1) Existem em Portugal, em relação ao sexo masculino, elementos mais do

que suficientes para a organização de uma tabela de médias, baseada nas

observações e mensurações, que exprimem o «Crescimento» absoluto da

Criança portuguesa, isto é, nas medidas sintéticas da altura, do

perímetro torácico, e do pêso.

2) Mas o simples conhecimento do ritmo do «Crescimento» é insuficiente

para a perfeita inteligência da natureza física da Criança, e das leis

do seu desenvolvimento integral.

3) Donde resulta a necessidade de prosseguir activamente, em nossos

meios didascálicos e infantis, pela aplicação do método auxanológico, na

colheita de elementos (mensurações segmentares do sólido humano), que

permitam generalizações seguras sobre as proporções métricas do corpo

das crianças, nas idades de evolução.

4) Emquanto, porêm, não existir, entre nós, um número suficiente de

observações e mensurações daquela natureza, que justifiquem a adopção

definitiva das fórmulas antropométricas do «Crescimento» da Criança

Portuguesa, podemos e devemos adoptar provisóriamente cânones

antropométricos, cujos fundamentos se encontram, em parte, nas medidas

que são comuns ao «Crescimento» absoluto; e, em parte, nas percentagens

que resultam das médias de mensurações obtidas em crianças de países

estrangeiros, que reúnem maior número de afinidades com as nossas

crianças.

II

*Desenvolvimento mental*

1) Não há diferença de natureza entre o psiquismo dos animais superiores

e a mentalidade infantil das primeiras idades.

2) A curva do desenvolvimento mental coincide, em quási tôda a sua

extensão, com a curva do «Crescimento» físico; e, em todo o caso,

acompanha sempre a trajectória da evolução do cérebro.

III

*Formação do carácter*

1) Os factores da educação moral devem ser os mesmos da educação física,

porque a disciplina em que se baseiam ambas estas educações tem as

mesmas origens orgânicas, e produz análogos efeitos psíquicos.

2) Os estados mórbidos da Personalidade são mais eficazmente combatidos

pela higiene, do que pela autoridade.

III

Programas de Pedologia e de higiene escolar; prescrições de higiene

dentária; e instruções sôbre Pedometria, destinadas às novas

escolas normais primárias. (Regulamento e programas para execução

da lei n. 233, publicados no «Diário do Govêrno» n.^o 24, de 10 de

fevereiro de 1916.)

PROGRAMA DE PEDOLOGIA

_Pedologia_.--Sua definição e importância. Movimento pedológico.

Pedologia e pedotecnia.

Psicologia e pedagogia.

Pedagogia experimental e pedagogia geral. Psicopedologia e

psicopedagogia.

_Relação da pedologia com a pedagogia_.

_Pedologia somática_ e pedologia psíquica.

Métodos da _pedologia somática_.

Os caracteres descritivos e os caracteres métricos.

_Noções elementares de antropometria escolar_.--Estudo dos principais

caracteres métricos. Relação entre o pêso, a altura e o perímetro

torácico.

Coeficientes de robustez.

Mensurações nos alunos segundo a «Ficha individual».

_O crescimento durante a idade escolar_.--Ideas gerais sôbre os métodos

do estudo do crescimento.

Proporções métricas do corpo da criança desde o nascimento à idade

adulta.

Influências que actuam no crescimento. Leis do crescimento.

Crescimento visceral.

_A criança, o adolescente e o adulto_.

Crescimento irregular. Perturbações orgânicas que produz e suas

consequências pedagógicas.

_A puberdade_.--Sua definição.

Características fisiológicas e psicológicas da puberdade.

Duração do período da puberdade.

_Pedologia psíquica_.--Definição. Métodos.

_Desenvolvimento intelectual e psíquico em geral._

Factores dêste desenvolvimento e diferentes estádios.

_Desenvolvimento sensorial_.--Visão. Audição. Olfacto. Gôsto. Tato. Os

sentidos estereognósticos. O sentido cinestésico.

A atenção. A associação. A imaginação. A memória e o hábito. A

percepção. O juízo e o raciocínio.

_Desenvolvimento dos sentimentos_.--Os movimentos. Os sentimentos em

geral. As emoções e as tendências. Os instintos. Os interesses infantis;

seu papel na educação. A vontade. O carácter.

A linguagem, os gestos, a fisionomia e os costumes das crianças.

_Medida do desenvolvimento psíquico nas diferentes idades_.

