_Os mesmos, Ignez, os dois meninos seus filhos, Elvira, e duas Aias._(55)
(55) _As Aias sustentão Ignez, que vem ferida._
_Ign._ Ah!.... Não me fujas...
Não me fujas, Senhor... toma os teus Netos...
Para t'os entregar, agonisante,
O Maternal amor aqui me arrasta...
Tristes orphãos, adeos... Adeos, meus filhos...
Nas tuas mãos, Senhor, os deposito...
Em teu bom coração abrigo encontrem...
Ampare-os seu Avô, já que a Mãi perdem...
Possão elles hum dia, de ti dignos,
Dignos filhos do Pai mais virtuoso,
Com virtudes iguaes, egregios feitos,
Compensar-te o perdão, que me outorgaste...
E por ultima graça me concede,
Que inda antes d'expirar meu Pai te chame.
_Af._ Chama-me o teu algoz: não queiras dar-me
O doce nome que me não compete:
Bem quizera eu tambem chamar-te Filha:..
Mas não me atrevo, não; a Natureza,
Se visse por meus labios profanado
Nome tão deleitoso, estremecêra...
Teu sangue está bradando; tu só deves
O cruel detestar, que te assassina;
Mas bem vingada estás; mais desgraçado
Mil vezes do que tu, mil mortes soffro.
Ah, poupa ao teu verdugo o horror de ver-te
Exhalar d'alma os ultimos arrancos...
Eu vou, sim, porque até minha presença
Deve ser a teus olhos odiosa.(56)
Ninguem me siga, ah, não; deixem-me todos,
Fujão todos de mim; quero esconder-me
A todos os viventes, té que possa
Nos abysmos sumir-me para sempre.(57)
(56) _Vai a partir, e vendo que D. Nuno o quer acompanhar, volta-se,
e diz:_
(57) _Parte arrebatadamente._