27 de Junho.

Missa do barão de Santa-Pia em S. Francisco de Paula. O filho do

desembargador representava a familia; este e a sobrinha ouviram missa

na fazenda. Hade ter sido outra recordação antiga para a viuva. A

fazenda tem capela, onde um padre dizia missa aos domingos e confessava

pela quaresma. Tambem eu conheci esse costume em pequeno, e ainda

me lembra que, na quaresma, eu e outros rapazes iamos esconder-nos

do confessor em baixo das camas ou nos desvãos da caza. Já então

confundiamos as praticas religiosas com as canceiras da vida, e

fugiamos dellas. Entretanto, o padre que me confessou pela primeira

vez era meigo, atento, guiava-me a confissão indicando os pecados que

devia dizer, e até que ponto, e punha a absolvição na lingua antes que

os pecados lhe entrassem pelo ouvido; assim me pareceu. Perdôe-me a sua

memoria, se não é verdade. Tudo isso vae longe. A segunda confissão foi

por ocasião de cazar. Dahi em diante não fui mais que virtudes.

Bastante gente em S. Francisco de Paula. Na sacristia havia folhas de

papel onde se inscreveram as pessoas que lá foram, e uma ou outra

que não foi mas encomendou o cuidado a um terceiro. Vi magistrados,

advogados, pessoas do comercio e do funcionalismo, senhoras, algumas

senhoras. Destas eram moças umas, amigas de Fidelia, outras eram velhas

do tempo da mãe. Uma destas era a que não faltaria, ainda que lá não

fosse ninguem, e só amiga da viuva, a boa Aguiar, naturalmente. Lá

estava tambem Rita, que veiu almoçar commigo.

Se as missas pudessem ser ditas, segundo a ocasião, eu acharia que o

padre ajustou a sua á pouca presença do sangue do morto, tão breve

foi, mas não é assim; cada padre diz a missa á sua maneira de sempre,

apressada ou vagarosa, conforme usa ler ou falar.

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Memorial de Ayres · 第 60 / 174 题