Tests _mentais_.

_Relações entre o crescimento físico e o crescimento psíquico_.

_Influências psíquicas imediatas da escola_.

_Herança psicológica e educação._

_Crianças visuais, auditivas e motoras_.--Os tipos mixtos.

_Fadiga intelectual_. _Generalidades_.

_Noções gerais dos processos de medição da «fadiga intelectual»_:

a) Processos directos. Ditado, leitura, cálculo, cópia, memoriação, etc.

b) Processos indirectos. Estesiometria, algesimetria, dinamometria,

ergografia, etc.

Influência de diversos factores sôbre a fatigabilidade.

Influência do trabalho físico sobre a fadiga mental.

_Sobernal_.

_O repouso_. _O sono_.

Dextrismo, sinistrismo e ambidextrismo.

_Alunos preguiçosos_.

_Ideas gerais sôbre as crianças anormais_. _Sua diagnose e

classificação_.

_As relações do professor com o médico_.

_Puericultura_.--Puericultura intra-uterina. Primeiros cuidados a

dispensar aos recêm-nascidos. Alimentação do 0 aos 2 anos. Noções gerais

da higiene da primeira infância.

PROGRAMA DE HIGIENE ESCOLAR

_História da higiene escolar_.--Evolução da higiene escolar em Portugal.

_Edifício escolar_.--Suas condições higiénicas. Salas de classe e

anexos, recreios, etc.

_Mobiliário escolar_.--Bases fisiológicas do mobiliário racional.

Diferentes tipos de mobiliário.

_Iluminação das escolas_.--Iluminação natural e artificial.

Fotometria escolar.

_Aquecimento_.

_Ventilação das escolas_.--Diferentes processos de ventilação.

_Higiene da vista_.--Higiene da leitura e da escrita. Os livros e os

cadernos escolares. Condições higiénicas da sua impressão.

_Higiene do ouvido_.

_Higiene do nariz e da bôca_.

_Higiene da garganta_.--Fisiologia da voz. Afecções de laringe.

Profilaxia das perturbações da fonação. Defeitos de pronúncia. Sua

profilaxia e correcção.

_Atitudes viciosas_.--Suas conseqùências.

_Doenças escolares não contagiosas_.

_Doenças contagiosas_.--Profilaxia das doenças contagiosas, na escola.

Desinfecção. Vacinações e revacinações.

_Relações recíprocas entre alunos e professores_, sob o duplo ponto de

vista das doenças contagiosas e das influências morais.

_Educação física_.--Bases fiisiológicas desta educação.

_Princípios a que deve obedecer a elaboração dum horário_.

_Repartição das horas do trabalho e do repouso_.

_Cantinas escolares_. _Colónias escolares_. _Escolas e classes ao ar

livre_. _Internatos e externatos_. _Passeios e excursões escolares_.

PRESCRIÇÕES DE HIGIENE DENTARIA

I

Antes te esqueças de lavar a cara do que a bôca e os dentes.

II

Habitua-te, tam cedo quanto possível, à higiene dentária. Aquele que é

desleixado em criança, dificilmente se corrige mais tarde.

III

A conservação e o bem-estar dos dentes de leite é tam importante, como o

dos dentes permanentes.

IV

Não abuses de doces e de alimentos muito moles. O melhor meio natural de

evitar a cária é mastigar com fôrça pão com côdea espêssa.

V

Nunca te esqueças de lavar a bôca, à noite.

VI

A limpeza mecânica dos dentes, feita com uma escôva e com um palito,

constitue a base de tôda a higiene dentária.

VII

As lavagens da bôca com líquidos antisépticos inofensivos e um bom pó ou

pasta dentifrícia são muito eficazes para completar a higiene dentária e

bocal. Os dentifrícios que são cáusticos para a mucosa, ou que

descalcificam os dentes, devem ser rejeitados. O sabão é um bom

dentifrício.

VIII

Faze inspeccionar os dentes, uma ou duas vezes por ano, por um dentista,

a fim de que êle descubra os focos mórbidos e os faça desaparecer, antes

que sejam muito extensos.

IX

O tártaro (pedra) deve ser extraído, de tempos a tempos.

X

Os dentes e as raízes que não possam ser conservados e tratados, devem

ser extraídos, sejam dolorosos ou não.

