_De uma embaixada d'El-Rei d'Arag„o e de Napoles que veiu ao Infante D.
Pedro sobre os feitos da Rainha_
Estando a Rainha no Crato, chegou a Santarem ao Infante D. Pedro com
embaixada d'El-Rei D. Affonso, Rei d'Arag„o e de Napoles, sobre cousas
da Rainha sua irm„, um Bispo de Segorve, pessoa em que havia muita
doutrina e grande auctoridade. E apontou alguns meios de concordia entre
ambos, o que o Regente por conselho que sobre isso teve, respondeu:
´Que para se tomar n'elles conclus„o boa e honesta, como esperava em
Deus que tomaria, era necessario a Rainha ser presente, ou ao menos em
algum logar de suas terras, com tal repouso e assessego que n„o
parecesse fugida. E para isso que elle antes de tudo se fosse · Rainha,
e como com ella em cada uma d'estas maneiras acabasse sua tornada, se
tornasse a elle. E que sobre isso se ajuntariam com elle os Infantes
seus irm„os, e os do conselho d'El-Rei nosso Senhor. E praticariam
·cÍrca dos meios apontados, e se concordariam por seu meio no que mais
honesto e de raz„o parecesse. E que se a Rainha n„o quizesse tornar, que
elle d'hi seguisse embora sua viagem e escusasse sua vinda mais a elle.ª
Ao Bispo pareceu bem o motivo do Regente, e com isso se foi · Rainha; a
qual porque n„o approvou nenhuma das cousas que lhe aconselhava, se
despediu d'ella e se partiu para seu Rei sem conclus„o certa do porque
viera.