Simão ergueu-se a custo, e commovido
fallou desta maneira aos assistentes:
«--Senhores, quando a alegria
nos afoga o coração,
não ha palavras que a digam,
falta-nos toda a expressão!
Choramos quando soffremos,
quando gosamos, sorrimos,
mas o riso não exprime
o que n'alma nós sentimos.
«Assim 'stou eu; bem quizera
dizer-vos neste momento
tudo, tudo quanto sinto,
qual é o meu contentamento,
«mas não posso, porque é tanta
a minha felicidade,
que mais me parece um sonho,
que pura realidade!
«E sabeis a quem a devo?
a quem posso agradecer?
quem é que em duas palavras
me embriaga de prazer?!
«É aqui a mãi dos pobres
e o meu compadre Medeiros!
este grande coração!
a nata dos fazendeiros!
«Á saude, pois, d'aquelles
que não tem ostentação,
quando afogam na alegria
um mirrado corração!»
E todos gritavam co'os copos erguidos
dos donos da casa, bebendo á saude:
«Que Deus lhes dê vida, que Deus os conserve
p'ra auxilio dos pobres, p'ra amparo á virtude.»
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Passados oito dias de prazer,
oito dias de festa e de alegria,
vão indo pouco a pouco os convidados
saudosos, p'ra o lidar de cada dia.