INSTRUÇÕES SOBRE PEDOMETRIA

_Condições gerais_:--As modificações morfológicas, fisiológicas e

psíquicas, produzidas pelos exercícios de educação física (exercícios

neuro-musculares e de adaptação aos meios) podem ser medidas ou

apreciadas e formarem dois grupos principais: somático e

físico-psíquico.

As mensurações constituem o processo mais racional de verificar os

efeitos dos exercícios, se nelas se observarem as indicações seguintes:

O observador possuìrá a técnica de medir e conhecerá a razão e o fim de

cada medida. Tomará as medidas à mesma hora, de preferência de manhã,

antes de qualquer exercício ou refeição e tanto quanto possível nas

mesmas condições e em períodos bem determinados, ex.: em Outubro e

Junho.

Estas medidas e observações serão apontadas em colunas individuais no

livro das mensurações, donde se tirarão tôdas as notas para a

organização das médias e dos índices de classificação individual

somática e fisiológica.

Os alunos serão medidos e observados de torso nu e descalços e as alunas

só com os fatos de gimnástica.

Para se assegurar bem da medida deverá esta repetir-se, acto contínuo,

as vezes que forem necessárias.

_Nota_.--As mensurações obtidas gráficamente por bons instrumentos

oferecem mais confiança.

TÉCNICA:

_Para medir a altura_:--O examinando colocar-se há na craveira na

atitude de sentido.

_Para medir o pêso_:--Torna-se necessário uma balança decimal bem tarada

e de fácil manejo. Os alunos serão pesados em ceroulas; as alunas com os

seus fatos de gimnástica.

_Para medir a capacidade vital_:--É necessário utilizar um espirómetro,

como o de Charles Verdin, colocá-lo a conveniente altura, usar duas

tubuladuras de borracha com as competentes embocaduras de vidro para se

poderem substituir a cada exame e desinfectar convenientemente.

_Modo de medir_:--O examinando, em face do aparelho, toma o tubo de

vidro (embocadura) na bôca, depois de ter enchido quanto pode o pulmão,

cerra os lábios sôbre o tubo para não perder ar e expira suavemente todo

o ar que possa, o que será registado pelo espirómetro.

_Para medir a mobilização torácica_:--O examinando, de calcanhares

juntos, mantêm os braços laterais e horizontais. Fazem-se 3 provas e

tira-se a média.

_Diâmetros xifoìdianos_:--É necessário um compasso de espessura como o

grande de _Collin_.

_Modo de medir_:

_Diâmetro transverso_:--Aplicam-se as pontas do compasso nos pontos mais

laterais do tórax e no nível do ponto esterno-xifoìdiano; o examinando

faz, então, a maior inspiração e logo a seguir a mais completa expiração

e toma-se nota dos diâmetros máximo e mínimo.

_Diâmetro ântero-posterior_:--Aplica-se uma das pontas do compasso no

ponto esterno-xifoìdiano e a outra na linha das apófises espinhosas e ao

nível daquele ponto; no resto procede-se como no transverso.

_Perímetros xifoìdianos_:--Na falta dum instrumento que nos dê com

precisão e facilidade gráficamente o perímetro torácico é mais prático

usar, com o devido cuidado, a fita métrica inextensível.

_Modo de medir com a fita_:--Aplica-se esta horizontalmente ao nível do

ponto esterno-xifoìdiano, o examinando faz a máxima inspiração e logo a

seguir a máxima expiração e o observador toma nota dos perímetros máximo

e mínimo.

_Perímetro umbilical_:--Procede-se como no perímetro torácico.

_Nota_.--Os perímetros tomam-se só aos alunos.

_Para medir a fôrça de pressão e de tracção_:--Para a de pressão é

necessário um dinamómetro como o de _Collin_; para a de tracção um

dinamómetro como o de _Andrew_.

_Modos de medir_:--Na pressão toma-se o dinamómetro na concha da mão e

cerra-se esta com a máxima fôrça, repete-se duas vezes e toma-se a prova

maior; na tracção tomam-se os anéis das cadeias, um em cada mão,

tiram-se para os lados, repete-se e toma-se a maior prova.

_Para se obter o ritmo respiratório_:--Na falta de um adequado

pneumógrafo, o número e o ritmo podem obter-se pela palpação; o

observador, colocado por detrás do examinando, aplica as mãos sôbre os

seus ombros, estendendo os quatro dedos sôbre as clavículas e as

primeiras costelas e os polegares estendidos para o dorso, ou em face do

examinando, aplica-lhe as mãos nos lados do tórax e em presença de um

relógio observa o ritmo e conta as respirações num minuto.

