POR JOÃO FELIX BIMANE DA ORDEM DOS PRIMATAS SEGUNDO DARWIN E LAMARCK

* * * * *

O _Tribuno Popular_, folha democratica de Coimbra, referindo-se em um

notavel artigo á recente viagem áquella cidade do S.M. o sr. D.

Fernando, escreve estas linhas:

_«N'este intervallo a sr.ª condessa de Edlla, e o sr. infante duque de

Coimbra, acompanhados pelo sr. visconde do Seiçal e João José de Mello,

emprehendiam um passeio notavelmente pittoresco. Dirigiram-se ao caes,

entraram n'um pequeno barco, e seguiram rio acima, admirando estas

formosissimas margens, então realçadas pela luz do luar, e animadas pela

orchestra de mil rouxinoes que de ambas as margens pareciam advinharem

os espectadores nocturnos que os escutavam.»_

Poderosos ceos! Que teriam feito os rouxinoes para que se entendesse que

elles tinham advinhado «os espectadores nocturnos que os escutavam?!»

Cantaram o hymno da carta? Deram vivas á real familia? Perguntaram por

Melicio?...

Por Deus! que o _Tribuno Popular_ nol-o diga! Queremos pedir para o

peito d'esses passarinhos a commenda de S. Thiago.

Emquanto aos srs. viscondes do Seiçal e João José de Mello, estamos

certos de que não deixaram ficar a côrte endividada com a patriotica

manifestação dos rouxinoes do Choupal. Sim, ss.ex.'as seguramente

responderam aos rouxinoes, desentranhando-se por sua parte nos mais

ternos pios, nos mais vigorosos gorgeios ... Oh! nós conhecemos a fidalga

bizarria de ss.ex.'as, Pela parte que nos toca não podemos deixar tambem

de mandar um garganteado reconhecido ás avesinhas do Mondego. Ora pois:

_có, có ró, có!_ por Lisboa agradecida.

* * * * *

Sempre que em cada anno se celebra na cadeia do Limoeiro a ceremonia da

communhão aos presos, o senhor procurador regio convida a imprensa a

assistir a essa solemnidade, e a imprensa publica no dia immediato que a

cadeia está no maior aceio e que o senhor procurador regio é digno dos

maiores elogios. Porque? Porque commungaram os presos.

* * * * *

Ha dias lemos que a casa de detenção da comarca de Lisboa estabelecida

no antigo convento das Monicas estava no dito «maior aceio» e que o

mesmo procurador regio era digno dos referidos «maiores elogios.» Razão:

Tinham commungado os presos.

* * * * *

Ora é bom que o publico saiba de quando em quando o que são as prisões

portuguezas--quando os presos não commungam.

Nós visitámos a casa de detenção--antes da oitava da Paschoa. Eis o que

vimos:

* * * * *

Um predio frio, humido, abafado, sem ar e sem luz, espessas paredes e

pequenas janellas, a clausura mais estreita, mais escura, mais humilde.

Era no inverno. As paredes rebocadas de novo tinham grandes manchas

humidas, esverdeadas. O sol não penetrava em parte alguma do edificio.

Uma impressão de bolor e um ar em que se sentiam, resfriadas e fixas, as

exhalações peculiares da miseria, a atmosphera das enxovias

deshabitadas, as reminiscencias olphaticas dos cheiros emanados das

vasilhas de lata em que houve caldo e dos vestidos quentes dos mendigos

que apanharam chuva.

Era um domingo. Os rapazes detidos no estabelecimento, na promiscuidade

de todas as edades desde os seis annos até aos dezeseis, estavam juntos

em um estreito pateo interior, na sombra--porque tambem ali não chegava

o sol--frios, com as mãos nos bolsos, encostados aos muros, sentados ou

deitados no chão. Ninguem os vigiava. Elles porém estavam quietos--como

um rebanho no curral. Alguns tinham escrophulas. Outros tinham os olhos

doentes e os cantos da bocca feridos. Eram todos magros, pallidos,

anemicos, tristes.

Perguntamos-lhes por que esperavam. Não esperavam nada. Estavam ali. Que

faziam? Coisa nenhuma. Porque não cultivavam a quinta annexa ao

edificio, metade da qual estava cheia de hervas inuteis? Porque os não

deixavam: havia um hortelão. Porque não iam pelo menos passeiar na

quinta? Porque era prohibido. Não havia uma gymnastica? Não a havia. Não

havia de todos esses regimentos da guarnição de Lisboa um musico que aos

domingos lhes ensinasse rudimentos de musica para que tivessem uma

charanga? Não havia. Hão havia, pelo menos, um cabo de esquadra que os

fizesse marchar ao som de um tambor e lhes ensinasse o exercicio

militar? Não havia. Não havia, emfim, terra que remover, pedra que

acarretar, lenha que partir, um pau sequer espetado no chão para

treparem n'elle, uma escada de mão posta ali para subirem e descerem

por ella, uma occasião, um motivo, um pretexto, uma desculpa qualquer

para que esses infelizes pequenos se bolissem, se movessem, tivessem

alguma distracção, fizessem algum exercicio? Nada, absolutamente nada.

As lages do pateo interior da casa, pouco menos estreito que um saguão,

coberto de sombra e de frio e sobre as lages os pequenos. Era assim que

passavam os domingos.

* * * * *

Nos dias de semana trabalham em officinas terreas, sem soalho,

extremamente humidas, no mesmo pateo em que jazem nos domingos. Uns são

alfaiates, outros sapateiros, outros esparteiros. Ha sobre isto uma

escola de instrucção primaria. Não aprendem mais nada. Nada mais se lhes

ensina.

Este instituto tem uma missão especialmente moralisadora. Não ensina

moral.

Tem por fim punir e evitar as contravenções da lei. Não ensina a lei.

Tem a obrigação restricta da catechese. Não ha na prisão um padre, um

capellão, um perceptor.

Aos domingos um sacerdote diz missa e retira-se. Por essa razão entre as

attribuições dos chaveiros lemos esta disposição: «Obrigará os presos a

benzerem-se.»

Teem duas refeições por dia. Ao almoço arroz e feijões. Ao jantar

feijões e arroz.

Carne fresca ou salgada, de boi, de carneiro ou de porco nunca comem.

Nunca bebem vinho.

O rancho é fornecido pela cosinha do Limoeiro. Isto precisa de ser dito

duas vezes. O rancho é fornecido pela cosinha do Limoeiro. É o _menu_ da

enxovia. Se é mau na cadeia, imagine-se o que poderá ser na casa de

correcção!

* * * * *

Dormem, aos grupos de oito, em camaratas, onde ha, em cada uma, oito

camas e uma latrina.

Na camarata não ha luz. A porta é fechada por fora á chave.

Não ha vigilancia alguma durante todo o espaço de tempo que decorre

dentro d'aquellas podridões, desde que anoitece até que rompe o sol.

Apenas, fora do corredor que dá passagem para os dormitorios, dorme um

guarda no seu quarto. Este guarda teve a bondade de nos dizer que,

sempre que havia desordens nas camaratas, elle intervinha com o rigor da

sua auctoridade por isso que, concluiu elle, _quem dá o pão dá o

ensino_.

Cremos piamente que este guarda está convencido de que quem dá o pão em

Portugal á infancia criminosa é elle. O ensino pelo menos é exclusivo de

sua mercê.

* * * * *

A direcção geral da prisão está confiada a um homem que não sabemos quem

é, nem quem foi, nem quem poderá vir a ser. O que sabemos, e isso nos

basta, é que esse director ganha--cinco tostões por dia!

* * * * *

Eis a physionomia da casa de detenção da comarca de Lisboa, contornada a

traços mathematicos, sem commentarios, sem emphase, sem exclamações

doloridas ou sentimentaes, nenhum toque artificial de luz ou de sombra

que possa alterar a exacção rectilinea do quadro!

Para isto não ha pedir reorganisação ou reforma. Não se trata de uma

velha instituição apodrecida pelos annos. É uma creação nova, que tem

apenas alguns mezes de existencia. Dá a medida exacta das forças de

sciencia, de civilisação e de moral que o paiz se acha officialmente

habilitado para dispender, no dia de hoje, em favor do progresso. Não se

póde por em quanto pedir mais nada ao paiz! Eis a sua mais recente prova

de capacidade! Eis tudo quanto elle sabe do direito criminal, da hygiene

physica e moral das prisões, das modernas colonias penitenciarias, da

educação intellectual, da educação moral, da educação religiosa, dos

deveres phylantropicos do Estado, da missão paternal do poder para com

os orphãos, da organisação do trabalho infantil, de todas as questões

finalmente ligadas á creação de um estabelecimento penal da ordem

d'aquelle a que nos referimos.

O povo, tranquillo e satisfeito, lê as folhas baratas cheias de elogios

estolidos ás mais viciadas e perniciosas instituições do paiz, e

julga-se fielmente levado para a mystica terra da promissão pelos homens

que o governam e pelos homens que o instruem. De todo o tempo esteve na

tendencia popular esta profunda fé na simplicidade ignorante. Os

primeiros cruzados que foram á Terra Santa queriam ter por guias uma

cabra e um pato; os Sabinos baixaram das suas montanhas conduzidos por

um picanço; Cadmus foi á Beotia levado por uma vacca. Em Portugal João

Felix, no livro; Melicio, no jornal; e o sr. procurador regio na casa

das Monicas, dirigem os espiritos e guiam as consciencias para o ideal.

A opinião obedece-lhes.

