Continent_, I, pag. 258), expõe esta theoria. «Como as producções
vegetaes, analogas, e que se substituem mutuamente no commercio,
tomam sempre o mesmo nome, o de _malagueta_, tão celebre no XV
seculo, e que os pharmaceuticos transformaram em _melegueta_,
_maniguette_ e _cardamomum piperatum_ parece-me derivar-se do nome
indico do _pimento_, tal qual é usado na lingua de Sumatra. Acho na
Cosmographia de Sebastião Munster (ed. de 1850 p. 1093), _lingua
patria sumatrensis piper molaga dicunt_. O sabio auctor da _Materia
medica of Hindoostan_, o sr. Ainslie dá tambem (ed. de Madrasta,
1813, p. 34) ao _Piper nigrum_ o nome tamul de _mellaghoo_. Em
sanskrito _mallaja_ e _maricha_ são synonymos de _pippali_. O
primeiro designa mais particularmente, segundo Wilson, o _Piper
nigrum_ e o segundo o _Piper longum_.» A estes nomes apontados por
Humboldt podemos accrescentar os que encontramos citados por Garcia
da Orta (_Colloquios dos simples, etc._, p. 172, ed. 1872),
pertencentes ás mesmas fórmas, como são _molanga_, _meriche_ e
_merois_. A semelhança de alguns d'estes nomes com a palavra
melegueta é singular; julgo porém ser uma simples aproximação
fortuita.
[27] A palavra portuguesa _pimenta_ não vem da mesma origem, como
quer o padre Raphael Bluteau no Vocabulario, fazendo-a derivar de
_pimpilim_, nome usado no Malabar. Deriva-se de _pigmentum_, que na
baixa latinidade significava especiaria em geral: _species
aromatis_. Ducange. (_Gloss. ad script. med. et infim. lat. voc.
pigmentum_.)
[28] _Recherches sur la déc. des pays situés sur la cote occ.
d'Afrique, etc._ p. 266.
[29] _Mem. sobre a prioridade, etc_., p. 39, e nota 7.ª, p. 196.
[30] Na edição franceza da sua memoria (_Recherches sur la déc._
etc. Paris 1842), o visconde de Santarem cita Balducci Pegolotti, e
a passagem onde falla da malagueta (p. LXV), mas não modifica a sua
argumentação (p. 14 e 15).
[31] Eis o que diz Matthioli: _i grani, i quali chiamano alcuni
meleghette per rasomigliarsi eglino (come credo io) al miglio
indiano, il quale in alcuni luoghi d'Italia si chiama melega_ (_I
discorsi di M. P. Matthioli etc., nei sei libri di Dioscoride_, p.
24. Venezia, 1712).
[32] Foi publicado na (_Storia d'Incisa, etc._ Asti, 1810) e vem
transcripta por Michaud (_Hist. des Croisades_, II, p. 494).
[33] Sobre a verdadeira natureza da _meliga_ e a introducção da
cultura do milho na Europa pode-se consultar Bonafous (_Hist. nat.
agric. et éc. du maïs_); e tambem A. de Candolle (_Géogr. bot.
rais._, p. 943).
[34] É esta a opinião apresentada pelo sr. Ernesto Renan (_Hist. des
langues sémitiques_, p. 201-202, 4.ème éd.), da qual, porém, se
afastam alguns philologos, e entre outros o sr. Newman, que
considera o berbér como um idioma semitico.
[35] Veja-se sobre o alphabeto _tifinar_ ou _tifinag_ uma noticia do
sr. A. Judas: (_Journal Asiatique_. Mai 1847) assim como o (_Essai
de grammaire tamackek._) do sr. Hanoteau.
[36] _Chron. da Conq. de Guiné._ p. 83 e 365.
[37] Diz Pomet «_nous l'appellons aussi maniquette ou melaquette a
cause d'une ville d'Afrique appelée Melega d'ou elle était autrefois
apportée_» (_Hist. gén. des drogues_, I, 42, 2.me éd.) Nicolau
Lémery repete a mesma asserção quasi pelas mesmas palavras (_Traité
univ. des drogues simples_, p. 152. Paris, 1698); e não obstante La
Martinière, no seu diccionario ter mostrado ser falsa, ainda se
encontra no diccionario do sr. Littré.
