A COOPERAÇÃO DOS TRABALHADORES

COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE.--INSTRUCÇÃO E ASSOCIAÇÃO.--O

INTERNACIONALISMO.--AS COOPERAÇÕES OPERARIAS E ALGUNS DOS SEUS MAIS

DEDICADOS E FERVOROSOS APOSTOLOS.---CESAR DE PAEPE, ANSEELE, JEAN

VOLDERS, LOUIS BERTRAND.

A solidariedade operaria não é senão um resultado da cooperação. Disse-o

Cesar de Paepe, num discurso eloquentissimo, pronunciado no congresso

internacional cooperativo de Paris.

«Não ha, na Belgica, um Lassalle e um Schultze inimigos, exclamava o

illustre chefe do socialismo belga; ha sim! um partido operario que é,

ao mesmo tempo, cooperativista, republicano e socialista.»

E accrescentou:

«Os cooperadores belgas associaram-se sempre ás manifestações em favor

do suffragio universal.

«As nossas sociedades cooperativas não têem por fim realisar interesses

para alguns individuos, senão, ao contrario, desenvolver os sentimentos

de solidariedade entre os seus membros.»

A cooperação dos trabalhadores póde e deve tomar-se em dois sentidos

differentes: um sentido restricto e um sentido amplo e generico. No

primeiro caso, a cooperação limita-se a explorar as cooperativas

sociaes, quer sejam as de producção, quer sejam as de consumo, quer

sejam as de credito. No segundo caso, a cooperação estende-se alêm das

fronteiras e affirma-se pelo principio da solidariedade de classe, no

combate quotidiano contra o capitalismo e o industrialismo, em favor das

reivindicações operarias.

[Gravura: Cesar de Paepe]

Do mesmo modo que para todo o cidadão ha duas patrias--a patria onde

cada um exerce a sua actividade e essa outra grande patria, a que

estamos vinculados pelos nossos ideaes e pelas nossas aspirações, que se

chama humanidade; assim tambem a cooperação dos trabalhadores tem de

ser, ao mesmo tempo, nacional e internacional: nacional pela affirmação

da solidariedade operaria, em cada paiz, e internacional pela

affirmação da solidariedade com os companheiros de todos os paizes, de

todas as raças, de todas as religiões e de todas as linguas.

Da legislação internacional do trabalho, fizeram os socialistas o artigo

1.º do seu programma. O internacionalismo manifesta-se, a cada passo,

nas relações entre os povos. A facilidade de communicações tem

concorrido extraordinariamente para isso. Mas ao facto material da

rapidez nas viagens, devemos juntar o facto moral da transformação,

realisada nos velhos processos politicos e da corrente, cada vez mais

intensa e cada vez mais poderosa, das idéas modernas.

_Proletarios de todo o mundo, uni-vos!_ Era esta a divisa de Karl Marx,

e é esta a divisa do socialismo revolucionario.

Mas a verdadeira união só poderá conseguir-se pelas associações de

classe. No dia em que o proletariado tiver realisado este grande e

supremo _desideratum_, n'esse dia terá soado a hora da sua emancipação.

E deante do formidavel exercito, não haverá nem canhões Krupp nem

espingardas Kropateschaek que valham ou prevaleçam. Isto matará aquillo.

O proletariado organisado matará a realeza armada. O trabalhador vencerá

o soldado. O homem livre e consciente transformará o velho mundo,

enthronisando a paz e a justiça, no logar onde campeava a iniquidade e a

desegualdade social.

A beneficencia publica e particular, a caridade official e outros

palliativos de egual natureza, são impotentes para resolver o problema,

porque humilham aquelle que se pretende beneficiar, rebaixam os

caracteres, engendram a preguiça e entreteem a mendicidade.

Não se trata apenas, de soccorrer os pobres: o que se trata é de

supprimir a pobreza. E para isso é mister que a sociedade, em vez de uma

madrasta odienta, se converta em mãe protectora e disvelada; é mister

que a todos, sem excepção, seja garantido o direito á instrucção e o

direito ao trabalho, que são uma consequencia do direito á existencia; é

mister que a educação e os meios de produzir não constituam o privilegio

de uma minoria rica e favorecida da sorte; é mister, não só que todos

sejam eguaes perante a lei, senão tambem que todos sejam eguaes perante

a sociedade, pelo desenvolvimento physico e moral, pela posse dos

instrumentos de producção e pelo gozo do credito; é mister, emfim, que o

altruismo e a bondade se sobreponham ao egoismo e á crueldade das

modernas sociedades.

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O Primeiro de Maio · 第 40 / 101 题