XI

Simão ergueu-se a custo, e commovido

fallou desta maneira aos assistentes:

«--Senhores, quando a alegria

nos afoga o coração,

não ha palavras que a digam,

falta-nos toda a expressão!

Choramos quando soffremos,

quando gosamos, sorrimos,

mas o riso não exprime

o que n'alma nós sentimos.

«Assim 'stou eu; bem quizera

dizer-vos neste momento

tudo, tudo quanto sinto,

qual é o meu contentamento,

«mas não posso, porque é tanta

a minha felicidade,

que mais me parece um sonho,

que pura realidade!

«E sabeis a quem a devo?

a quem posso agradecer?

quem é que em duas palavras

me embriaga de prazer?!

«É aqui a mãi dos pobres

e o meu compadre Medeiros!

este grande coração!

a nata dos fazendeiros!

«Á saude, pois, d'aquelles

que não tem ostentação,

quando afogam na alegria

um mirrado corração!»

E todos gritavam co'os copos erguidos

dos donos da casa, bebendo á saude:

«Que Deus lhes dê vida, que Deus os conserve

p'ra auxilio dos pobres, p'ra amparo á virtude.»

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Passados oito dias de prazer,

oito dias de festa e de alegria,

vão indo pouco a pouco os convidados

saudosos, p'ra o lidar de cada dia.

Scenas da Roça: Poema de costumes nacionaes · 第 38 / 48 题