Uma derivação inversa, e que vem apontada na _Africa_ de Ogilby,
tambem envolve um erro. Diz-se ahi: _grain coast is named
melliguette or melli, from the abundance of grain of paradise there
growing, wich the natives call mellegette_. Confunde-se n'esta
passagem a costa da Malagueta, a qual de feito recebeu o nome da
droga com a região de Melli, situada já no centro de Africa ao meio
dia de Timbuktu, e bem conhecida desde tempos remotos. Foi visitada
em 1352 por Ibn Batuta, que a designa com o nome de Melle ou Mali
(segundo a traducção do padre Moura) e figura na carta Catalan de
1375. Cadamosto tambem a conhecia, e indica com bastante rigor o
itinerario das caravanas, que transportavam o sal de Tagazza a
Timbuktu e a Melli. Só muito depois se começou a usar o nome de
costa da Malagueta e nenhuma relação tem com o de Melli.
[38] Eis alguns dos nomes citados pelo sr. Daniell: _Attahre_ usado
em Yorruba: _Ussorgé_ em Ebo: _Anniewhé_ em Accara: _Weeza_ entre os
Ashantis: _Guetta_ e _Emaneguetta_ entre os Krus: uma variedade de
fructos mais pequenos é chamada _Tosshan te timmané_ em Serra Leôa:
_Niammakyu_ entre os negros Susus: _Bellankufo_ entre os Mandingas
do interior; uma terceira variedade de fructos ainda menores recebe
o nome de _Tokoto m'pomah_ em Fernão do Pó, e de _Dungo zargo_ e
_Dungo zenzambah_ no Congo. Conservei escrupulosamente a
orthographia usada pelo sr. Daniell, que não é talvez a mais
propria, e corresponde á impressão produzida em um ouvido inglez
pelos sons dos dialectos africanos. Barbot, citado por Daniell, diz
que nas proximidades do cabo Lopes, se dá á droga o nome de
_Calicute_. Deve ser uma antiga designação portugueza, derivada da
semelhança com a pimenta que vinha de _Calecut_.
[39] O genero _Piper_ tal qual se acha constituido na monographia
das _Piperaceae_ do sr. Casimir de Candolle (_Prodromus_, XVI, S.
I.), inclue os generos _Chavica_, _Cubeba_ e outros, e abrange mais
de 600 especies.
[40] Com este nome (_poivre long noir_) a menciona Pomet, negociante
droguista de Paris, referindo-a a uma figura bastante exacta, para
que se não possa duvidar da identidade da especie. (_Hist. géner.
des drogues_, p. 225, f. 140, éd. de 1735.)
[41] Os nomes de _maniguette_, _bois d'Ecorce_, _poivre d'Ethiopie_
são dados a uma planta denominada _Waria Zeylanica_, por Fusée
Aublet (_Hist. des plantes de la Guiane_, I, p. 605, t. 243), a qual
sem duvida é a _Xylopia Ethiopica_.
[42] Temos em favor d'esta opinião a auctoridade de Robert Brown
(_Exp. to the river Zaire_, etc. Appendix. p. 469), e a não menos
valiosa de A. de Candolle (_Prodrom_ XIII, p. 412). Fraas é de
opinião contraria, e suppõe que o _Capsicum longum_ DC, fôra
conhecido de Theophrasto. (_Synops. pl. fl. classic._, p. 160.)
[43] Veja-se a carta de Chanca nas (_Select letters of Columbus_,
etc., na Coll. Hakluyt).
[44] _Simplicium medic. ex novo orbe delatorum_, traducção latina de
Clusio inserida nos (_Exotic._ p. 343). Monardes excellente
auctoridade pelo tempo (1565) e logar, em que escreveu, admitte a
origem americana da planta.
[45] Clusio nas notas a Monardes, (_Exotic._ p. 343. A numeração das
paginas vem errada na edição de 1605 e lê-se 341 mas deve ser 343).
Na mesma nota diz Clusio, que a planta se chamava então em Lisboa
_pimenta do Brasil_.
[46] Esta embaraçosa confusão fazia exclamar ao antigo auctor
Geoffroy: «_Nulla res est fortasse in re Pharmaceutica magis
litigiata quam Cardamomi notitia._» (_Tractatus de materia medica_,
II, p. 364.)
