Subito, relampejou; as nuvens amontoavam-se ás pressas. Relampejou mais
forte, e estalou um trovão. Começou a choviscar grosso, mais grosso,
até que desabou a tempestade. Rubião, que aos primeiros pingos, deixara
a egreja, foi andando rua abaixo, seguido sempre do cão, faminto e
fiel, ambos tontos, debaixo do aguaceiro, sem destino, sem esperança de
pouso ou de comida... A chuva batia-lhes sem misericordia. Não podiam
correr, porque Rubião temia escorregar e cahir, e o cão não queria
perdel-o. A meia rua, acudiu á memoria do Rubião a pharmacia, voltou
para traz, subindo contra o vento, que lhe dava de cara; mas ao fim
de vinte passos, varreu-se-lhe a ideia da cabeça; adeus, pharmacia!
adeus, pouso! Já se não lembrava do motivo que o fizera mudar de rumo,
e desceu outra vez, e o cão atraz, sem entender nem fugir, um e outro
alagados, confusos, ao som da trovoada rija e continua.