Morreu Bocage, sepultou-se em Gôa!
Chorai, moças venaes, chorai, pedantes,
O insulso estragador dos consoantes,
Que tantos tempos aturdiu Lisboa!
Por aventuras mil obteve a c'rôa
Que a fronte cinge dos heróes andantes;
Inda veiu de climas tão distantes
Á toa vegetar, versar á toa;
Este que vês, com olhos macerados,
Não é Bocage, não, rei dos bregeiros,
São apenas seus ossos descarnados:
Fugiu do cemiterio aos companheiros;
Anda agora purgando seus peccados
Glosando aos cagaçaes pelos outeiros.
(_B.M. Curvo Semedo._)