O primeiro dêstes _gráficos_ (figura n.^o 1) inscreve as _curvas do

crescimento normal, médio, em altura, da criança portuguesa_ (uma para

cada sexo), baseadas, como dissemos, sôbre um total de _vinte e uma mil

e seiscentas mensurações_.

São _curvas_, estas, denominadas _de grandeza_, que acusam as _variações

da altura_, em _função do tempo_[48].

A linha horizontal do _diagrama_ (eixo das abcissas) marca o _tempo_

(série das _idades_); a vertical (eixo das ordenadas) inscreve o

_espaço_ (variações métricas da _estatura_).

A simples inspecção do _gráfico_ convence imediatamente de que, como nas

_observações_ de Quetelet, em relação à Bélgica[49], as crianças

portuguesas do sexo masculino excedem, em _altura_, durante todo o

percurso da sua evolução, as do sexo feminino.

É certo que o número de _dados antropométricos_, em que se baseia a

_curva_ do «crescimento» das _raparigas_, orçando apenas por um sexto

daquele que fundamenta a _curva_ dos _rapazes_, não pode reputar-se

suficiente, em ordem a _conclusões definitivas_; mas as _mensurações_

(aos milhares) do dr. Ferraz de Macedo, para o apuramento da _estatura

média_ em Portugal, acusam, em média, na _idade adulta_, em favor do

sexo masculino, um excedente que chega a atingir a quantidade apreciável

de dez centímetros[50].

[Figura: Fig. 1]

As _diferenças sexuais_, de resto, assim reveladas na _fisionomia_ geral

das _curvas_, pelo _paralelismo_ que nelas se mantêm, até aos catorze

anos, essas diferenças, dizemos, acentuam-se, de modo análogo, em cada

_estádio_ particular e concreto da _evolução_.

Assim, logo _à nascença_, por exemplo, a _estatura_ dos _rapazes_

ultrapassa, em média, em um centímetro, aproximadamente, a das

_raparigas_; e, a partir dos catorze anos, a disparidade das _alturas_

adquire tais proporções, que nós aconselhamos os estudiosos a que usem

de uma prudente reserva, relativamente a estas _medidas_.

Como _elemento de confronto_, para elucidação completa do assunto, aqui

deixamos consignadas, no presente quadrículo, as _notações_ que se devem

aos pedologistas Variot e Chaumet, em relação à _criança francesa_:

==========================================

| Altura em centímetros

Idades +---------------+----------------

| Rapazes | Raparigas

---------+-------+-------+-------+--------

1-2 | 74,2 | Difer.| 73,6 | Difer.

2-3 | 82,7 | 8,5 | 81,8 | 8,2

3-4 | 89,1 | 6,4 | 88,4 | 6,6

4-5 | 96,8 | 7,6 | 95,8 | 7,4

5-6 | 103,3 | 6,5 | 101,9 | 6,1

6-7 | 109,9 | 6,6 | 108,9 | 7,0

7-8 | 114,4 | 4,5 | 113,8 | 4,9

8-9 | 119,7 | 5,3 | 119,5 | 5,7

9-10 | 125,0 | 5,3 | 124,7 | 4,8

10-11 | 130,3 | 5,3 | 129,5 | 5,2

11-12 | 133,6 | 3,3 | 134,4 | 4,9

12-13 | 137,6 | 4,0 | 141,5 | 7,1

13-14 | 148,1 | 7,5 | 148,6 | 7,1

14-15 | 153,8 | 8,7 | 152,9 | 4,3

15-16 | 159,6 | 5,8 | 154,2 | 1,3

==========================================

São nada menos de quatro os _máximos_ que, nas _curvas_ apresentadas, se

observam, através das _idades de evolução_: um, _absoluto_ ou

_primário_, aos dezasseis anos (para o sexo masculino) e aos catorze

(para o sexo feminino); e três, _relativos_ ou _secundários_: o primeiro

(para ambos os sexos) ao cabo dos doze meses, depois do _nascimento_; o

segundo (tambêm para ambos os sexos), aos seis anos; e o terceiro, aos

dez anos (para o sexo masculino) e aos oito (para o sexo feminino).

