30 de julho de 1875.

_Gomes Pércheiro._

A declaração que faz o sr. Pércheiro logo ao principiar a sua carta:

«que com a resposta que demos á sua primeira carta, e _outras que se lhe

possam seguir_, ficará vencido mas não convencido,» dispensa-nos de

continuar n'esta amigavel controversia. O nosso fim nunca foi vencer.

Poderia ser, se tanto, convencer.

Seria pois inconveniente, e por demais inutil, toda a insistencia em

qualquer opinião que ao sr. Pércheiro desagrade, não se achando

interessado o nosso amor proprio em justificar o que escrevemos, nem

pondo nós empenho em nos resalvar das contradicções que o illustre

escriptor tão lucidamente descortinou logo no nosso primeiro artigo, e

que nós temos a infelicidade de ainda não perceber.

Affirmando que as _Questões do Pará_ era uma publicação interessante,

será incontestavel que não podiamos sem incorrer em contradicção,

pôr-lhe deffeitos; e escrevendo: «_afora isto_, o livro merece

vulgarisar-se,» talvez dissessemos uma inepcia, porque _isto_ não deverá

referir-se só aos defeitos que notamos, mas a todo o livro! Isso porém é

que nós não queremos averiguar.

Com relação á civilisação do Brazil estamos n'uma situação de espirito

muito analoga áquella que nos collocou a leitura do trabalho do sr.

Pércheiro. É possivel que nos achemos tambem n'isto em flagrante

contradicção. Concordamos que, não só a população inconsciente e

irresponsavel, mas tambem os homens que pela illustração devem

encaminhar a opinião, sejam injustos, apaixonados, malevolentes mesmo

com relação a Portugal: todavia não deduzimos d'ahi argumento para

provar a selvageria do paiz. Vemos n'isso uma deploravel aberração,

dictada por uma animosidade sem motivo. Nada mais. E isto parece pouco

ao sr. Pércheiro. E será talvez.

Não importa. Separemo-nos em bons amigos. Cada um fica na sua opinião, e

fica bem visto que ambos estamos tranquillos da nossa consciencia.

_Districto de Aveiro_

+ + + + + + + + + +

Portugal e Brazil: emigração e colonisação · 第 162 / 176 题