Iniciámos no mecanismo da escrita o principiante com grande e justa
maravilha sua. Elle percebeu, sentiu mais ou menos lucidamente o engenho do
homem, que estudando os sons de que as palavras se compõem, inventou para
cada som um signal, e depois, conforme a palavra consta de taes ou taes
sons, assim na escrita põe taes ou taes signaes!
Mas aqui vem a proposito admirar como esta arte fundada numa base tão
singela tenha sido o martyrio de tantos innocentes e passe ainda na opinião
das multidões por uma sciencia ardua!
É verdade que tal correspondencia não é perfeita; mas essa imperfeição
pouco embaraça os filhos do paiz sendo bem dirigidos. A criança, acostumada
a ler palavras, não lê por exemplo _tódo_ nem _môdo_; lê _tôdo_ e _módo_,
como tem dito e ouvido dizer. Assim tambem acha o valor das consoantes
caprichosas.
Vamos agora combinar com as vogaes uma das consoantes mais perfeitas que é
o _v_; porém não lhe haveis de chamar _ú-consoante_, que é uma falsidade, e
vai desmentir todas as combinações. Chamai-lhe, como se usa modernamente,
_vê_, ou ainda melhor, e por ora, chamai-lhe o que elle _vale_,
simplesmente _v_... pronunciando sem despegar o beiço inferior dos dentes
de cima, sem vogal, sem voz, o simples sopro aspero e sonoro.
Ensinai a proferil-o; e depois não tendes mais que ir apontando na palavra
successivamente as letras que ides lendo, demorando-vos na pronuncia de
cada uma o tempo que quizerdes, porque essa consoante é tão prolongavel
como as vogaes.
v
vá vai
vi vi|a viu
vi|vi vi|vi|a
vi|veu vi|va
u|va
vi|u|va