_Das cÙrtes que se fizeram sobre o casamento d'El-Rei com a Rainha D.
Isabel, filha do Infante D. Pedro_
Como o Regente foi em Lisboa logo ordenou cÙrtes, que com solene
ordenanÁa de cidades e villas, e pessoas principaes do reino se fizeram
em Torres Vedras, onde alÈm d'outras muitas cousas, em que por bem da
Republica se entendeu, o Infante D. Pedro com fundamentos passados da
vontade d'El-Rei D. Duarte, e com a necessidade presente que disse, com
muita autoridade e eficacia requereu aos do reino outorga e
consentimento para El-Rei seu Senhor casar com sua filha, e o povo por
conhecer ser verdade o que apontava, e que em christ„os n„o havia por
ent„o mulher com que El-Rei t„o bem podesse casar como a seu estado e
honra cumpria, e assi movidos da humanidade e resguardo com que o pediu,
n„o sÛmente foram d'isso todos contentes, mas ainda para quando embora
tomasse sua casa lh'offereceram um rico presente. Pelo qual o Infante se
foi a Obidos, onde era El-Rei, e alli em dia da Ascens„o, · tarde, no
anno de mil e quatrocentos e quarenta e um, · vista de todos se
celebraram os esposoiros entre El-Rei e a Rainha, nas m„os de um Dai„o
d'Evora que servia El-Rei de seu fisico, entrando El-Rei em edade de dez
annos. E como os procuradores do povo acabaram de ser respondidos a seus
capitulos e requerimentos, se despediram.