* * * * *

Vemos em uma conta official que nas obras feitas no convento das Monicas

para adaptar o edificio ao fim a que elle hoje se destina, se gastaram

seis contos de réis. Junte-se esta quantia á de quinze contos, preço

minimo porque poderia ser vendido o convento e quinta annexa e ter-se-ha

mais que o sufficiente para fundar em qualquer baldio da Extremadura ou

do Alemtejo uma exemplar colonia agricola penitenciaria.

Seis contos de réis, só em obras n'um edificio torto, absolutamente

impossivel de adaptação ás necessidades do trabalho, da educação e da

hygiene!...

Mas é um desperdicio, que revela a ignorancia mais crassa em similhantes

assumptos. Na magnifica colonia agricola de Mettray, perto de Tours, em

França, as creanças presas estão divididas por edades e repartidas por

casas inteiramente separadas e independentes. Cada uma d'estas casas,

de 12 metros sobre 6,66, consta de um pavimento terreo e de dois

andares. Na sala do rez do chão está estabelecida a officina. Em cada um

dos dois andares ha uma sala, que serve successivamente de dormitorio,

de refeitorio, de sala de estudo, de sala de recreação nos dias de

chuva, e em caso de necessidade de escola. Dois travessões presos ao

muro por uma dobradiça em uma das suas extremidades estão levantados ao

longo da parede dos dois lados da porta de entrada. Quer-se preparar o

refeitorio, a classe, a sala de estudo? Descem-se estes dois travessões

e suspendem-se no muro fronteiro, ficando assim firmes, na altura de uma

mesa, aos dois lados da porta, e a todo o comprimento da sala; em

seguida descem-se das paredes lateraes pranchas de madeira fixadas

n'ellas por meio de dobradiças como os travessões; estas pranchas presas

ao muro por um lado prendem-se pelo lado opposto ao travessão por meio

de uma cavilha; e estão promptas as mesas. Os bancos levam-se da

officina. Se se quer armar o dormitorio, em vez das pranchas com que se

formam as mezas, descem-se dos muros as macas em que se fazem as camas.

Ao fundo de cada um d'estes dormitorios ha um quarto aberto para a sala

em que dorme o chefe da secção, secundado pelo contra-mestre. Os

contra-mestres estão alternadamente de quarto no dormitorio, de modo que

durante a noite passeia constantemente um guarda no espaço que medeia

entre os dois travessões de que fallámos.

Cada um d'estes pequenos predios contendo quarenta e tres pessoas,

custou, incluida toda a mobilia, um relogio, toda a roupa de camas, e

toda a loiça de lavatorio e limpeza, 8:300 francos, isto é: 1:494$000

réis.

Tres dos predios descriptos seriam muito mais que o sufficiente para

recolher todos os presos actualmente existentes na casa de detenção das

Monicas.

Temos portanto que em Lisboa se gastam seis contos unicamente em reparos

n'um velho edificio monstruoso, quando em Tours se funda para 120 presos

um estabelecimento completo, se construe um edificio modelo, provido

inteiramente de louça, de roupa e de mobilia, por menos de quatro contos

e quinhentos mil réis!

* * * * *

Em quanto ao regime e á organisação interna do estabelecimento

portuguez quasi tudo o que existe é erro.

Os presos não cultivam a quinta. Deviam cultival-a. Formar-se-hiam assim

hortelões e jardineiros.

Não cosinham, não tecem o estofo dos seus vestidos, não cozem o pão das

suas rações, não fazem a mobilia das suas casas. Tudo isso deveriam

aprender. Era facil, era economico, era moralisador, dava aos presos

novas aptidões, ensinando-os a padeiros, a tec-lões e a cosinheiros,--as

noções mais essenciaes á vida.

Não aprendem musica. Deviam aprendel-a. Uma charanga á frente de cem

rapazes em marcha faz d'elles cem homens.

Não teem uma bomba de incendios. Deviam tel-a, deviam saber manobrar com

ella. Devia-se conceder como um premio aos de melhor procedimento,

levarem a bomba aos incendios, permittindo-se por este modo aos

condemnados a faculdade de se rehabilitarem sacrificando a sua vida

pelos seus similhantes.

Não ha uma mulher dentro da prisão. É uma enorme falta para as

desgraçadas creanças de oito a doze annos. A cozinha, a lavanderia, a

enfermaria, a rouparia, coisas que alli não existem senão nominalmente,

deveriam organisar-se de um modo effectivo com o trabalho dos presos e

sob a direcção das irmãs da caridade portuguezas, que encontrariam assim

um emprego elevado e digno do seu tempo.

Só as mulheres sabem aconselhar as creanças, convencel-as da virtude; e

cumprir esta missão é mais bello e é mais meritorio perante a sociedade

e perante Deus do que mendigar por entre velhas fidalgas devotas,

embiocadas e inuteis, o pão de cada dia.

