VII

Dissemos que Portugal, não é o paiz que mais colonos deve fornecer ao

Brazil.

Dissemos tambem que os filhos das outras nações da Europa, preferem os

estados da America do norte; e que os governos da Allemanha, França e

Italia, prohibem a emigração de seus subditos para o imperio brazileiro.

Qual a causa d'esta preferencia e d'esta prohibição?

A falta de leis protectoras para o emigrante, responde á preferencia dos

estados do norte pelos do sul; e a insalubridade do Brazil, e quiçá a

falta do cumprimento das leis pouco liberaes que ali existem, responderá

facilmente á medida adoptada por aquelles governos--a prohibição.

Já vimos que as disposições brazileiras, tendentes a facilitar a

naturalisação dos estrangeiros no Brazil, não são sufficientes, para

que, debaixo do ceu do Cruzeiro, possam todos os individuos, com

independencia, chamar-lhe a terra do trabalho.

O sr. Augusto de Carvalho mostra alguns conhecimentos da vida dos povos

subordinados aos estados do norte, e por isso mesmo devia apontar ao

governo brazileiro as disposições liberaes das leis americanas, que

fazem dos Estados-Unidos um paiz livre, dirigido por cidadãos e não por

jesuitas.

E não vá persuadir-se que é pequena cousa para o engrandecimento d'um

povo o assumpto--religião.

O artigo 5.º da carta constitucional do imperio, que faz da religião

catholica apostolica romana, a religião do estado, é o maior obstaculo

contra a emigração dos europeus.

Os inglezes e especialmente os allemães, os unicos que podiam formar um

grande nucleo de emigração, são protestantes; e os filhos dos outros

paizes catholicos, ao deixarem a patria, suppõem que hão de ir

encontrar, n'um paiz novo, uma sociedade nova, cujos principios liberaes

sejam, quando não superiores, ao menos iguaes aos que se professam no

paiz d'onde emigram. Mas o europeu, completamente illudido, vai

encontrar o grande imperio dominado pelos jesuitas, impondo ao emigrante

os seus principios reaccionarios, sob pena de serem apontados á

população, como inimigos do imperio, servindo-se para isso dos pulpitos

e dos jornaes, transformados em pasquins, que o governo tolera,

desculpando-se em não querer tolher a liberdade do pensamento, mas

espezinhando essa liberdade quando as manifestações contra o jesuitismo,

como justa represalia, partem dos estrangeiros!

Despresando os sãos principios seguidos na America do norte, e por

consequencia--_o pensamento de reunir sob o mesmo ceu todas as

nacionalidades_--só falta ao governo admittir as _justas_ exigencias do

seu clero, que pede a forca e os horrores da inquisição, para os adeptos

das outras seitas religiosas toleradas no Brazil! E ai dos homens de

estado que não attenderem as reclamações da fradaria! Que o diga o

gabinete 7 de março, presidido pelo visconde de Rio-Branco, fulminado

pelo _ex-informate conscientia_ dos bispos que, para amedrontal-o,

haviam creado em todas as provincias o chamado--partido catholico--! a

nação em peso a pedir cilicios e fogueiras contra meia duzia de

herejes!...

Eis-aqui está um paiz colonisador, entretido na pratica do trabalho...

fazendo politica para _reunir, sob o ceu explendido do Cruzeiro_... os

jesuitas de todas as nacionalidades!

De que serviu ao sr. Augusto de Carvalho, a extemporanea defeza que

fizera do seu Brazil, ha dois annos liberal, convertido n'um momento,

pela simples vontade d'uma mulher em convento de frades?!

É preciso que assignale na sua historia, quando fizer a terceira

edicção, esta phrase do seu clero dominador em fins do seculo XIX.

É provavel que com a forca e a inquisição venha o restabelecimento da

escravatura. Isto feito, o governo, que presidir aos destinos do

imperio, será pelo auctor do _Brazil_ elevado ás honras de patriota!

E poderá o sr. Augusto de Carvalho, como empregado-historiador do

Brazil, negar as _virtudes_ do celeberrimo gabinete que substituiu o do

visconde Rio Branco?

Portugal e Brazil: emigração e colonisação · 第 41 / 176 题