Lisboa, 11-1-91

+A BORDO+

Vamos no alto mar, a noite lentamente

Encobre pouco a pouco a abobada celeste;

Ha pallidos clarões das bandas do occidente

E sopra uma rajada aguda de Nordeste.

Corre a todo o vapor, com impeto potente

O navio rasgando a superficie agreste

Do gigantesco oceano. As ondas febrilmente

Tem o tom verde-negro e triste do cypreste.

Só vemos ceo e mar, o horizonte enorme,

Cercados pelo gigante immenso que não dorme

No monotono circo é plena a solidão.

N'essa tremenda lucta o pensamento humano

Mostra pujantemente, ao dominar o oceano,

Um cerebro o que vale! o que é um coração!

A bordo do _Funchal_,

1891

+ROZA EM BOTÃO+

Lyra da Mocidade Primeiros Versos · 第 14 / 28 题