Os presos isolados no carcere celular estão na mais absoluta ociosidade

fechados n'um quarto escuro. Não ha nada que mais desmoralise, que mais

definhe e que mais corrompa. N'estes casos os rapazes deveriam ser

obrigados a rachar lenha ou a britar pedra--os exercicios mais saudaveis

para os musculos de quem está parado.

Finalmente a casa de detenção das Monicas não é sómente a negação do que

devia ser, é mais do que isso, é a affirmação contradictoria de todos os

principios oppostos aos principios verdadeiros.

Tal qual está constituido este estabelecimento, temol-o por um foco de

apodrecimentos humanos, um seminario de vicios torpes e secretos, um

curso accelerado de preparatorios infalliveis para o Limoeiro, para o

hospital, ou para o cemiterio.

* * * * *

Uma derradeira observação:

A maior parte dos presos detidos na prisão correcional das Monicas são

cumplices do crime de vadiagem.

Ora sendo aquelles presos todos menores, não tendo uma familia, não

tendo um officio, não sabendo ler nem escrever, com que direito os pune

por não trabalharem o Estado, que lhes não dá trabalho?

Que quer o estado que sejam esses pequenos para não serem vadios?

Quer que sejam medicos, tenentes coroneis, conselheiros do tribunal de

contas, escriptores publicos, capitalistas ou banqueiros?

Vamos! respondam-nos! Estamos interrogando sob o caracter mais digno de

attenção e de respeito de que se pode alguem revestir. Somos n'este

momento os interpretes inviolaveis e sagrados da infancia orphã,

desvalida e desamparada. Fallamos em nome de um pequeno que não quer ir

para a prisão das Monicas comer os feijões frios do Limoeiro, no que

está inteiramente no seu direito. É um innocente.

Todavia ninguem o chama para fazer artigos nos jornaes, ninguem o quer

para commandar a Municipal, ninguem o incumbe de tratar uma molestia, de

deffender uma causa, de montar uma fabrica ou de construir um navio.

Nenhuma viuva rica lhe offerece a sua mão de esposa. Os agiotas quando

elle passa levantam as bengalas e rangem os dentes. Não tem uma ponta de

trabalho nem um bocado de pão. Finalmente é um vadio. Agora o que elle

deseja saber é o seguinte:

O que é que o Estado lhe dá licença que seja desde o momento em que lhe

prohibe ser o que é.

Espera-se resposta.

* * * * *

A _Republica Portugueza_, jornal de Coimbra, exproba-nos a indifferença

que temos pela questão politica e pela forma do governo em Portugal, e

dirige-nos as seguintes textuaes perguntas:

1.ª «A redacção das _Farpas_ quer a resolução do problema economico,

quer que se preoccupem os animos com a questão social; mas sempre

quereriamos saber como isso se podia realisar, quando a formula politica

é insufficiente para garantir o direito?»

2.ª «O problema social em sua maior amplitude é a realisação pratica da

justiça, e sendo a fórma do governo o meio adquado á sua realisação em

uma dada epoca, como poderá haver quem imagine a resolução dos

principios da justiça actual em uma fórma de governo de ha dois

seculos?»

* * * * *

Temos a honra de responder á _Republica Portugueza_:

1.º Aquillo que a _Republica Portugueza_ chama a _formula politica_ não

é insufficiente em Portugal para garantir o direito que cada um tem de

estudar e resolver o problema social; essa questão póde-se tratar, com

todas as garantias da liberdade, nos livros, nos jornaes, nas camaras,

no governo; a unica razão que obsta a que isto se faça é apenas a

incapacidade intellectual ou moral dos que tinham obrigação de fazel-o.

Depois de estabelecida e firmada a liberdade politica aproximadamente

perfeita como ella existe em Portugal, a sociedade nada mais tem que

pedir ao principio politico; a sua obrigação é organisar as suas forças

industriaes e economicas e o seu systema moral para conseguir, dentro da

liberdade que tem, duas coisas de que carece: riqueza e virtude. Dada a

liberdade, a questão politica nada mais tem que dar ao povo; se elle

pede ainda á fórma de governo o remedio da sua corrupção e da sua

miseria, isso não prova senão uma triste coisa: é que o povo não está na

Revolução, está apenas na inepcia.

2.º A resolução dos principios da justiça cabe em todas as formas de

governo. Turgot, ministro de Luiz XVI, no tempo da monarchia feudal

queria exactamente isso: a resolução dos principios da justiça. Sabe a

_Republica Portugueza_ quem foi que impediu Turgot? Foi o povo. Não

somos nós que o dizemos. Proudhon, cuja auctoridade suppomos que a

_Republica Portugueza_ não terá por suspeita, exprime-se n'estes termos:

«Esse reformador rigorista, traido pelo povo, queria todavia a

_revolução_--tomada de alto, feita sem estrepito, consumada quasi sem

revolucionarios.»

