Na lição passada figurava em _boi_ e _boa_ a letra _o_ com um valor diverso
do que se infere de seu nome. É tempo de admittir essa novidade.
Nós temos julgado inutil dizer que o criterio fundamental da nossa prosodia
é—-_ler como se diz_: criterio sofistico, que não resiste á analyse mas que
felizmente a criança na sua simplicidade admitte de boamente. A criança
folga de rectificar uma leitura fundada no rigor dos dados, pelo que ouve e
costuma dizer. Um certo instincto prático, um sentimento de utilidade a
leva a achar muito bem fundado aquelle dictame futil. _Bói_ não se diz;
_bói_ não é nada, gostosamente corrige e diz _bôi_.
E o caso é que emquanto outros, acostumados a syllabas vãs, naturalmente
estropeiam as palavras mais logicamente escritas; o nosso alumno mettido
naquelle caminho prático, e habituado a intender sempre o que lê, tende
naturalmente a dar sentido e alma ás combinações da orthografia mais
duvidosa, achando uma palavra corrente.
Nós reservamos lições especiaes para as grandes variações de valor nas
vogaes; mas _ó_ e _ô_ não differem dum modo muito extranho.
Isto posto passemos ao _p_ que é irmão de _b_ no valor, e tambem se póde
dizer que na figura.
p
pai
pá pó pé
pu|a pi|a pi|pa
pa|pa pa|pa|va
pa|pa|da
pe|ta pa|ta
pa|ta|da
pi|ta pi|ta|da
to|pa
ta|pa ta|pa|va
ta|pa|da