Eça de Queiroz tinha, por essa epoca, a mesma exhuberancia e
originalidade de phantasia em verso: porque sentia muitas vezes a
necessidade de metrificar,--quasi que o mesmo genero de necessidade
de som e rythmo que o fazia com frequencia cantarolar, em voz baixa,
pequenas phrases musicaes, quasi sempre erradas, mas sempre impregnadas
das mais patheticas inflexões.
Os versos que compunha tinham um enorme relevo pela originalidade da
concepção e das imagens, e conservavam ainda a fluencia romantica,
apaixonada, phantastica, dos primeiros escriptos, quando já elle a
havia quasi inteiramente eliminado da sua prosa realista. Mas teve
sempre grande difficuldade em comprehender e sentir os processos
technicos da metrificação.
São exactamente do periodo dos escriptos colligidos no presente volume
as linhas seguintes que deviam, na intenção do author, ser versos
alexandrinos:[35]
Oh Satan tenebroso, tragico fulminado,
Tu vencerás em mim o intimo Deus bom
Não com as armas biblicas com que bateste os astros,
Mas vindo unicamente vestido á Benoiton.
Mas é de pouco depois a seguinte admiravel poesia, mais tarde publicada
com a assignatura de C. Fradique Mendes:[36]