_Para tomar o ritmo cardíaco_:--Na falta dum esfigmógrafo de uso e de

precisão, o professor, tomando o pulso, obterá o número, o ritmo, a

forma e apreciará a pressão em repouso e depois dum escolhido exercício,

ex.: uma pequena carreira.

_Para classificar os desvios ósseos da coluna vertebral_:--Na falta dum

raquiógrafo conveniente, o professor pode chegar por uma observação

inteligente: dos movimentos da coluna, da sua forma na atitude de

sentido, das atitudes das espáduas e da cabeça, da forma torácica, etc.,

a conhecer os desvios.

_Do tórax_:--Na falta dum toracógrafo o observador pode usar o

cirtómetro de chumbo ou ainda, o compasso de espessura tirando os

diâmetros necessários para o que o examinando tomará a atitude de

sentido com os braços laterais e horizontais.

IV

DECRETO N.^o 4:900

Sendo urgente codificar e regulamentar tôdas as disposições legais em

vigor, relativas às Escolas Normais Superiores das Universidades de

Coimbra e Lisboa;

Atendendo à autorização concedida pelo § único do artigo 42.^o do

decreto com fôrça de lei n.^o 4:649, de 13 de Julho de 1918;

Usando da faculdade que me confere o n.^o 3.^o do artigo 47.^o da

Constituição Política da República Portuguesa;

Hei por bem, sob proposta do Secretário de Estado da Instrução Pública,

decretar o seguinte:

Artigo 1.^o É aprovado e mandado pôr em execução o Regulamento das

Escolas Normais Superiores das Universidades de Coimbra e Lisboa, que

faz parte integrante dêste decreto, e vai assinado pelo Secretário de

Estado da Instrução Pública.

Art. 2.^o Ficam, pelo presente regulamento, codificadas tôdas as

disposições legais em vigor, relativas às Escolas Normais Superiores,

substituídos os decretos regulamentares n.^o 2:117, de 27 de Novembro de

1915, n.^o 2:509, de 14 de Julho de 1916, n.^o 2:646, de 26 de Setembro

de 1916, n.^o 2:943, de 18 de Janeiro de 1917, n.^o 3:012, de 6 de Março

de 1917, n.^o 3:097, de 18 de Abril de 1917, e n.^o 3:330, de 3 de

Setembro de 1917, e regulamentados os decretos com fôrça de lei, de 21

de Maio de 1911 e n.^o 4:649, de 13 de Julho de 1918.

Art. 3.^o Fica revogada a legislação em contrário.

O Secretário de Estado da Instrução Pública o faça publicar. Paços do

Govêrno da República, 5 de Outubro de 1918.--Sidónio Pais--_José Alfredo

Mendes de Magalhães_.

V

Índice Analítico do 2.^o Volume desta Obra:

(NO PRELO)

*PEDOLOGIA PSÍQUICA*

(_A mentalidade da Criança_)

CAPÍTULO I

1) Órgãos dos sentidos: sensibilidade cutânea; sua discriminação.

2) Sensações tácteis, de pressão, térmicas, álgicas. 3) Sentido

cinestésico e sentido estereognóstico. 4) A cinestesia. 5) Acuidade

do tacto; sua medida. 6) Estesiometria. 7) Educação dos sentidos

cutâneos.

CAPÍTULO II

1) A visão; anatomia e fisiologia do bolbo ocular; mecanismo da

visão. 2) Emetropia, ametropia e hipermetropia. 3) Medida da

acuidade visual. 4) Sentido cromático; suas anomalias. 5) Medida

dêste sentido; tábuas pseudo-isocromáticas de Stilling.

CAPÍTULO III

1) A audição; mecanismo das sensações auditivas. 2) Medida da

acuidade auditiva. 3) Sentido otolítico.

CAPÍTULO IV

1) Os sentidos químicos: olfacto e gôsto. 2) Morfologia e

funcionamento dos respectivos órgãos. 3) Olfactometria e

gustometria.

CAPÍTULO V

1) A atenção; suas espécies. 2) Patologia da atenção. 3) Medida da

atenção. 4) Educabilidade da atenção.

CAPÍTULO VI

1) A memória; suas operações fundamentais. 2) Patologia da memória.

3) Análise qualitativa da memória: processos; experiências. 4)

Análise quantitativa da memória. 5) Educação da memória.

CAPÍTULO VII

1) A inteligência; sua noção. 2) Nível intelectual e nível escolar.