Estes _máximos_ denotam ou marcam, como é óbvio, no _ritmo_ do

«crescimento», os períodos mais agudos dêste, ou as _fases_ mais

intensivas da _energia intra-orgânica_, que o determina.

Ponderando tudo, vê-se:

1) que a criança portuguesa (d'ambos os sexos) se _desenvolve_

enormemente, durante o primeiro ano de _vida extra-uterina_;

2) que a _marcha_, em seguida, do seu «crescimento» (ainda que

_progressiva_) _se atenua_, desde aí, até aos cinco anos, para, de novo

(embora por pouco tempo), _se intensificar_, a partir desta _idade_;

3) que se produz, depois, nessa mesma _marcha_, um relativo

_afrouxamento_ (mais pronunciado, no sexo feminino), cujo _mínimo_ se

verifica, aos oito anos (para os _rapazes_) e aos sete (para as

_raparigas_);

4) que o «crescimento» _aumenta_, em seguida, com moderação, desde esta

época, até aos doze anos (nos _rapazes_) e até aos treze (nas

_raparigas_), para, logo imediatamente depois, cair (sobretudo em

relação ao sexo masculino) num _abatimento_ brusco e momentâneo que, em

breve, cessará;

5) finalmente, que, em seguida a esta relativa _quietude fisiológica_, o

«crescimento» _se acelera_, ainda uma vez mais, com _forte intensidade_,

até aos dezasseis anos (para os _rapazes_) e até aos catorze (para as

_raparigas_), sucedendo-se, depois, uma definitiva _acalmia_, durante a

qual a _criança_ continuará, sem dúvida, a _crescer_, até ao termo da

sua _evolução_ (dos vinte aos vinte e cinco anos), mas

_insensivelmente_, de modo muito lento e gradual.

Para concluirmos a _análise_ de todos os _elementos_, de que podemos

dispor, e cuja _síntese_ se encontra nas _curvas_, que temos

considerado, relativamente à _estatura da criança portuguesa_, nos

diferentes _estádios_ do seu «crescimento», resta ainda (para clara

inteligência dos _problemas antropométricos_, cuja solução nos

interessa) referir os _factos adquiridos_ aos seus _antecedentes

naturais_, e procurar _interpretá-los_, de conformidade com as _leis da

lógica_ e os _princípios da sciência_.

A _criança_, quando _nasce_, sofre, pela mudança de _meio_, a rutura dum

_equilíbrío orgânico_, que lhe põe a vida em risco, pelas

_perturbações_, a que dá origem, no funcionamento de todos os _órgãos_.

«Il faut, diz Ruyssen, sous peine de mort, que l'enfant s'accommode au

milieu»[51].

Esta _adaptação_ a novas _condições de existência_, agravada, quási

sempre, pela _crise genital do recêm-nascido_ (puberdade transitória),

gera uma _luta_, que determina, pela dinâmica da acção, o

_desenvolvimento bio-psíquico_ da criança, tanto mais _intenso_ e

_forte_, quanto maior é a _impulsão natural_ para um _novo equilíbrio_

que, em ordem à consolidação das _aquisições realizadas_, substitua

_aquele_ que foi comprometido, pela transição brusca e violenta da _vida

parasitária_ para a _existência independente_.

Não é, por isso, de admirar que, durante a _infância_ (princípio do

segundo ano), as _energias do crescimento_ sofram uma _depressão_, que

lhes atenue o _poder ascensional_, de que são dotadas; e que se

estabeleça êsse _novo equilíbrio provisório_ que, por sua vez, ao cabo

de quatro anos (então já em plena _puerícia_), do mesmo modo, será

sacrificado, em holocausto àquelas mesmas energias, que exigem, no _ser_

que lhes está subordinado, novas _combinações somáticas_, e diferentes

_proporções dos segmentos do seu organismo_.

