_Gomes Pércheiro._
A declaração que faz o sr. Pércheiro logo ao principiar a sua carta:
«que com a resposta que demos á sua primeira carta, e _outras que se lhe
possam seguir_, ficará vencido mas não convencido,» dispensa-nos de
continuar n'esta amigavel controversia. O nosso fim nunca foi vencer.
Poderia ser, se tanto, convencer.
Seria pois inconveniente, e por demais inutil, toda a insistencia em
qualquer opinião que ao sr. Pércheiro desagrade, não se achando
interessado o nosso amor proprio em justificar o que escrevemos, nem
pondo nós empenho em nos resalvar das contradicções que o illustre
escriptor tão lucidamente descortinou logo no nosso primeiro artigo, e
que nós temos a infelicidade de ainda não perceber.
Affirmando que as _Questões do Pará_ era uma publicação interessante,
será incontestavel que não podiamos sem incorrer em contradicção,
pôr-lhe deffeitos; e escrevendo: «_afora isto_, o livro merece
vulgarisar-se,» talvez dissessemos uma inepcia, porque _isto_ não deverá
referir-se só aos defeitos que notamos, mas a todo o livro! Isso porém é
que nós não queremos averiguar.
Com relação á civilisação do Brazil estamos n'uma situação de espirito
muito analoga áquella que nos collocou a leitura do trabalho do sr.
Pércheiro. É possivel que nos achemos tambem n'isto em flagrante
contradicção. Concordamos que, não só a população inconsciente e
irresponsavel, mas tambem os homens que pela illustração devem
encaminhar a opinião, sejam injustos, apaixonados, malevolentes mesmo
com relação a Portugal: todavia não deduzimos d'ahi argumento para
provar a selvageria do paiz. Vemos n'isso uma deploravel aberração,
dictada por uma animosidade sem motivo. Nada mais. E isto parece pouco
ao sr. Pércheiro. E será talvez.
Não importa. Separemo-nos em bons amigos. Cada um fica na sua opinião, e
fica bem visto que ambos estamos tranquillos da nossa consciencia.
_Districto de Aveiro_
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