[47] _Spec. plant._ I p. 9 ed. Willd. 1797.
[48] _Remedia guineensia_, p. 71. Upsaliae; citado por Flück. et
Hanb. _Pharmac._ p. 590.
[49] _Monandrian plants of the order Scitamineae_, etc. 1828.
[50] Hooker (_On some afr. sp. of. Amomum. Kew gardens misc._ VI, p.
293) vem transcripto em (_Walpert Ann. bot. syst._ VI, p. 19):
póde-se tambem consultar (_Bot. mag._ t. 4663 e 4764 e noticias
annexas).
[51] Guibourt (_Hist. nat. des dr. simples_ II, p. 224. 1876).
[52] Daniell (_On the Amoma of Western Africa. Pharm. Journal_ XIV,
p. 312 e 356, XVI, p. 465 e 511).
[53] É esta a opinião de Daniell, da qual se afasta um pouco Hooker,
e tambem Flüekiger e Hanbury na sua _Pharmacographia_.
[54] Encontra-se nas ilhas de S. Thomé e do Principe, aonde é
conhecido com o nome de _Uçame_.
[55] Veja-se a noticia sobre os _Dongos do Congo_ na (_Synopse expl.
das mad. e dr. medicinaes_, p. 30, num. 51-74) e tambem (_Apont.
phytogeographicos_, p. 544) nos _Annaes do Conselho Ultramarino_.
[56] É necessario advertir que estes limites se referem á planta
espontanea, pois que se encontra cultivada não só em outras regiões
da Africa, por exemplo nas margens do rio Coango, mas ainda na
America, em Demerara e outros pontos.
[57] A substancia mencionada pelo capitão Lyon, sob o nome de
_Tammerat et filfil_, entre as mercadorias trazidas do Sudan ao
Fezzan, é, sem a menor duvida, a malagueta (_A narr. of travels in
northern Africa_, etc., p. 156, 1821).
[58] Assim Pereira suppõe que o _cardamomo_ conhecido na Abyssinia
com o nome de _Korarima_ é identico ao _Amomum angustifolium_
Sonnerat, de Madagascar, e Hanbury (_Pharm. Journ._ 1872) considera
um e outro identicos ao _A. Danielli_ Hooker fil.
[59] O livro de Pegolloti, já muitas vezes citado, dá interessantes
noticias sobre o commercio com o Oriente. Pode-se consultar tambem
um curioso capitulo de João de Barros (_Asia_, dec. I, liv. VIII,
cap. I), do qual se vê quanto eram extensas e exactas as suas
informações sobre o modo porque se fazia o trafico das especiarias,
antes de os nossos haverem dobrado o cabo da Boa Esperança; e
egualmente o bem conhecido (_Tratado dos diversos e desvairados
caminhos_, etc.) de Antonio Galvão.
[60] Sobre a supposta situação do parayso e a sua vegetação, póde
ler-se a relação de Fr. João de Marignolli, e as eruditas notas de
Yule (_Cathay and the way_, etc., pp. 360 e seguintes). Veja-se
tambem uma carta de Letronne inserida na obra de Humboldt (_Hist. de
la géographie du nouveau continent_, III p. 118). N'esta mesma obra
se encontram expostas e discutidas as curiosas opiniões de
Christovão Colombo sobre a proximidade em que deviam estar as novas
terras por elle descobertas, do parayso terreal (_Hist._ etc. III,
p. 111). Emquanto á influencia do parayso sobre a producção das
especiarias ou substancias aromaticas, diz-nos Maçudi, escriptor
arabe do X seculo, que Adão saíu do parayso coberto de folhas, e que
estas depois de seccas, sendo espalhadas pelo vento sobre a India,
deram origem a todos os aromas d'aquella região. (_Les prairies
d'or_, etc. trad. de B. de Meynard et P. de Courteille. I. p. 60). O
prudente arabe accrescenta no entanto (Deus sabe melhor a verdade).
É curiosa a aproximação entre esta singular asserção e outra muito
semelhante que encontramos nas obras de Santo Athanasio, o qual no
dialogo _Quaestiones ad Anthiocum_ (_Opera_, etc., n p. 279.
