_Da contradiÁ„o e mudanÁa que houve n'este acordo_
Fez-se este acordo entre estes senhores pela manh„, no qual dia os que
eram ajuramentados, em especial o Arcebispo de Lisboa, por meio de seus
meios, que dentro trazia, souberam logo da falla que a Rainha e o
Infante houveram; e, como ficaram ambos d'acordo, do que lhes muito
pesou, e em especial se disse, que desprouvera muito ao conde de
Barcellos, que desejava e procurava entre elles haver desacordo, por se
n„o aceitar o casamento de El-Rei com a filha do Infante, esperando com
a vinda do Infante D. Jo„o · cÙrte, que El-Rei casasse com sua filha,
como atraz se tocou.
E ao outro dia, sendo ante a Rainha juntos alguns d'estes Principaes
seus servidores, lhe pergunt·ram em que maneira se concord·ra com o
Infante. E a rainha lhes disse que era bem concordada; e que por assi
ser dava graÁas a Deus, dizendo-lhe logo a concordia em que ficaram, e
as causas e razıes porque ella devia ser, e era d'isso contente. A qual
cousa lhe logo todos desdisseram; e que fÙra n'isso muito enganada, e
seu estado muito abatido; e que ainda err·ra fazer nada em cousa
semelhante sem primeiro lh'o fazer saber, ao menos para a aconselharem,
afeando tal concerto com razıes e inconvenientes assi cÛrados, e t„o
aparentes, que a Rainha, vencida d'elles, creu que em fazer tal acordo
n„o podera fazer cousa em todo mais errada. Pelo qual logo alli lhe
fizeram tomar outra determinaÁ„o contraira · em que fic·ra com o
Infante; e que todavia se afirmasse ella sÛ reger sem outra ajuda; e,
quando n„o podesse com alguma parte do regimento, que de sua m„o a dÈsse
e encarregasse a quem sentisse que havia de servir e fazer sua vontade.
O que n„o ficou logo por saber ao Infante D. Pedro.