Ora aqui tem a _Republica Portugueza_ como ha quem imagine, a solução

dos actuaes principios revolucionarios em uma forma de governo de ha

dois seculos. Quem teve a petulancia de imaginar isso, sem a previa

licença da _Republica Portugueza_, foi Proudhon.

* * * * *

Depois de nos fazer as suas perguntas, a _Republica_ tem a bondade de

nos dar os seus conselhos. As perguntas satisfizemos-lh'as. Os conselhos

não lh'os acceitamos. A ingenuidade pueril das interrogativas que a

folha conimbricense nos dirige, annulla a competencia das admoestações

que nos faz.

* * * * *

O folheto brazileiro intitulado _Duas palavras aos leitores das Farpas_,

ultimamente publicado e distribuido em Lisboa a milhares de exemplares,

tem por objecto contestar por meio dos processos aliás mais urbanos e

mais comedidos, a verdade dos factos que asseverámos ácerca da sociedade

e da civilisação do Brazil em um artigo consagrado á emigração

portugueza para aquelle imperio.

Se o escriptor brazileiro a quem temos a honra de responder tivesse

conseguido o poder alliar o alto espirito de amor patriotico, de que se

diz dominado, com a prudencia de discutir simplesmente o criterio das

nossas conclusões e não a verdade dos factos em que ellas se baseiam,

nós não teriamos duvida em estender affectuosamente o nosso silencio aos

pés triumphantes d'este sympathico patriota.

Como, exactamente pelo contrario,

São as nossas illações o que no dito libello se não contesta, e é a

verdade dos factos citados o que se combate, denunciando-nos como

fabricadores de aleives historicos phantasiados com o fim expresso de

ridicularisar o grande imperio,--o que se parece demasiadamente a nossos

olhos com a denegação da nossa probidade e com a suspeita de que

mentimos,

Soffrerá o auctor do folheto citado que nos permittamos fazer-lhe

sentir, em algumas linhas rapidas, que as _Farpas_ não são inteiramente

uma creação poetica e phantasista.

Não, nós não temos o distincto prazer artistico de ser _As fabulas de

Florian_, nem tão pouco os _Contos de Perrault_.

* * * * *

Examinemos a qualidade dos argumentos com que o opusculo a que nos

referimos tem a bonhomia de suppôr que nos desdiz. Tomemos tres dos

pontos mais importantes para a civilisação do Brazil: _A producção e o

commercio, a instrucção publica, o trabalho e a industria_.

* * * * *

Emquanto á producção e ao commercio nega o auctor que o valor annual das

substancias alimenticias importadas pelo Brazil seja, como nós

affirmamos, equivalente ao da quarta parte da sua exportação. Para este

fim dá-nos a estatistica da importação das substancias alimenticias

durante os ultimos annos, attesta que ella é inferior e não equivalente

á quarta parte do valor exportado; com tal fundamento accusa-nos de

fabricarmos puras invenções; e depois de tres paginas de recriminações

acerbas, conclue assim:

«Não quererão decerto considerar como substancias alimenticias o vinho,

o chá, o café, o azeite, as bebidas espirituosas e fermentadas etc.,

porque essas sim talvez reunidas áquellas (peixes, carnes, farinhas,

manteiga e sal) dessem essa tal quarta parte da exportação.»

Quer isto dizer:

O Brazil não tem duvida em nos convencer de tudo o que se pretenda a

respeito do estado em que se acham as suas forças productivas, bem como

a proporção existente entre a exportação e a importação no seu

mercado--com uma simples condição--e é: que se lhe concedam alguns

pontos de partido na arithmetica do seu calculo. Trata-se, por exemplo,

da importação de substancias alimenticias no valor de trinta mil contos

annuaes; deseja o Brazil, afim de nos convencer de que illudimos a

verdade, que a dita importação seja apenas de dez mil contos ... Nada

mais simples! O Brazil vae juntando successivamente as suas parcellas de

substancias alimenticias importadas até chegar á prefixada somma dos dez

mil contos. D'essa quantia para cima o Brazil começa a considerar as

substancias alimenticias, como não sendo--substancias alimenticias.

Registrou a importação do sal, da manteiga, da farinha, dos peixes e

das carnes, e achou dez mil contos; faltava-lhe, é verdade, registrar

ainda o vinho, o chá, o azeite, as bebidas fermentadas, o vinagre, as

fructas, os legumes etc; o Brazil porém espera que nós consideremos

estas coisas como não sendo generos alimenticios. Elle pede-nos isto,

espera isto de nós, e, para nos convencer de que estamos no erro mais

vil e mais torpe, elle não quer outras armas! não precisa senão d'isto:

que se lhe admitta que o vinho não é senão, por exemplo, simples

_producto de gutta-percha!_ o chá, o azeite, o vinagre, a cerveja ...