Realizadas, porêm, que sejam essas _combinações_, e atenuada a _crise de

expansão_, que as provoca, não há dúvida que, consoante se depreende dos

_factos_ examinados, mais um _equilíbrio_ (o terceiro, segundo a _ordem

cronológica_) se produzirá, agora com _estabilidade_ menos precária, do

que os anteriores, visto que deverá subsistir, até ao fim da

_adolescência_ (aos treze anos, para os _rapazes_; e aos doze, para as

_raparigas_), e só desaparecerá, com a _crise pubertária_ (de tôdas a

mais _enérgica_ e _fecunda_ em _transformações físicas e mentais_), que

sobrevirá, por essa ocasião, na _vida instável e agitada_ da criança.

Esta _crise_ durará três anos, e será a última do «crescimento»,

seguindo-se-lhe o _equilíbrio orgânico definitivo_, que só a _doença_

poderá comprometer, e a _morte_ logrará destruir.

[Figura: CURVAS DO CRESCIMENTO NORMAL, MÉDIO, EM DENSIDADE (PÊSO), DA

CRIANÇA PORTUGUESA (117.010 PESAGENS)

Fig. 2]

7.--O segundo dos _gráficos_ indicados [(agora aqui presente) (figura

n.^o 2)] representa, nas respectivas _curvas_ (uma para cada sexo), a

_marcha_ do «crescimento» normal, médio, em _densidade_ (pêso) na

_criança portuguesa_.

Observando estas _curvas_, reconhece-se, desde logo, que a _fisionomia_

delas é sensivelmente diferente da que oferecem as das _estaturas_, que

temos examinado.

As _raparigas_ (contràriamente ao que sucede, em relação à _altura_)

apenas são inferiores (em pêso) aos _rapazes_, no primeiro ano; desde os

seis aos doze anos; e depois dos dezassete anos. Em tôdas as outras

_idades_, manteem sobre êles uma superioridade, que chega a ser

surpreendente, pelos catorze anos.

Mas as _inflexões_ recíprocas das duas _curvas_, que se cruzam e

mutuamente se penetram, não são sem _simile_, em países estrangeiros.

Veja-se, por exemplo, a seguinte tabela de Variot e Chaumet, relativa à

França:

============================================

| Pêso em quilogramas

Idades +----------------+-----------------

| Rapazes | Raparigas

---------+--------+-------+--------+--------

1-2 | 9,500 | Difer.| 9,300 | Difer.

2-3 | 11,700 | 2,2 | 11,400 | 2,1

3-4 | 13,000 | 1,3 | 12,500 | 1,1

4-5 | 14,300 | 1,3 | 13,900 | 1,4

5-6 | 15,900 | 1,6 | 15,200 | 1,3

6-7 | 17,500 | 1,6 | 17,400 | 2,1

7-8 | 19,100 | 1,5 | 19,000 | 1,6

8-9 | 21,100 | 2,1 | 21,200 | 2,2

9-10 | 23,800 | 2,7 | 23,900 | 2,7

10-11 | 25,500 | 1,8 | 26,600 | 2,7

11-12 | 27,700 | 2,1 | 29,000 | 2,4

12-13 | 30,100 | 2,4 | 33,800 | 3,8

13-14 | 35,700 | 5,6 | 38,300 | 4,5

14-15 | 41,900 | 6,2 | 43,200 | 4,0

15-16 | 47,500 | 5,6 | 46,000 | 2,8

============================================

Todavia, as assinaladas _diferenças sexuais_, e outras, que omitimos,

não impedem que, dum modo geral, tanto _rapazes_, como _raparigas_,

obedeçam às mesmas _leis_, e sofram influências análogas. Há só uma

reserva a fazer, e é que, em regra, o «crescimento» das _raparigas_ é

_menos irregular nos acidentes_ (comparem-se as duas _curvas_) e quási

sempre _mais precoce_, do que o dos _rapazes_.

