Cada um tem as suas traças de facilitar o ensino, e ajudar o principiante
nas difficuldades. Nós temos achado util cobrir e descobrir
alternativamente o _v_ nas palavras _vai_, _via_, etc, fazendo ler ora
_ai_, ora _vai_ e assim o mais, a fim de certificar o principiante do papel
que o _v_ representa na escrita.
Deste ou doutro modo estamos que vos não enfastiou a lição passada, onde
pela primeira vez combinámos vogaes e consoantes. Mas que differença haverá
entre vogal e consoante, e porque iriamos nós ao fim do abecedario buscar o
_v_ para esse primeiro exercicio?
Quando dizemos _á_, soltamos essa voz da garganta; mas se dissermos _má_,
soltamos essa voz, despegando os labios; e se dissermos _mal_, despegamos
os labios ao soltal-a e no fim damos com a lingua no ceu da bôca.
Donde se vê que as palavras se compõem de _vozes_ e tambem duns _modos_ de
começar ou acabar a voz.
As vozes pertencem á garganta, e representam-se nas vogaes; os modos
pertencem aos orgãos mudos, como labios, dentes, lingua etc., e
representam-se nas outras letras.
Vai uma grande differença da voz, ao modo de começar ou acabar a voz; vai
portanto uma grande differença de vogal a consoante.
Mas esses modos, uns consistem num toque ou despego rapido, num simples
movimento, numa funcção instantanea que se póde repetir, mas que se não
póde prolongar, como succede nas seguintes palavras:
_b_o_c_a_d_o _g_o_l_i_lh_a _m_a_n_i_nh_o _pr_e_t_o
(_bqd_, _gl lh_, _mn nh_, _pr t_).
Outros consistem numa disposição em que a gente póde insistir o tempo que
quizer, como nas seguintes palavras:
_f_a_v_o _s_i_s_o _ch_á _j_a_rr_o
_f...v..._ _ç...z..._ _x...j...rr..._
Ora quando a voz é modificada com aquelles modos instantaneos, de sua
natureza improlongaveis, a voz e o modo constituem para o principiante uma
somma difficil de reduzir aos seus elementos, e portanto confusa: pelo
contrario quando o modo é prolongavel, o principiante demora-se na voz ou
no modo o tempo que lhe apraz sem falsear a syllaba, sem desfigurar a
palavra; e o papel que a consoante representa na escrita é evidente e
distincto. por exemplo, contando os pontos por momentos, podemos levar
cinco momentos a pronunciar, _v.....á_, ouvindo-se afinal perfeitamente
_vá_. O mesmo não acontece em _dá_, _cá_, _pá_, _lá_, etc.
Logo, por onde haviamos nós de começar, pelas consoantes contínuas ou pelas
consoantes instantaneas? É claro que pelas consoantes contínuas,
prolongaveis, que deixam ao principiante apreciar melhor os elementos da
syllaba.
Ora, dessas consoantes a menos equivoca, ou antes, a inequivoca, a unica
que não tem equivalentes, a mais perfeita em summa, é o _v_: começámos pelo
_v_.
Mas em que consiste o _v_, como se pronuncia o _v_?
Nós, mesmo com a bôca fechada, podemos fazer uma especie de gemido,
respirando pelo nariz; mas se, em logar de respirar pelo nariz, fazendo
esse gemido, respiramos por entre o labio inferior unido aos dentes de
cima, pronunciamos _v_...
Este som depende do folego emittido com certa força; sem essa força,
emittindo o simples folego e conservando a mesma posição de labio e dentes,
em logar de _v..._ pronunciamos _f..._
Ora havendo tanta analogia entre estes dois elementos, sendo o _f_ um _v_
abafado, soprado, silencioso, passemos do _v_ ao _f_.
f
fé
fui
fi|a fi|a|va
a|fi|a a|fi|a|va
fa|va