Que lindo botão de rosa,
Oh! como é bella esta flôr,
E tens inda mais valor
Por seres offerta amoroza.
Gentil, risonha e mimoza
Elvira imitas na côr;
Ella é pura como a flôr
E tu como ella és formoza.
Mas, apesar da parecença,
Sempre existe uma differença
Em que te distingues d'ella;
É que a roza tem espinhos,
Elvira ternos carinhos,
Que a tornam inda mais bella.
Angra do Heroismo,
1892
+TEMPESTADE E BONANÇA+
Soprava rijamente o vento Norte
E caía um terrivel aguaceiro;
Enorme escuridão, lembrava a morte...
Mas não descria o rude marinheiro!
Rugia o mar e ao soffrer o corte
Da prôa revoltava-se altaneiro,
Varria o tombadilho. Sempre forte
Ia o vapor correndo audaz, ligeiro.
Echoava o trovão. Mas de repente
Ao vendaval succede-se a bonança,
O nevoeiro esvae-se lentamente,
A chuva pára, o oceano amansa;
O sol mostra seu disco reluzente,
Nos rostos pairam os sorrires d'esp'rança.
Lisboa 1891.
+AS ESTRELLAS+
Da minha alegre janella
Vejo uma nesga do ceo;
É noite serena, bella,
Espaireço o olhar meu,
A contemplar as estrellas
Que scintillam diamantinas,
Recorda-me sempre ao vel-as
Tuas graças peregrinas.
Que queres, pois se te não vejo,
Como outr'ora, na varanda
Trocando phrazes amantes?
Por isso mando-te um beijo
Na briza suave, branda,
Fitando os astros brilhantes.