Foi êste facto, que sugeriu ao Dr. Claparède a idea de comparar a um

_match de corrida_ o «crescimento» dos _dois sexos_: «la croissance

comparée des filles et des garçons, diz êle, ressemble à un match de

course; garçons et filles partent ensemble, mais celles-ci, un instant

devancées, prennent bientôt les devans, puis leurs concurrents les

ratrapent et les dépassent, mais elles les dépassent de nouveau jusqu'à

ce que, enfin, les garçons l'emportent définitivement»[52].

Examinem-se as nossas _curvas_, e ver-se há que, com leves e acidentais

modificações, é precisamente o que se verifica na _dinâmica_ do

«crescimento» português.

Nota-se assim que, nesta _dinâmica_, são três as principais _fases_ do

_«crescimento» enérgico_, _máximo_, em _densidade_:

1) durante o primeiro ano (em ambos os sexos);

2) pelos seis anos (para os _rapazes_) e pelos oito (para as

_raparigas_);

3) pelos quinze, aproximadamente (nos _rapazes_), e pelos doze (nas

_raparigas_).

A primeira _crise_ (e talvez a segunda) constituem, na opinião de

Camerer, uma «continuação da excessiva _energia fetal_ do «crescimento»;

quanto à última, a sua _explicação adequada_ encontra-se no _advento_ e

na _instalação_ da _Puberdade_[53].

8.--Para conclusão desta primeira parte do nosso estudo («crescimento»

_absoluto_ da criança portuguesa), resta apresentar o _gráfico_ da

_curva_, relativa ao _perímetro torácico_, que é o que, a seguir, na

página imediata (fig. n.^o 3), publicamos.

Esta _curva_ pertence ao _sexo masculino_; não abrange a série tôda das

_idades infantis_; e apenas se baseia num total de sete mil

_mensurações_; contudo, não deixamos de reputar _suficiente_ êsse número

para, sobre êle, estabelecer alguns _princípios_, e formular

determinadas _conclusões_.

[Figura: CURVA DO PERÍMETRO TORÁCICO (7.000 MENSURAÇÕES).

Fig. 3]

Como geralmente se sabe, o _perímetro torácico_ (_medida sintética_ da

_espessura_ e da _largura_ do tórax) é maior ou menor, consoante a

_criança_ já entrou na _puberdade_, ou ainda permanece nas _fases

inferiores da evolução_[54].

Ora, as _notações_, que constituem a presente _curva_, não fazem

excepção àquela _regra_; alêm disso, como veremos, em lugar próprio, as

outras _dimensões somáticas_, que lhes correspondem, acham-se na _razão

inversa_ das _projecções verticais_, com que coincidem.

Êste _facto_ e outros análogos, que estabeleceremos, servirão para

demonstrar a absoluta veracidade destas palavras de Pierre Mendousse:

«Chacun sait qu'entre le corps d'un petit enfant et celui d'un adulte il

y a des différences non seulement dans la grandeur totale, mais aussi

dans les proportions des diverses parties. Depuis le moment de la

naissance, chacune de celles-ci semble croître sinon pour son propre

compte, du moins suivant un rythme plus ou moins accéléré, d'où résulte

pour chaque âge un canon spécial de la forme humaine, variable

d'ailleurs dans une certaine mesure suivant la race, l'état de santé, la

nourriture, etc. Dans ce progrès continu, l'avènement de la puberté

détermine non seulement un accroissement de vitesse, mais sourtout des

variations plus rapides qu'auparavant dans les proportions extérieures

et plus encore dans le volume et le poids des organes, dont les uns

semblent s'hypertrophier, pendant que les autres se développent moins

vite ou s'atrophient, de sorte que l'état cénesthésique de l'adolescent

subit de profondes modifications, parfois douloureuses j'usqu'à la

défaillance, en particulier lorsque, vers les dix-huit ans, la

croissance s'étant ralentie, un nouvel état d'équilibre s'établit entre

les systèmes organiques devenus adultes».

