Ha quem pense que as cooperativas operarias podem concorrer
poderosamente para a extincção da miseria. Não somos d'esse numero. As
cooperativas, (e quando fallo em cooperativas, refiro-me particularmente
ás cooperativas de consumo) podem, quando muito, attenuar, e attenuam,
com effeito, as condições de existencia do proletariado. Mas d'ahi, a
resolver o problema da sua emancipação, vae um abysmo.
Quer isto dizer que tenham sido estereis todas as tentativas feitas para
manter e sustentar as cooperativas? De modo algum. Entre os que tudo
pedem e esperam da iniciativa das corporações operarias e os que tudo
esperam do Estado, entre os dois exclusivismos, ha um meio termo que
Malon synthetisava nas palavras de um velho proverbio: _Aide-toi, les
pouvoirs publics t'aideront._
Os esforços cooperativos e corporativos, do mesmo modo que a procura de
uma melhoria immediata, devem ter por alvo a educação administrativa e a
organisação dos trabalhadores, para se chegar á abolição do salariado,
com o concurso dos poderes publicos, influenciados primeiro e
conquistados depois.[3]
Tal era o programma do pae da cooperação, o illustre Robert Owen; mas
não foi esta a politica seguida pelos seus successores, que mutilaram a
ideia do mestre, fazendo da cooperação um _fim_, quando não é nem deve
ser senão um _meio_.
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