SCENA VI.

_D. Affonso, e o Embaixador._

_Emb._ Condoido, Senhor, da infeliz Castro,

Releva que eu me atreva a supplicar-te,

Que a decretada morte lhe perdoes:

Eu sei que a teu pezar foi condemnada,

Satisfação que dás ao meu Monarcha,

Quando elle certamente, persuadido

Da tua fidelissima amizade,

Não quererá, Senhor, que lha confirmes

Com o sangue de Ignez, que inda he seu sangue,

Atrevo-me em seu nome assegurar-to,

Rogando-te pratiques generoso,

A piedade que he propria da tua alma.

_Af._ Muito folgo de ver teus sentimentos

Tão conformes aos meus; sim, eu espero,

Que o teu Rei me não culpe de piedoso,

A Ignez já perdoei; fiz mais ainda;

Reconheci-a de meu filho Esposa.

Não me atrevo a romper o nó sagrado,

Em que Hymenêo, e Amor os enlaçava,

Ignorado por mim, quando sincero

O Tratado firmei, que promettia

Com Beatriz de meu Filho os Desposorios,

Deves pois ao teu Rei fazer sciente,

Das razões poderosas que os estorvão;

E por mim segurar-lhe ao mesmo tempo

Constante, inalteravel amizade.

_Emb._ Teu leal proceder, as razões todas

Que a decidir assim te constrangêrão,

Lhe exporei fielmente, e não duvides

Que tal resolução lhe agrade, e a louve.

_Af._ Dictou-ma o coração, e de abraça-la

Não me hei de arrepender: nunca a piedade

Pode manchar as purpuras: se o Mundo

De Bruto inda com pasmo escuta o nome,

Mais saudoso de Tito o nome adora.

Porém que vejo!.. oh Ceos!.. D. Nuno em pranto...

Nova Castro: tragedia · 第 53 / 59 题