_D. Affonso, e o Embaixador._
_Emb._ Condoido, Senhor, da infeliz Castro,
Releva que eu me atreva a supplicar-te,
Que a decretada morte lhe perdoes:
Eu sei que a teu pezar foi condemnada,
Satisfação que dás ao meu Monarcha,
Quando elle certamente, persuadido
Da tua fidelissima amizade,
Não quererá, Senhor, que lha confirmes
Com o sangue de Ignez, que inda he seu sangue,
Atrevo-me em seu nome assegurar-to,
Rogando-te pratiques generoso,
A piedade que he propria da tua alma.
_Af._ Muito folgo de ver teus sentimentos
Tão conformes aos meus; sim, eu espero,
Que o teu Rei me não culpe de piedoso,
A Ignez já perdoei; fiz mais ainda;
Reconheci-a de meu filho Esposa.
Não me atrevo a romper o nó sagrado,
Em que Hymenêo, e Amor os enlaçava,
Ignorado por mim, quando sincero
O Tratado firmei, que promettia
Com Beatriz de meu Filho os Desposorios,
Deves pois ao teu Rei fazer sciente,
Das razões poderosas que os estorvão;
E por mim segurar-lhe ao mesmo tempo
Constante, inalteravel amizade.
_Emb._ Teu leal proceder, as razões todas
Que a decidir assim te constrangêrão,
Lhe exporei fielmente, e não duvides
Que tal resolução lhe agrade, e a louve.
_Af._ Dictou-ma o coração, e de abraça-la
Não me hei de arrepender: nunca a piedade
Pode manchar as purpuras: se o Mundo
De Bruto inda com pasmo escuta o nome,
Mais saudoso de Tito o nome adora.
Porém que vejo!.. oh Ceos!.. D. Nuno em pranto...