Para _confronto_ elucidativo, aqui reproduzimos a _tabela de

Pagliani_[55], com as suas duas séries de medidas, relativas à

_capacidade vital_ e à _circunferência torácica_:

========================================

Idades | Capacidade | Circunferência

| vital | torácica

---------+------------+-----------------

10 | 1660 | 61

11 | 1700 | 61,2

12 | 1860 | 62,8

13 | 2045 | 65,2

14 | 2100 | 66,4

15 | *2445* | *69,5*

16 | 2485 | 70,3

17 | 2660 | 71,6

18 | 3115 | 72,6

========================================

Observando, agora, a _fisionomia_ geral da _evolução torácica_, tal como

se esboça, em o nosso _gráfico_, a partir do _plano horizontal_,

existente entre os oito e os nove anos, nota-se, desde logo, uma

pronunciada _ascensão_ da _curva_, que adquire gradual e progressiva

intensidade, à medida que a _criança_ se vai aproximando do _fim

natural_, para que tende.

Logo, porêm, que êste _movimento ascensional_ atinge os quinze anos

(_fase pubertária_), a sua _aceleração_ torna-se tam _brusca_ e

_rápida_, que quási se confunde com a _vertical_ o fragmento de _curva_,

que a exprime.

Chega, depois, o _máximo_ (aos dezassete anos); e, conquanto (até à

_idade adulta_) o tórax continue sempre a _crescer_ mais, do que a

_estatura_[56], todavia, daí por diante, nenhuma _variação_ dêsse

_crescimento_ igualará jamais aquelas que, até lá, se produziram.

CAPITULO III

Insuficiência do estudo do «crescimento» absoluto para a solução de

todos os problemas antropométricos. «Crescimento» relativo ou

segmentar; sua determinação, tanto sintética, como analítica, pelo

confronto dos respectivos elementos.

1.--A determinação do _ritmo do crescimento_ não basta em _Pedologia_,

porque, como vimos, há _outras leis_ que as _medidas sintéticas_ não

revelam.

A _estatura_, como síntese que é das _alturas segmentares do corpo_

acima do solo, _valerá o que valêrem estas_; por si só, essa _medida_

apenas significa que tal pessoa é _grande_ ou _pequena_, o que é de

importância mínima, em _pedometria_; e, às vezes, até de _valor

negativo_, como sucederá, por exemplo, nos casos de _gigantismo com

infantilismo_, em que a _estatura cresce, à custa doutras dimensões

essenciais_ (largura, grossura, espessura) _do sólido humano_[57].

Pelo seu lado, o _pêso_ nem sempre deve ser considerado, como exprimindo

um _valor activo_ nos fenómenos do «crescimento», pois pode suceder que,

em vez de uma _densidade muscular_, acuse uma _densidade adiposa_, a

qual, como é óbvio, não passa de uma _reserva_ e, às vezes, até dum

_obstáculo_ à seqùência normal daqueles fenómenos.

Não há dúvida que a _medida do pêso_, em circunstâncias normais e,

sobretudo, _a da sua evolução_, constituem um meio excelente de avaliar

da _saúde_ e do _estado de nutrição_ da criança; a verdade, porêm, é que

não é êsse o único _problema métrico_ a esclarecer: outros há que o

_pêso_, só por si, não resolve.

[Figura: Fig. 4]

Finalmente, o _perímetro torácico_ (medida de valor apreciável, quando

relacionada com outras medidas) presta-se tambêm a _interpretações

erróneas_, por isso mesmo que pode representar, sob a _máscara da

gordura_, um _falso volume_ do organismo.

A conclusão impõe-se, em relação a _cada uma_ das mensurações indicadas,

considerada _de per si_; mas há casos, em que nem _tôdas juntas_

inspirarão maior confiança.

