e deliciei-me nas cadencias inimitaveis que a tua bôcca jorrava ao
murmurar: «A agua da montanha é tão livre como eu».
«É pois certo? A tua alma é tão livre como a onda prateada que desliza
por entre as verduras da serra e cae em chuva de perolas na amphora de
cada fonte? A tua alma é tão livre que possa juncar de flôres a estrada
dos meus dezeseis annos á semelhança da corrente da montanha que vae
orvalhando as boninas da encosta?
«Estavamos no _monte do Senhor_, na _santa Jerusalem_ e os teus labios
falaram a linguagem do teu coração... Os échos da montanha guardam o
segredo da nossa felicidade. Que as nossas esperanças todas se desatem em
florecimentos perpetuos como os da primavera que cada dia enche de vida
nova e nova opulencia a floresta sagrada.
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