SCENA VII.

_Os ditos, e D. Nuno._

_Nun._ Oh fereza!.. Oh desgraça!..

_Af._ ....................... Que acontece?..

_Nun._ A dôr, e o pranto as expressões me tolhem...

Cheguei tarde, Senhor... Ignez...

_Af._ ............................ He morta?..

_Nun._ Brevemente o será.

_Emb._......Oh Deos!..

_Nun._ .............. Debalde

Á misera e mesquinha perdoaste:

De seu preclaro sangue sequiosos,

Os Ministros crueis se antecipárão...

_Af._ Oh detestaveis, sanguinarios monstros!

E podestes... acaba.

_Nun._ .............. Mensageiro

Da piedosa faustissima noticia,

Á Camara de Ignez veloz caminho;

Pouco distante ja de seus lamentos

Parece, que as abobadas gemião:

Accelero inda mais ligeiros passos,

E ao tempo que os crueis descarregavão

Sobre o peito d'Ignez os duros golpes,

Entro... (que horror!) perdão, perdão, exclamo:

Á palavra _perdão_ os impios tremem,

E até da mão os ferros lhes cahírão:

Em vão porém; que o sangue já corria.

Servírão só meus gritos de que fosse

A ferida talvez menos profunda.

Então Coelho, e Pacheco, estatuas ambos,

Como espantados do seu crime horrendo,

Sem proferir palavra largo tempo,

Olhando hum para o outro espavoridos,

Apenas a final dizer podérão:

"Não ha mais que hum recurso; eia, fujamos;"

E subito os crueis desapparecem.

Ignez desfallecida, mal ouvíra

Que tu lhe perdoáras, levantando

As mãos aos Ceos, e os macerados olhos,

Mil vezes te bemdiz, por ti mil vezes

Aos Ceos envia fervorosas preces.

Cheia de gratidão, inda o seu rosto

Entre as sombras da morte parecia

Que ao proferir teu nome s'alegrava;

Em quanto as tristes Damas, que a rodêão,

O sangue de seu peito estancar buscão,

"Por ultimo favor (lhes diz) imploro,

Que á presença d'Affonso me conduzão;

Inda quero ir beijar-lhe a mão clemente,

E a seus pés expirar agradecida."

C'os filhinhos ao lado a malfadada,

Buscando-te, Senhor, para estes sitios

Já com tremulos passos se encaminha.

_Af._ Oh destino!.. Oh fereza!.. Infeliz Castro!..

Filho infeliz!.. Mais infeliz do que ambos,

Atribulado Pai!.. Todos os males,

As furias, as desgraças, e os remorsos

Desde o berço ao sepulchro me acompanhão.

Nasci para flagello dos humanos,

Para opprobrio nasci da natureza:

Portugal, dos seus Reis na clara historia,

Chamará com razão ao quarto Affonso

Máo Irmão, Filho ingrato, e Pai tyranno.

O culpado sou eu de Ignez na morte,

Eu que, pelos perversos enganado,

Tarde o grito escutei da humanidade.

Ah! fujamos, fujamos destes sitios,

Que a vêr a desgraçada não me atrevo...

Mas ai de mim!.. As forças me abandonão:

Eis ella chega... Amigos, soccorrei-me:

Affastai-me daqui...

Nova Castro: tragedia · 第 54 / 59 题