Parisiis 1698), diz que a abundancia de substancias aromaticas nas
regiões orientaes ou Indicas, é devida á proximidade do parayso,
pois o vento que d'ali sopra póde tornar fragrantes e aromaticas as
arvores das terras visinhas «_sic fragrantia quae ex paradyso
ventorum afflatu exit, arbores locorum illorum viciniores fragrantes
efficit._» D'estas e de outras opiniões semelhantes resultou o nome
de _grana paradysi_, dado, como vimos, á malagueta.
[61] O godo Alarico exigia da cidade de Roma para levantar o cerco,
um resgate no qual figurava ao lado de avultada quantia de ouro e
prata, uma porção relativamente pequena de pimenta. Constantino
offerecia ao papa S. Silvestre vasos de ouro cravejados de pedrarias
contendo quantidades minimas de perfumes e especiarias. Nos
thesouros de Chosroes II, rei da Persia, mencionava-se a existencia
da camphora, do almiscar e do sandalo. Muitos outros exemplos, que
seria facil accumular, provam quanto eram considerados estes
productos de afastadas regiões.
[62] Ao periodo de grande expansão que teve o christianismo no
oriente, e particularmente na Tartaria e na China nos fins do seculo
XIII e começo do seguinte, succede uma rapida decadencia, durante a
qual quasi se apagou a sua memoria. Quando no XVI seculo os Jesuitas
penetraram na India e na China, e tão cuidadosamente buscaram os
vestigios dos christãos de S. Thomé, ou tiveram pouca noticia, ou
intencionalmente callaram os grandes serviços feitos pelos
Dominicanos, e sobretudo pelos Franciscanos, que ali os haviam
precedido, e aos quaes só mais tarde se fez completa justiça.
Veja-se Huc (_Le christianisme en Chine_, etc., I, p. 94 e
seguintes) e tambem o livro já tantas vezes citado de Yule (_Cathay
and the way_, etc).
[63] Quando o infante D. Pedro esteve em Veneza, foi-lhe ali
offerecido um exemplar do livro de Marco Polo; o manuscripto
original, como suppoz Ribeiro dos Santos (_Mem. de litt.
portugueza_, VIII, p. 276, 2.ª ed.), ou, o que é mais provavel, uma
copia authentica. Valentim Fernandes, no prefacio á traducção
portugueza que depois fez, menciona esta circumstancia. Ramusio dá a
mesma indicação (_Discorso sopra la prima et secunda lettera di
Andrea Corsali.--Delle nav._ I. p. 176 v.º, Venetia 1563), e
refere-se á influencia que o livro teve em Portugal «_e che'l detto
libro dapoi tradotto nella loro lingua fu gran causa che tutti
quelli serenissimi Re s'infiammassero a voler far scoprir l'India
orientale, e sopra tutti il Ré Don Giovanni_.» Por esta, ou por
outra copia, se fez desde logo uma traducção portugueza, pois entre
os livros de uso d'el-rei D. Duarte, figura _Marco Paulo, latim e
linguagem em um volume_ (_Provas da Hist. Geneal_, etc. I. p. 844).
Annos depois fez Valentim Fernandes a sua traducção, que imprimiu em
Lisboa em 1502, obra muito rara, da qual a Bibliotheca nacional de
Lisboa possue um exemplar.
[64] A relação da viagem do Nicolo di Conti, foi, por ordem do papa
Eugenio IV, dictada ao seu secretario Poggio Bracciolini e por este
escripta em latim. Foi depois vertida em portuguez por Valentim
Fernandes e publicada juntamente com a obra de Marco Polo, com o
titulo _Ho livro de Nycolao Veneto_. Quando Ramusio a quiz inserir
na sua collecção não pôde encontrar o original latino, e teve de
recorrer á versão portugueza, bastante defeituosa. (_Dell. nav._
etc. p. 338-1563.) Depois porém se publicou a relação em latim
juntamente com outras obras de Poggio (_De varietate fortunæ libri
quatuor_-1723) e por esta fez o sr. Major a traducção ingleza
inserida no livro (_India in the fifteenth century-Collec.
Hakluyt_). Sobre a influencia exercida pelo livro de Conti, veja-se
Humboldt (_Hist. de la géogr. du nouv. cont._ I. p. 216).
