Alguns chamam, ao _e_ de _saude_, mudo. Antes o chamem que o façam, pois se
o fazem não fallam portuguez. O _u_ em guerra é mudo, e na maxima parte das
palavras onde se escreve _gue_, _gui_, _que_, _qui_: e ainda n'outros casos
como havemos de ver. Porem a vogal _e_ representa sempre voz; e não ha
vozes mudas. Deviam-lhe chamar _e_ grave, que é já frase recebida,
significando baixo, não agudo, que não soa alto, que não soa muito.
Isto supposto, as inflexões instantaneas por onde acabam palavras
portuguezas são _l_, _n_, _r_: exemplo, _tal_, _talisman_, _ter_. Estas
inflexões, parece que todas se proferem despegando a lingua do céo da bôca:
porem, na sua qualidade de instantaneas não teem som proprio, e por isso,
vindo no fim, se despegarmos a lingua durante a emissão da voz, em vez de
_ter_, diremos _tere_; em vez de _tal_, _tale_, etc.: o que é vicioso.
Ora assim como _saud'_ não é portuguez, tambem o não são taes palavras
acabando em _e_ grave, que a consoante não representa nem a inflexão póde
comprehender.
A respeito do _l_, uma indicação podeis fazer muito clara e proficua, ao
vosso alumno, e é que deixe a lingua pegada ao céo da bôca. Por um dos
muitos mysterios da palavra, assim se profere elegantemente o _l_ final, ou
posterior á voz.
Não temos apresentado letras dobradas por falta de occasião; não, por
systema. É um facto de observação que o principiante não se embaraça com
isso, como ides ver.
l
li li|a leu lu|a
lu|va lo|ja lu|ta
la|bu|ta bi|to|la
bo|la be|lla
fa|lla fi|ve|lla
lá ó|lá a|lli
vil fel fi|el tal
fa|tal fa|val
pa|úl pa|pel
al|va al|ta
fal|ta vol|ta
pol|pa a|pal|pa
a|pal|pa|de|lla