--Bem, vae casar, tanto melhor! pensou Rubião.
Entre aquella noite e o dia do casamento, Rubião apanhou no ar algumas
olhadas de Sophia, suspeitas de tentação; Carlos Maria, se lhe
correspondeu, foi antes por polidez que outra cousa. Rubião concluiu
que o caso era fortuito; lembrava-se ainda da lagrima de Sophia, na
noite dos annos, quando lhe explicou a historia da carta.
Oh! boa lagrima inesperada! Tu, que bastaste a persuadir um homem,
podes não ser explicavel a outros, e assim vae o mundo. Que importa
que os olhos não fossem costumados ao choro, nem que a noite parecesse
exaltar sentimentos mui diversos da melancolia? Rubião a viu cair;
ainda agora a vê de memoria. Mas a confiança de Rubião não vinha só da
lagrima, vinha tambem da presente Sophia, que nunca fora tão solicita
nem tão dada com elle. Parecia arrependida de todo o mal causado,
prestes a sanal-o, ou por affeição tardia, ou pelo proprio malogro da
primeira aventura. Ha delictos virtuaes, que dormem. Ha operas remissas
na cabeça de um maestro, que só esperam os primeiros compassos da
inspiração.