[65] Primeiro mandou D. João II, Fr. Antonio de Lisboa, e Pero de
Montarroyo, que por ignorarem a lingua arabica não proseguiram na
sua viagem; depois Affonso de Paiva e Pero da Covilhan, e
finalmente, em busca d'estes, dois judeos, Rabbi Abram de Beja, e um
sapateiro de Lamego, chamado José. Veja-se o que diz Barros (_Asia_,
dec. I, liv. III, cap. V) e sobretudo a relação muito mais detalhada
dada pelo padre Francisco Alvares, na (_Verdadeira informaçam das
terras do Preste Joam_).
[66] Diz João de Barros fallando da pimenta de rabo «a qual ElRei
mandou a Frandes, mas não foi tida em tanta estima como a da India.»
(_Asia_, dec. I, livr. III, cap. III.) Garcia de Rezende diz tambem
da mesma pimenta «da qual foi logo mandado a Frandes.» (_Chron. del
Rey D. João II_. pag. 43 verso. Lisboa).
[67] Sobre as informações que o infante tomava dos arabes veja-se o
que diz João de Barros: «Donde assi na tomada de Cepta como as
outras vezes que lá passou sempre inquiria dos mouros as cousas de
dentro do sertão da terra» vindo a saber não só das terras dos
Alarves e do Sahará mas tambem dos Azenegnes «que confinam com os
negros de Jalof onde se começa a regiam de Guiné.» (_Asia_ dec. I,
livr. I, cap. II). Damiam de Goes falla tambem «das muitas
informações que (o infante) cada dia tomava de mouros e azenégues
practicos nas cousas de Africa» (_Chron. do Princ. D. Joam._ etc.
cap. VII). Diogo Gomes conta que estando em Cantor, no Rio Gambia,
ahi soubera de uma batalha travada entre dois regulos negros do
interior, e que voltando ao reino, dera esta noticia ao infante, o
qual lhe respondeu, que por uma carta de um mercador de Oran já fôra
informado d'aquelle successo. Prova curiosissima de quanto eram
extensas as relações que D. Henrique mantinha com o interior de
Africa.
Sobre o conhecimento que os arabes tiveram do Sudan desde o tempo de
Ibn Haucal (X seculo), e a influencia que as noções por elles
obtidas e transmittidas mais tarde aos christãos exerceram na
construcção da carta Catalan de 1375, na do museu Borgia, e em
outros monumentos cosmographicos, veja-se o que diz o visconde de
Santarem (_Essai sur l'hist. de la cosm._ etc). A curiosa viagem de
Ibn Batuta ás terras do Alto Niger, em 1352, dá uma idéa clara das
relações dos arabes com aquellas regiões. (_Viagens ext. e dil. de
Abu-Abdallah_ etc. versão de fr. J. de Santo Antonio Moura. II. pag.
140 e seguintes).
[68] Azurara (_Chron. da conq._ etc. pag. 400). Barros (_Asia_ dec.
I, liv. I, cap. XIV).
[69] No mesmo anno de 1446. Azurara (_Chron._ etc. pag. 410). Barros
(_Asia_ ibid).
[70] Em 1448; veja-se Major (_Life of Princ. Henry_ etc. pag. 288).
[71] Em 1454 e 1455. (_Collecção de not._ etc. II. pag. 28 e
seguintes). As datas citadas não são as admittidas na versão
portugueza, mas as que se encontram em Ramusio, tidas geralmente por
mais exactas.
[72] _Collecção de not._ II. pag. 73.
[73] Barros (_Asia_ dec. I, livr. II, cap. II).
[74] Barros (ibid.)
[75] Veja-se o que diz Azurara (_Chron. da conq._ etc. pag. 158), em
uma curiosa passagem na qual define bem o sentido em que toma a
palavra. Pode-se consultar egualmente o admiravel capitulo, cheio de
observações curiosas e exactas de João de Barros (_Asia_ dec. I,
livr. III, cap. VIII). Sobre o conhecimento que os arabes tiveram da
Guiné e sobre os erros commettidos em relação á sua situação
geographica antes dos descobrimentos dos portuguezes, veja-se o
visconde de Santarem (_Essai sus l'hist. de la cosm._ etc. I. pag.