3) Medida da inteligência: processos; escala métrica da

inteligência. 4) Estudo scientífico do trabalho mental. 5) A fadiga

física e a fadiga mental: sua medida.

CAPÍTULO VIII

1) Noção da personalidade. 2) O carácter; seus elementos

constitutivos e manifestações. 3) Formação do carácter; princípios

sobre que deve assentar. 4) Os estados mórbidos da personalidade: a

mentira, a preguiça, a timidez, a cólera, as fobias das crianças.

5) Patologia da vontade. 6) Os vícios da educação tradicional. 7)

Educação moral e cívica das crianças, segundo os princípios da

pedagogia moderna. 8) A moral na escola.

VI

O estudo do «crescimento», no Colégio Moderno de Coimbra, pela

aplicação do método auxanológico

O estudo do «crescimento», pelo _método auxanológico_, faz-se

presentemente, sob a nossa direcção, em alunos internos do _Colégio

Moderno_, de Coimbra.

As primeiras _mensurações_ foram realizadas, durante os meses de maio e

junho, do ano de 1918.

Em maio e junho, dêste ano de 1919, ao prefazerem-se doze meses

completos, continuou-se êste _serviço antropométrico_, que não pôde ser

executado em novembro e dezembro (fim do 1.^o semestre), como convinha,

mercê das _ocorrências políticas_, que perturbaram a _vida nacional_.

Foram _observados_ e _mensurados_ (e continuá-lo hão a ser) 115 alunos,

de _idades_ que se acham compreendidas entre os dez e os dezoito anos.

As _medidas_ são tomadas, sempre, sobre o _corpo nu do aluno_; o

_material pedométrico_ empregado é aquele que indicámos, a página 145

(_nota_); e a _técnica_ regula-se, pelas _instruções_ do D.^r Paulo

Godin, publicadas, a página 243 e seguintes, do seu livro: «_La

Croissance pendant l'âge scolaire_», Paris, 1913.

Alêm das _medidas segmentares_, relativas ao _crescimento físico_,

colhemos, nas _observações_, todos os elementos necessários para o

estudo da _puberdade_. E nem sómente nos preocupou a _pedometria

somática_, mas tambêm iniciamos trabalhos, que aproveitem à _pedometria

psíquica_, isto é, à _medida da acuidade sensorial_, e ao _exame

psíquico, etológico e psiquiátrico_ dos alunos.

Nesta primeira exposição, limitar-nos hemos a divulgar os _resultados

antropométricos_ obtidos, condensando-os, nos seguintes mapas: 1) das

_projecções verticais_; 2) do _pêso_; 3) da _puberdade_.

I

+==================================================================+

| Projecções Verticais Sintéticas (médias) |

+-------------+-------------+------------+------------+------------+

| | Número | Altura | Busto |B X 100 |

|Idades (anos)|de indivíduos|(milímetros)|(milímetros)|-------[227]|

| | | | | A |

+-------------+-------------+------------+------------+------------+

| 10 | 9 | 1,273 | 0,680 | 53 |

| 11 | 5 | 1,382 | 0,716 | 51 |

| 12 | 7 | 1,412 | 0,724 | 51 |

| 13 | 14 | *1,474* | 0,737 | 50 |

| 14 | 32 | 1,496 | 0,765 | 51 |

| 15 | 25 | *1,587* | 0,800 | 50 |

| 16 | 15 | 1,614 | 0,810 | 50 |

| 17 | 7 | 1,649 | 0,850 | 51 |

| 18 | 1 | 1,635 | 0,844 | 51 |

| Total.... | 115 | -- | -- | -- |

+=============+=============+============+============+============+

Verifica-se, pela _leitura_ dêste primeiro _mapa_, que o «crescimento»

dêstes alunos do _Colégio Moderno_ não se afasta sensivelmente dos

_resultados gerais_, a que chegámos, em relação à _criança portuguesa_.

Assim, a _macrosquelia_ (característica da _adolescência_ e da

_puberdade_) é evidente, do mesmo modo que tambêm é normal o _índice do

tronco_, que, como se vê, oscila entre 50 e 53.