Examine-se, por exemplo, êste _retardatário_ (figura n.^o 4), de quinze

anos e meio de idade, o qual, a julgar pela _altura_ (quási de adulto),

pelo _pêso_ (relativamente enorme), e pelo _perímetro torácico_

(considerável), se deveria reputar em _óptimas condições de

crescimento_; ¡e, todavia, não se trata senão de uma _pobre criança_

que, à hora das suas mensurações, não havia ainda feito a _puberdade_,

nem talvez jamais a chegasse a fazer!...[58].

É um caso típico de _infantilismo total_, tanto somático, como psíquico.

A investigação scientífica do «crescimento» descobriu que uma das _leis_

mais importantes _dêste_ é a das _proporções_.

O vigor do _organismo humano_ e o seu desenvolvimento normal, através

das _idades de evolução_ (infância, puerícia, adolescência, puberdade,

nubilidade) não dependem sòmente do aumento, em _altura_, _grossura_, e

_densidade_; mas tambêm e principalmente das _dimensões relativas_ de

todos os _segmentos_, que constituem êsse organismo.

Não é possível elaborar, acertadamente, um _quadro de médias_,

considerando apenas as _medidas_ enumeradas; o que importa é _pesquizar_

a fórmula específica do _nosso crescimento_, construir o _cânon

antropométrico_ da criança portuguesa, _em tôdas as idades, e de ambos

os sexos_.

Achado êsse _padrão_, por êle será aferido o «crescimento», sendo então

fácil _definí-lo_ e _julgá-lo_, com absoluta segurança.

2.--Os _antigos_ falaram, por vezes, das _proporções do corpo humano_,

nas diferentes _fases_ da sua evolução; a verdade, porêm, é que só a

_sciência contemporânea_ logrou resolver o problema[59].

Sem querermos aprofundar agora êste assunto, basta ponderar que, depois

dos _trabalhos definitivos_ de Manouvrier[60], não é possível continuar

a crêr nas _curiosas ficções_ de Stratz que, havendo adoptado o

_critério_ de Vitrúvio, afirmava incluir-se, oito vezes, a _cabeça_, na

estatura do _adulto_; sete, na do _púbere_; seis, na do _adolescente_;

cinco, na do _infante_; e quatro, na do _recêm-nascido_[3].

Não há de ser um _segmento do corpo humano_ a _medida comum_ das

_dimensões reaes_ dêste; mas uma _unidade métrica exterior_: o

_milímetro_, como se acha estabelecido, em _pedometria_.

Seguindo na _esteira desta orientação_, e estabelecendo, desde já, o

confronto das _medidas sintéticas_, de que dispomos, não padece dúvida,

que o _crescimento relativo da criança portuguesa_ denuncia, na sua

_marcha progressiva_, uma clara influência da _lei da alternância_, e

não se afasta sensivelmente das _normas_, a que se atende, em

_pedologia_.

Comparando, por exemplo, a _curva_ da _altura_ com as _curvas_ do _pêso_

(figura n.^o 5) e do _perímetro torácico_ (figura n.^o 6), reconhece-se,

desde logo, que, em relação ao sexo masculino, tanto a _densidade_, como

a _grossura_ do organismo, só ultrapassam a _altura_, depois dos quinze

anos, que é a época, em que as _dimensões horizontais_ entram de

contribuir mais, do que as _verticais_ para o _crescimento_ do _sólido

humano_.

Pelo que temos observado, ininterruptamente, a partir de 1903, a

_puberdade masculina_ faz-se, em regra, entre nós, desde os catorze até

aos dezasseis anos, e a _feminina_, desde os doze até aos catorze[62].

Normalmente, os _primeiros sinais da puberdade_ (P.^1) aparecem, no

_sexo masculino_, pelos treze ou treze anos e meio; no _sexo feminino_,

pelos onze ou onze e meio; e a sua _instalação definitiva_ (P.^3 A.^1),

respectivamente, pelos catorze e doze anos. Alêm disso, importa notar

que o _encerramento da fase pubertária_ (P.^5 A.^{3, 4 ou 5}) se realiza

sempre, ao cabo de dois anos, volvidos sôbre aquela _instalação_[63].

