Ao _k_ segue-se a sua irmã na pronuncia e última das consoantes certas, o
_q_: mas com esta já principiam as grandes inexactidões na escrita e os
equivocos faceis na leitura.
_Não se escreve _q_ sem _u_; mas esse _u_, com _e_, _i_, quasi nunca se
lê._
É a regra que podemos estabelecer. D'ella podemos tirar o seguinte dictame:
_Visto _qúé qúí_ valer quasi sempre _qé qí_, lendo-se d'este modo, quasi
sempre se acerta._
Aconselhai o discipulo nesta conformidade; sem embargo de o deixardes ler
uma ou outra palavra como está escrita, para ver que não faz differença
essencial, e que embora leia _ficuêi_ _fícue_, facilmente percebe o seu
engano, e até se intende o que diz.
O alumno estranha com razão estas anomalias. Em satisfação á sua
intelligencia bom é dizer-lhe (o que temos por certo) que antigamente
lia-se sempre o _u_ depois do _q_; com o tempo algumas palavras mudaram,
continuando-se todavia a escrever do mesmo modo. Nem haja dúvida em
accrescentar que, se a palavra mudou na pronuncia, devia mudar na escrita;
e que uma vogal que se não lê não se devia escrever.
Se cada letra valesse um elemento da palavra fallada, nada mais facil que
aprender a ler. A lingua portugueza reduz-se a trinta e seis elementos;
para decifrar toda a nossa imprensa, bastaria fixar e distinguir trinta e
seis caracteres. Quem não teria essa capacidade e paciencia?
Infelizmente, á parte os methodos, e a insufficiencia dos mestres que
geralmente nas escolas são os mesmos discipulos, sobejam letras inuteis,
letras dum valor commum, letras de valor múltiplo, combinações quasi
fantasticas: e os proprios signaes, que haviam de marcar o tom da vogal,
d'uns ha falta, d'outros sobra, e n'outros dúvida por desacôrdo nos
autores, e quasi sempre no mesmo autor.
A este respeito diremos que em portuguez temos vogaes _nasaes_, _agudas_,
_fechadas_, _abertas_ e _graves_; ás quaes por sua ordem correspondem, e
muitas vezes se applicam, os seguintes signaes:
nasal ou _til_ (~) de ordinario supprido por _m_, _n_:
m_ã_o, m_en_te, m_in_to, m_on_te, m_un_do;
agudo (´)
m_á_, m_e_u, m_i_a, m_ó_, am_u_o;
circumflexo (^)
_a_mei, am_e_i, ... am_o_u, ...
aberto (`)
... m_è_ta (baliza) ... ... ...
A este signal chamam os francezes grave; e á sua imitação muitos nossos,
mas impropriamente, porque nunca se usou nas vogaes que nós chamamos graves
similhante signal nem outro algum. Essas vogaes são, por exemplo, as
últimas das seguintes palavras:
am_a_, am_e_, ame_i_, am_o_, trib_u_
E aqui chamamos _grave_ o _a_, que chamámos _fechado_, a páginas 11.
Veremos a razão disso.
q
que qui = ke ki
fi|que fi|quei
to|que to|quei
a|ta|quei pi|que
a|ta|que pi|quei
du|que lo|que
ba|que ja|que|ta
a|ppli|que
a|ppli|quei
a|que|lle
a|que|lla
a|qui a|qui|llo
qui|e|ta qui|e|to
qual
qua|li|da|de