Oh! virgem pura de meus sonhos lindos,
lyrio mimoso dos jardins dos céus!
escuta o bardo descantando amores
louco, inspirado nesses olhos teus!
Escuta as notas que desprende a lyra
embevecida neste amor sublime;
nestes accordes, muito embora rudes,
só a verdade o meu cantar exprime.
Tu és a fonte inexhaurivel, pura,
onde a minh'alma vae a fé beber,
symbolo da crença, de esperanças fóco,
livro sagrado que me ensina a crêr.
Tu és a gota matinal do orvalho
na rubra pet'la de uma flôr louçã,
limpido espelho de virtude e graça,
estrella d'alva em festival manhã.
Tenra avesinha que em gorgeios ternos
a Deus envia o suspiroso canto,
visão etherea do sonhar do bardo,
miragem bella de sublime encanto.
Tu és a lympha, que em ramaes de prata,
borda a campina marchetada em flôres,
iris formoso da bonança emblema,
casto sacrario de gentis amores.
És tudo, tudo quanto é grande e santo,
astro fulgente de brilhante luz!
Anjo da Guarda que atravez d'espinhos
meus tibios passos ao porvir conduz.