300) e tambem a (_Mem. sobre a prior._ etc. pag. 161 e seguintes).
[76] _É nel libro del primo viaggio dice, que egli vide alcune
sirene nella costa della Manegueta._ (_Hist. del signor D. Fernando
Colombo_ etc. pag. 16. Venezia 1676). Esta biographia do almirante
foi escripta por seu filho D. Fernando Colombo em hespanhol, vertida
por Affonso Ulloa em italiano, e havendo-se perdido o manuscripto
original o qual nunca fôra publicado, vertida de novo em hespanhol e
inserida na collecção de _Historiadores primitivos_ de Andre
Gonzales Barcia. A versão italiana, de que se fizeram diversas
edições, é por tanto a mais authentica.
[77] «_Yo estuve en el castillo de la Mina del Rey de Portugal._»
Veja-se a _Historia de las Indias_, de Las Casas, contemporaneo do
almirante. (Navarrete. _Collection de Doc._, etc. I. LXII). Na
biographia antes citada, escripta por D. Fernando Colombo,
encontra-se a mesma asserção. Em quanto ás outras viagens, Las Casas
diz, que o almirante «_affirma haber navegado muchas veces de
Lisbona a Guinéa_.» As datas, porém, são duvidosas, e o proprio D.
Fernando Colombo confessa não saber bem quando tiveram logar estas
viagens de seu pae.
[78] É a data marcada por Herrera (_Historia de las Ind. ocid._,
dec. I, libr. I, cap. VII).
[79] É evidente que a designação empregada era a usada e vulgar
entre os portuguezes. Colombo, como antes Cadamosto, A. da Nolle e
outros, fez as suas viagens nos navios portuguezes, unicos que então
se dirigiam para a Africa. O celebre genovez pelo seu casamento com
a filha de Bartholomeu Perestrello, homem principal, e demais mui
versado na navegação, tinha adquirido muitas relações em Portugal, e
tão portuguez se havia tornado, que Toscanelli, seu compatriota,
parece olvidar-se da sua nacionalidade e confundil-o com os
portuguezes dizendo-lhe em uma carta, se não admira da sua grande
coragem, e da de toda a nação portugueza, na qual sempre houve
homens assinalados em todas as empresas: «_Non mi maraviglio che tu,
che sei di gran cuore, e tutta la natione Portoghese, la quale ha
havuto sempre huomini segnalati in tutte le imprese etc._» segunda
carta de Toscanelli a Colombo inserida na (_Hist. del signor D.
Fernando Colombo_ etc. cap. VIII).
Las Casas diz, do modo o mais explicito, que as viagens a Guiné
foram feitas em companhia dos portuguezes «_y assi navegó algunas
veces aquel camino en compania de los portuguezes, como persona ya
vecina y quasi natural de Portugal_.» (_Hist. de las Indias. Collec.
de doc._ etc. t. LXII). Estas informações colheu Las Casas da boca
de D. Diogo Colombo, filho do almirante.
[80] Eis as localidades mencionadas na descripção da costa da
Malagueta por Duarte Pacheco.
Cabo do Monte. Rio dos Cestos. Rio de S. Vicente.
Cabo Mesurado. Ilha da Palma. Praia dos Escravos.
Matta de Santa Maria. Ilhéos. Lagea.
Rio de S. Paulo. Cabo Formoso. Cabo de S. Cremente.
Rio do Junco. Resgate do Genovez. Cabo das Palmas.
É facil definir a situação da maior parte d'estas localidades. Na
excellente obra de A. M. de Castilho, encontram-se o _Cabo do
Monte_, _Cabo Mesurado_, _Rio de S. Paulo_, _Rio dos Juncos_, _Rio
dos Cestos_, _Ilha da Palma_ e _Cabo das Palmas_ (_Descr. e Rot. da
costa occ. de Africa_, I, p. 264 a 301 e mappa VIII), situados por
modo, que não póde haver duvida em serem as localidades mencionadas,
com os mesmos nomes, por Duarte Pacheco.
