CANTO TERCEIRO

I

Os peralvilhos da côrte,

ou cidades principaes,

todos querem ser poetas,

todos fazem madrigaes

quando estão apaixonados.

Em versos estropiados,

alguns que tem legoa e tanto,

a pobre da musa súa,

suspirando á luz da lua

em cada suspiro um canto!

Aquelles que nem a tiro

se lhes abre a cachimonia,

assignam versos roubados

com toda a sem ceremonia!

Não fazem questão de auctor...

querem provar seu amor

á deidade que os inspira?

lá vão direitos á estante,

e d'ali por um instante

geme e canta a alheia lyra.

São estes os commodistas

e os que tem mais razão...

p'ra que quebrar-se a cabeça

se ha versos em profusão?!

é obra feita, é verdade:

mas escolhe-se á vontade

onde ha tanto p'ra escolher...

lá vai a amostra do panno

que um typo fez por engano,

por não ter tempo a perder:

Scenas da Roça: Poema de costumes nacionaes · 第 39 / 48 题