puros _tecidos de algodão!_ os queijos, os alhos, as cebolas, os figos,

as passas ... mera _perfumaria!_

* * * * *

Pelo que respeita á instrucção publica, diz-nos que o numero dos que

sabem ler não está, como nós dissemos, na proporção de 1 para 90

habitantes, mas sim na de 1 para 68. Sómente na estatistica official de

que se extráe esse dado, o governo brazileiro não conta, como homens que

habitam o Brazil, os escravos, cujo numero pode todavia ser calculado em

cerca de tres milhões, não diremos de habitantes, mas, emfim, de

cabeças. O auctor accrescenta ainda, para nos convencer dos progressos

da instrucção no Brazil que as escolas de instrucção primaria que ali

existem são na proporção de--1 para 3:021 habitantes _livres_; além do

que ha ainda no Rio de Janeiro varias corporações scientificas e

sociedades sabias, entre as quaes _As duas palavras aos leitores das

Farpas_ nos citam as seguintes: _associação commercial, sociedade

musical de beneficencia, sociedade auxiliadora da industria, associação

typographica, instituto pharmaceutico_, e finalmente a famosa

_associação dos guardas livros, sociedade jockey-club, tendo por fim

promover o melhoramento da raça cavallar_.

É realmente indigno, em vista de similhantes factos, que alguem se

tivesse lembrado, como nós, de deplorar a defficiencia da illustração no

Brazil, onde ha uma escola para cada 3:021 habitantes _livres_, e vinte

_sociedades sabias!_

Que nos perdoem os grandes propagadores da sciencia, que nós

desconheciamos antes da publicação d'este folheto! Que nos perdoem os

senhores musicos, os senhores typographos, os senhores pharmaceuticos, e

sobretudo suas senhorias os senhores guarda-livros do _jockey-club_,

encarregados do melhoramento da raça cavalar!

No tocante á industria, aos dados da estatistica official que nós

publicamos e dos quaes se deduz que tal ramo da actividade humana é

quasi nullo no Brazil, oppõe o nosso contendor as seguintes animadoras

palavras extrahidas de um _Retrospecto commercial de 1872_, publicado no

_Jornal do Commercio_:

«Em quanto a emigração nos não trouxer levas sobre levas de operarios e

de artistas, a industria manufactureira conservar-se ha como que

apertada em um circulo estreito.»

Logo: nós inventamos os factos para «achincalhar» o imperio. A

estatistica official da qual copiamos que em 1859 o numero dos

industriaes brazileiros era apenas o da quinta parte dos industriaes

extrangeiros residentes no Brazil, é falsa. A verdade suprema ácerca da

industria indigena na America brazileira é que: É enorme e poderosissima

a força expansiva do seu desenvolvimento. E tanto que, segundo os seus

mais enthusiastas apologistas, ella vive «como que apertada em um

circulo estreito.»

Do que tão clara e positivamente expuzemos ácerca da organisação

viciosissima das differentes colonias agricolas no Brazil, das

atrocidades pavorosas da feitoria do Mucury, dos textos tão expressivos

que sobre este ponto reproduzimos dos relatorios enviados aos governos

da Suissa e da Alemanha pelos seus delegados no Brazil os srs. Tschudi e

Avé-Lallemant, acha bem o auctor das _Duas palavras aos leitores das

Farpas_ não discutir nem contestar palavra nenhuma. Diz-nos apenas que

pediu sobre esse assumpto, o mais importante do nosso artigo,

informações officiaes, que publicará logo que lhe cheguem do Rio de

Janeiro.

Se espera esclarecimentos que desmintam os factos que nós referimos, não

os terá nunca. A verdade é unicamente o que dissemos. As _Farpas_ não

fizeram mais do que historiar realistamente, sem declamações e sem

objurgatorias, as causas que levaram a Suissa e a Baviera a prohibirem a

emigração para o Brazil, e a proclamarem officialmente como catastrophe

a colonisação agricola do solo brazileiro por trabalhadores europeus.

Em refutação do que affirmamos sobre a frequencia dos casos de alienação

mental no Rio de Janeiro, diz-nos a obra que analysamos e estamos

transcrevendo nas suas mais importantes partes, que apenas consta ao seu

auctor um facto isolado em abono da nossa affirmativa, sendo certo por

outro lado, segundo elle mesmo assevera, que no Rio de Janeiro existe um

hospital de doudos sumptuosissimo e talvez no seu genero o primeiro

estabelecimento do mundo.

Ora, para aniquilar inteiramente a opinião de que é grandissimo o numero

de alienados no Rio de Janeiro, não basta dizer-se-nos que um vastissimo

e monumental hospicio de doudos existe n'aquella côrte; importaria

certificar tambem que as pessoas que enchem esse edificio estão--em

pleno uso das suas faculdades.

O que no entanto se nos não põe em duvida é que esse hospital está

muitas vezes cheio. Pois bem, n'esses casos, um nosso compatriota

alienado,--como a colonia portugueza não possue estabelecimento especial

para o receber--é recolhido na cadeia.

Lembra-nos que, ha cêrca de um anno, lêmos em um jornal a noticia de um

d'estes casos; o portuguez doudo, recolhido na cadeia por falta de outro

asylo estava á disposição do nosso vice-consul na Praia Grande. Este

facto basta para nos indicar qual é a praxe seguida com os portuguezes

pobres atacados de alienação mental. É natural que existam mais casos da

natureza do que citamos; nós desconhecemol-os, porque nunca tivemos a

vantagem de visitar o Brazil, não recebemos informações nem suggestões

de ninguem que ali esteja ou tivesse estado: os nossos conhecimentos a

respeito do imperio americano são o resultado da leitura dos poucos

documentos officiaes publicados em Portugal e dos escriptos de alguns

viajantes suissos, allemães e francezes. Se não adoptamos, em vez do

testemunho d'estes viajantes o que nos podessem ministrar escriptores

brazileiros, a razão é unicamente que os publicistas do Brazil, tão

sonoros na poesia, são inteiramente mudos na critica que nos instrua do

estado da civilisação na sua patria.

* * * * *

Tocaremos tambem o ponto em que o auctor do opusculo brazileiro

contraria a nossa opinião ácerca da inanidade diplomatica do sr. Mathias

de Carvalho, actual ministro portuguez junto de S.M. o imperador do

Brazil, com o fundamento de que este funccionario tem sabido sempre no

seu cargo captivar inteiramente os applausos da nossa colonia.

Se um diplomata deve ser julgado pelos seus actos em serviço do paiz que

representa e não pelos applausos que o seu publico lhe confere, o actual

ministro portuguez no Brazil é uma pessoa extremamente sympathica, mas

inutil. Conseguiu um tratado de extradicção, cuja historia se acha

resumida nas seguintes datas que extrahimos do _Livro Branco_: Em 7 de

junho de 1859--começa a negociação o encarregado de negocios interino no

Rio de Janeiro. No fim do mesmo anno--prosegue o sr. Mathias de

Carvalho. Em dezembro de 1871--principia negociações para um egual

tratado o encarregado de negocios do governo hispanhol. Em abril de

1872--terminam as negociações com a Hespanha. Em junho de 1872--é

assignado o tratado com Portugal. O diplomata hispanhol consegue em

quatro mezes o que o ministro de Portugal só pôde alcançar em tres

annos! E ainda se não fez nem o tratado de commercio nem a convenção

postal, nem a convenção litteraria!

Se, pelo contrario, não são os actos do funccionario, mas sim os

applausos do publico que determinam os merecimentos do diplomata, n'esse

caso achamos preferivel ao sr. Mathias de Carvalho--a sr.ª Emilia

Adelaide.

* * * * *

Por ultimo declaramos ao auctor do folheto intitulado _Duas palavras aos

leitores das Farpas_, aos leitores das _Farpas_, e ao mundo, o seguinte:

1.º Nem um só, nem um unico facto asseveramos a respeito do Brazil, que

antes de nós não tivesse sido clara e positivamente affirmado na

imprensa da Alemanha, da Suissa e da França, por differentes viajantes,

entre os quaes citamos especialmente como fonte de todas as nossas

informações os srs. Adolphe Dacier, Waldemar Schultz, Elisée Reclus,

Tschudi e Avé-Lallemant. Os leitores decidirão quaes affirmações merecem

mais fé: se as que são feitas pelos viajantes citados, em livros

propriamente scientificos devidamente assignados, e em relatorios

especiaes apresentados pelos auctores aos governos dos seus respectivos

paizes; se as que nos são propinadas no libello intitulado _Duas

palavras aos leitores das Farpas_, por um patriota brazileiro ... e

anonymo!

2.º Não estamos resolvidos a subordinar a opinião de que nos acharmos

convencidos, nem á vontade, nem aos conselhos, nem ás ameaças de

ninguem. Se Deus não fosse a absoluta verdade, a verdade estaria acima

de Deus. Como querem então que a prostremos debaixo dos _syllabus_ do

Catete ou das _bulas_ da rua do Ouvidor?!

* * * * *

Se porém, apezar de tudo isto, a joven America brazileira se parece

tanto com a rainha Fulvia que lhe seja absolutamente preciso para a sua

felicidade varar-nos a lingua com o seu prego de oiro, como fez a Cicero

a mulher de Marco Antonio, que a America se não incommode a escrever

para isso mais folhetos. Venha o prego. Aqui está a lingua.

* * * * *

As «corridas» do Campo Grande--Extraordinario successo de dandysmo!

Não assistimos, mas lemos que esteve o _high-life_, o famoso

_high-life_, com o qual temos sempre o infortunio de nos desencontrar!

Estamos todavia d'aqui a vêl-o, a imaginal-o, rico, elegante, bello, no

Campo Grande, em volta do lago--o _high-life_ ...