As outras designações, ou não se encontram no _Roteiro_ como são a
_Matta de Santa Maria_, os _Ilhéos_, o _Resgate do Genovez_, o _Rio
de S. Vicente_, a _Praia dos Escravos_ e a _Lagea_, ou se encontram
applicados por modo diverso d'aquelle, que se adopta no _Esmeraldo_,
como são o _Cabo Formoso_ e o de _S. Clemente_.
A _Matta de S. Maria_ é uma localidade bem conhecida, situada logo
adiante do _Mesurado_, e aonde segundo a relação de Cadamosto, já
muitas vezes citada, terminou a viagem de Pero de Cintra.
O _Cabo Formoso_ do _Roteiro_ de Castilho não póde ser o _Cabo
Formoso_ do Esmeraldo. De feito o primeiro, a _Ponta Timbo_ de
algumas cartas (_Rot._ p. 276), fica ao norte do _Rio dos Cestos_;
em quanto que o do _Esmeraldo_ demora muito ao sul, a 7 leguas da
_Ilha da Palma_, e ainda ao sul dos _Ilhéos_. Deve corresponder á
_Ponta de Baffa_ ou á _Ponta Tassou_ (_Rot._ p. 282). Não ha erro da
parte de Duarte Pacheco em o collocar n'esta situação, pois temos
uma prova de que segue a nomenclatura usada no seu tempo. Na carta
de João Freire, de 1546, vem do mesmo modo _Ilha da Palma_, _Ilhéo
Cayado_ (é um dos ilhéos citados no Esmeraldo, e ahi se diz, que
eram muito brancos, d'onde lhe veiu o nome) e depois _Cabo Formoso_,
por tanto na mesma successão que adopta o nosso auctor.
Segue-se o _Resgate do Genovez_, assim chamado porque um marinheiro
genovez foi o primeiro que ahi resgatou malagueta, deverá
collocar-se nas proximidades de _Battoa Grande_ (_Rot_. p. 284).
O _Rio de S. Vicente_ é talvez o _Rio do Sino_ (_Rot._ pag. 285): em
quanto á _Praia dos Escravos_, que tinha, no dizer de Pacheco, duas
leguas de extensão, é sem duvida a parte do littoral aonde vem
desembocar os pequenos rios _Dru_, _dos Escravos_ e _Ferroowah_
(_Rot._ pag. 290 a 292).
A _Lagea_, rochedo separado da costa coisa de um quarto de legua,
póde com alguma duvida, identificar-se com o _Carpenter rock_ ao mar
da _Ponta de Setre_ (_Rot._, pag. 293).
Em quanto ao _Cabo de S. Clemente_, tambem não concorda a sua
posição com a que vem no _Roteiro_: Castilho dá este nome á _Ponta
de Battoa Grande_, sendo certo que o _Cabo de S. Clemente_ de Duarte
Pacheco fica muito para o sul, e já proximo ao _Cabo das Palmas_.
Deve, me parece, corresponder á _Ponta dos Bretons_ ou á de _Fish
town_. (_Rot._ pag. 297). Na carta de Freire, que não vi, mas de que
o visconde de Santarem transcreve os nomes por sua ordem (_Mem.
sobre a prior._, etc., pag. 213) vem por estas alturas o _Cabo do
Sacramento_; haverá erro de leitura e será _Cabo de S. Cremente_ com
a orthographia então usada? N'este caso a nomenclatura de Freire
estaria mais uma vez de accordo com a do _Esmeraldo_.
As latitudes ou «graos de ladeza» dadas por Duarte Pacheco não se
afastam muito das que hoje se admittem. Sendo para notar que as
citadas no texto differem ás vezes das que estão reunidas em uma
taboada geral, o que sem duvida é devido a erros de copia. As que se
referem á parte da costa que nos occupa são as seguintes:
No _Esmeraldo_ _Roteiro_ de Castilho
Cabo do Monte 6° 40' 6° 44'
Cabo Mesurado 6° 20' 6° 19'
Rio dos Cestos 5° 30' 5° 26'
Cabo das Palmas 4° 4° 22'
A divergencia maior no _Cabo das Palmas_, é devida sem duvida, a ter
o copista omittido os minutos.
Estas aproximações foram feitas rapidamente e de modo algum as tenho
por seguras, pois levantam não poucas difficuldades, cuja discussão
saíria completamente do plano n'este trabalho.