Dez dias volvidos disse D. Maria Assumpção, de manhã, ao neto:
—Vamos hoje passar a noite a casa das Machados. É preciso fazeres-te
homem. As mulheres é que vivem encerradas dentro de quatro paredes.
Passas a manhã em casa a ler, e apenas saes de tarde um boccadinho! Onde
vaes tu?
—Sento-me em Guadelupe e gosto d’aquelle sitio, respondeu Eduardo
procurando ler a impressão da resposta no olhar da avó.
—É bonito... mas triste. Precisas de procurar relações e de afastar de
ti uns ares improprios da tua edade. Domingo, havemos de tornar ao Bom
Jesus. É preciso divertir e passear emquanto é tempo, rapaz, que o mez
de outubro está ahi á porta e depois, cursando o lyceu, não tens remedio
senão deitar-te aos livros.
—Estou preparado para isso e cuido que hei de saber corresponder á
dedicação de meus avós.
—Assim deve ser. Põe o teu chapéo e vae sahir, anda, mysanthropo.
—Agora... estou tão bem em casa...
—O que tu quizeres, teimoso! Já te disse que depois de abertas as aulas
hão de ser poucas as distracções.
—E não iremos mais ao Bom Jesus? ousou perguntar Eduardo.
—Iremos; menos vezes. Eu tambem gosto d’aquelle passeio, e sinto que me
faz bem. Mas não se cifram no Bom Jesus os sitios bonitos dos arrabaldes.
Has de gostar tambem das margens do Cávado.
—Mais que do Bom Jesus?
—Não sei.
—Ah! mais que do Bom Jesus acho que não posso gostar.