II

+======================================+

| |

| Pêso (médias) |

| |

+-------------+------------+-----------+

| | Número de | |

|Idades (anos)| indivíduos |Quilogramas|

+-------------+------------+-----------+

| 10 | 9 | 26 |

+-------------+------------+-----------+

| 11 | 5 | 33 |

+-------------+------------+-----------+

| 12 | 7 | 34 |

+-------------+------------+-----------+

| 13 | 14 | 38,5 |

+-------------+------------+-----------+

| 14 | 32 | 40,5 |

+-------------+------------+-----------+

| 15 | 25 | 42 |

+-------------+------------+-----------+

| 16 | 15 | 43 |

+-------------+------------+-----------+

| 17 | 7 | *54,5* |

+-------------+------------+-----------+

| 18 | 1 | 52 |

+-------------+------------+-----------+

| Total | 115 | -- |

+=============+============+===========+

E, quanto a _crises_ do «crescimento», a conformidade com a _curva_, que

traçámos[228] é absoluta: veja-se como o _ritmo_, em geral, se mantêm, e

como o _paralelismo das acelerações e das acalmias_ (relativas) se

acusa, em todo o percurso da _escala_.

Sobre _pêso_, apenas há a observar que, de conformidade com as

conclusões a que se tem chegado, a _marcha_ do «_crescimento_» é

regular; e que tambêm de harmonia com a _curva_ do _gráfico_

respectivo[229], a _fisionomia_ desta é análoga.

Segue-se o _mapa da puberdade_, cuja _leitura_ será, de grande interêsse

e importância, para todos quantos se interessem pelos estudos de

pedologia, entre nós.

+=======================================================+

| Puberdade (sinais físicos) |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| Idades | Número de|P^{1, 2, 3 | P^3 A^1 | P^5 A^5 |

| (anos) |indivíduos| ou 4}[230]| [231] | [232] |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 10 | 9 | 0 | 0 | 0 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 11 | 5 | 0 | 0 | 0 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 12 | 7 | 1 | 0 | 0 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 13 | 14 | 5 | 1 | 0 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 14 | 32 | *12* | 3 | 2 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 15 | 25 | 5 | *13* | 4 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 16 | 15 | 5 | 4 | 5 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 17 | 7 | 0 | 1 | *6* |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| 18 | 1 | 0 | 0 | 1 |

+--------+----------+-----------+-----------+-----------+

| Total | 115 | -- | -- | -- |

+========+==========+===========+===========+============+

Verifica-se, em presença dêste _mapa_ que, sem dúvida por influência do

_internato_, a _puberdade_, entre os alunos do _Colégio Moderno_,

manifesta-se, um pouco tardiamente, em relação a perto de 50% dêstes

alunos.

Efectivamente, antes dos catorze anos, em trinta e cinco alunos, apenas

sete, de mais de doze anos, apresentam vestígios dos _sinais físicos_,

característicos da _puberdade_.

Aos catorze anos, de trinta e dois alunos, só dezassete entram na _fase

pubertária_; e torna-se necessário ultrapassar essa _idade_, para que

todos se submetam à eficiência da _lei_.

Importa, porêm, notar que, dentre aqueles, em quem o «crescimento» se

afirma normal, a _puberdade_ aparece, de facto, pelos catorze anos, de

conformidade com o que se acha estabelecido, em relação à _criança

portuguesa_; instala-se, aos quinze; e encerra-se, pelos dezassete anos.

ÍNDICE

Páginas

Nota Preambular 7

_Introdução_

I--A criança; sua concepção bio-psíquica e social 11

II--Sciências da criança: Pedologia, Psico-pedagogia, Pedagogia

experimental; outros ramos da Pedagogia 14

III--A vida da criança; fases que atravessa, durante o «crescimento»,

ou idades da evolução do organismo humano 18

IV--Elementos e subsídios, de que podemos dispor, para a

constituição de uma Pedologia nacional 25

V--Bibliografia portuguesa de assuntos relativos à psicologia

e à pedologia 29

PEDOLOGIA SOMÁTICA

O CORPO DA CRIANÇA

Capítulo I--Fases da vida dos organismos. «Crescimento»;

suas espécies, e modos de o estudar.

Leis do «crescimento», e factores que o modificam 35

Capítulo II--«Crescimento» absoluto; sua determinação,

em relação à criança portuguesa; tabelas de

médias, e respectivas curvas. O ritmo do

«crescimento», em Portugal 39

Capítulo III--Insuficiência do estudo do «crescimento» absoluto,

para a solução de todos os problemas antropométricos. «Crescimento»

relativo ou segmentar; sua determinação, tanto sintética,

como analítica, pelo confronto dos respectivos elementos 59

Educação nova: As bases · 第 7 / 9 段