque as

raizes não podendo desempenhar ainda as suas funcções, não poderão

absorver do terreno os elementos necessarios para equilibrar as perdas

produzidas pelo trabalho das folhas.

CAPITULO VI

Poda

Esta operação é indispensavel na arboricultura. Toda a arvore que não

seja submettida a esta operação é muito irregular tanto no seu

crescimento como na sua fórma; fructifica mal sendo os seus fructos mal

conformados e a sua producção muito incerta.

Pelo contrario, podando as arvores nós obrigamol-as a tomar uma fórma

mais regular que lhe permitta uma boa distribuição do calor e da luz

para obtermos fructos bem creados e em maior quantidade.

Esta operação traz ainda como consequencia uma melhor distribuição da

seiva e d'aqui o crescimento e a fructificação fazerem-se com mais

regularidade.

As podas mirando ao duplo fim de dar á arvore a fórma mais conveniente e

de lhes regular a producção, não podiam deixar de ser de duas cathegorias.

A primeira principia já no viveiro onde, como já disse, se esboça a copa

da arvore.

A arvore tirada do viveiro vem para o logar definitivo com quatro

ramificações em cruz; assim é plantada e no anno seguinte emitte varios

lançamentos pelos gommos existentes n'essas ramificações; no anno

seguinte cortam-se todos os rebentos, á excepção de um em cada pernada,

escolhendo o que se apresenta mais robusto e na posição mais levantada.

No anno seguinte cortam-se-lhes as pontas acima de dous raminhos

lateraes bem constituidos e supprimem-se todas as outras. Estes

raminhos, desenvolvendo-se, constituem as ramificações secundarias.

Fica assim formado o esqueleto da arvore que se compõe de quatro

ramificações principaes, tendo cada uma duas ramificações secundarias.

Breves palavras sobre a cultura da Oliveira · 第 2 / 3 段