SONETO.

Morreu Bocage, sepultou-se em Gôa!

Chorai, moças venaes, chorai, pedantes,

O insulso estragador dos consoantes,

Que tantos tempos aturdiu Lisboa!

Por aventuras mil obteve a c'rôa

Que a fronte cinge dos heróes andantes;

Inda veiu de climas tão distantes

Á toa vegetar, versar á toa;

Este que vês, com olhos macerados,

Não é Bocage, não, rei dos bregeiros,

São apenas seus ossos descarnados:

Fugiu do cemiterio aos companheiros;

Anda agora purgando seus peccados

Glosando aos cagaçaes pelos outeiros.

(_B.M. Curvo Semedo._)

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 187 / 208 题