I
Os peralvilhos da côrte,
ou cidades principaes,
todos querem ser poetas,
todos fazem madrigaes
quando estão apaixonados.
Em versos estropiados,
alguns que tem legoa e tanto,
a pobre da musa súa,
suspirando á luz da lua
em cada suspiro um canto!
Aquelles que nem a tiro
se lhes abre a cachimonia,
assignam versos roubados
com toda a sem ceremonia!
Não fazem questão de auctor...
querem provar seu amor
á deidade que os inspira?
lá vão direitos á estante,
e d'ali por um instante
geme e canta a alheia lyra.
São estes os commodistas
e os que tem mais razão...
p'ra que quebrar-se a cabeça
se ha versos em profusão?!
é obra feita, é verdade:
mas escolhe-se á vontade
onde ha tanto p'ra escolher...
lá vai a amostra do panno
que um typo fez por engano,
por não ter tempo a perder: