SONETO.

Em quanto a rude plebe alvoroçada

Do rouco vate escuta a voz de mouro,

Que do peito inflammado sái d'estouro

Por estreito bocal desentoada:

Não cessa a cantilena acigarrada

Do vil insecto, do mordaz bisouro;

Que á larga se creou por entre o louro

De que a sabia Minerva está c'roada:

Em quanto o cego athêo, calvo da tinha,

Com parolas confunde alguns basbaques,

Psalmeando a amatoria ladainha:

Eu não me posso ter; cheio de achaques,

Cançado de lhe ouvir — «_Bravo! Esta é minha!_»

Cago sem me sentir, desando em traques.

(_Anonymo_.)

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 186 / 208 题