A aristocracia nos seus _landeaux_, com enormes cocheiros gordos, de

barrigas de pernas phenomenaes e bizarras.

A alta finança em carroagens de posta com os senhores na almofada, e os

creados, recamados de galões de ouro, dentro da berlinda, immoveis,

empoados, descobertos, com os tricornes na mão.

Os diplomatas, nedios, sorrindo na doce bestialidade espirituosa de quem

sente no paladar os succos perfumados de uma aza de codorniz _truffada,_

repimpados em _daumonts,_ com uma _carvajal_ nos beiços e uma marta

zibelina debaixo dos pés.

A galanteria, com as suas representantes de cabellos côr de manteiga e a

pelle especial dos estranhos climas do _cold-cream,_ da decocção indiana

aromatica e tonica, e da balneação mucilaginosa do leite de morangos e

de _ess-bouquet,_ dentro dos seus _broughams_ ou em pequeninos coupés de

flecha e oito molas, levando ao lado no logar devoluto da carroagem um

ramalhete de cem francos ou um microscopico _kings' charles,_

descendente, aperfeiçoado em pequenez, da cadellinha que Henrique III

trazia mettida na manga ...

Depois os picadores, de librés verdes, os batedores de encarnado, os

postilhões, as _victorias_, as _americanas_, os _poney-chaises_ ... os

_grooms_ em finos cavallos inglezes, nervosos, descarnados, de olhos

scintillantes e ventas altas, abertas, redondas, frementes. Os

_sportmen_ em _breaks_ ou em _dog-cart_....

Sente-se o fluxo e o refluxo do grande luxo, a maresia da elegancia.

Respira-se entre as arvores um ar empregnado de fina perfumaria, como

n'um salão. Vae-se a passo por causa da agglomeração das carroagens e

dos cavallos. De quando em quando succede mesmo que os cocheiros se

empinam de repente para traz, e que se é obrigado a parar.

Ouve-se então o respirar dos cavallos, o ranger dos arreios e os finos

ditos que partem do fundo dos _coupés_.

De carroagem para carroagem trocam-se as palavras que fazem estremecer,

e encontram-se os olhares que fazem scismar.

Por baixo dos guardas-soes de seda branca mostram-se as cabeças loiras

das mulheres, que estão de costas para nós, deixando vêr a nascença dos

seus cabellos penteados para a nuca, tocados de sol, luminosos como fios

de ambar. Cada mulher que passa traz comsigo a excitação particular do

seu genero de belleza. Umas reveem as finuras do amor moderno,

calculado, scientifico. Outras inclinadas para traz, dormentes,

languidas, obrigam a phantasiar as caricias orientaes.

As sedas, cingindo a curva do peito e caindo em pregas quebradas de

reflexos, as sedas da moda, de tons verdes aquaticos, dão ás mulheres

esveltas a côr das visões dos lagos, das heroinas das legendas druidicas

e dos cantos de Ossian.

Sob a palpitação dos leques sentem-se estremecer no espaço correntes

aerias de volupluosidade indefinida.

Pela estreitesa das testas, pela espessura dos beiços, pela carne

polpuda das pequenas orelhas, pelas frias expressões do olhar indagador

e critico, percebe-se porém que essas delicadas creaturas que passam,

ondulantes e harmoniosas como sereias, teem o bom gosto pratico de

preferirem aos suspiros de Fingal e de outros bardos os camarotes na

opera, os fofos _coupés_, os quentes _cachemires_, e os finos jantares.

Pela qual razão vae cada um pensando vagamente em se lançar nas

finanças, no jogo doa fundos, nas grandes companhias, nos emprestimos ao

governo, nos bancos, no dinheiro em fim, no vasto dinheiro, no profundo

dinheiro illimitado ...

E em quanto as carroagens esperam ou rodam em volta de nós, os

cavalleiros passam, e as _toilettes_ scintillam, a pobre natureza ao

longe, nas collinas, parece envergonhada na sombra das suas arvores, na

humildade dos seus limos e dos seus musgos, porque ella é verdade que

tem os altos montes e os fundos mares, tem o Niagara e o Etna, mas não

tem os braceletes de Sampere, as luvas de oito botões, e as rendas de

Malines!

Tal é o perfil das «corridas»; tal é o _high-life_.

Dizem as folhas que elle esteve no Campo Grande, e nós piamente o

crêmos.--Pelo que, d'aqui enviamos os nossos parabens ao _Collete

Encarnado_.

Não se inscreveram no Derby lisbonense os Hamilton, nem os Lagrange, nem

os Rothschild, nem os Mouchy, nem os Dudley Stuart. Inscreveram-se

apenas, com os seus trens, o João Russo e o Chico Perfeito, cocheiros da

praça.... _Alea jacta est!_

As Farpas: Chronica Mensal da Politica, das Letras e dos Costumes (1873-03/04) · 第 8 / 10 题