[Figura: Fig. 5]

Examinando o _gráfico_ da figura 5, vê-se que efectivamente o _aumento

progressivo do pêso_ se intensifica, a partir dos catorze anos; e que é

precisamente aos dezasseis (P.^5 A.^5) que a respectiva _curva_ adquire

sôbre a da _estatura_ uma _ascendência_, que jamais cessará[64].

Mas é natural; porque, como se depreende do _gráfico n.^o 6_, a

_criança_, principiando a _engrossar_, em _progressão intensiva_, dos

quinze para os dezasseis anos (_instalação definitiva_, ou já

_encerramento da puberdade_), claro está que aumentará de _densidade_;

donde resulta o _paralelismo_, ou a _semelhança fisionómica_ das duas

_curvas_ (_pêso_ e _perímetro torácico_).

Em contraprova, examine-se ainda o _gráfico_ da figura n.^o 7, que

inscreve (para confronto) as _curvas_ do _pêso_ e do _perímetro

torácico_.

Depois dos nove ou dez anos, essas _curvas_ caminham quási paralelamente

(como não podia deixar de ser); e, só depois dos dezassete anos, em que

é atingido o _máximo absoluto comum_, é que surgem _inflexões_, cuja

_natureza_ importa à _pediatria_ explicar.

Em os nossos _exemplares de observação e estudo_, há um (do sexo

feminino), em que se realizam, com notável precisão, as _leis_, a que

nos temos referido. O _crescimento_, em _altura_, como se pode

verificar, em face do _gráfico_ da figura n.^o 8, acusa, pelos treze

anos, um _aumento considerável_, que teve o seu _início_, por ocasião do

_aparecimento_ e _instalação da puberdade_; e podemos acrescentar que

essa _progressão não afrouxou ainda_, até a êste momento[65].

Mas não constituem os _factos_ aduzidos todo o _material_, de que seja

possível dispor, para a organização scientífica dos _cânones

antropométricos_ das _idades evolutivas da criança portuguesa_.

[Figura: Fig. 6]

[Figura: Fig. 7]

[Figura: Fig. 8]

Temos _medidas segmentares_, que podem aproveitar a êsse fim; e vamos

apreciá-las, no capítulo imediato.

CAPÍTULO IV

Medidas segmentares para avaliação do crescimento relativo, ou das

proporções do corpo, nas idades de evolução. Cânones

antropométricos da criança portuguesa

1.--O estudo das _proporções métricas do corpo humano, desde o

nascimento, até à idade adulta_, exige que se considerem _três ordens de

segmentos_:

1) _projecções verticais_;

2) _diâmetros_;

3) _perímetros ou circunferências_.

Dos _elementos_ da primeira categoria, interessam-nos, de modo especial,

em relação ao _eixo do corpo_, as _alturas da cabeça e do tronco_; e, em

relação aos _apêndices_, as _dimensões_ (no seu conjunto) do _membro

torácico_ e do _membro abdominal_.

Como, em o nosso país, não existem (que nós saibamos) _mensurações_ das

referidas _alturas_, procuramos, ao presente, obtê-las, em _quantidade_

e _qualidade_ suficiente, sobre alunos do _Colégio Moderno_[66].

Á segunda categoria pertencem os _diâmetros_, tanto _cranianos_, como

_torácicos_, e _pélvicos_; mas de tôdas estas _dimensões horizontais_

algumas _medidas_ possuímos, em condições de serem utilizadas; podendo

dizer-se o mesmo, em relação aos _elementos_ da última classe:

_perímetros_, quer _cranianos_, quer _torácicos_, e ainda _pélvicos_.

As _tabelas_ que, a seguir, publicamos consubstanciam todos êsses

_elementos_:

TABELA N.^o 1 (_Maternidade de Lisboa_)[67]

Educação nova: As bases · 第 2 / 9 段